sábado, 25 de maio de 2013

Os jovens desempregados

"Esses filhos semi-órfãos da desordem, da guerra e da inflação, (...) crescendo sem nenhuma assistência, sem nenhum sustento certo, precisavam do cuidado especial da sociedade. Em vez disso, eles (...) eram as primeiras vítimas do reajuste social. Ao atingirem a idade activa, não encontravam, para seu desânimo, nenhum emprego disponível. O jovem químico, engenheiro, professor, advogado, médico, especialista de qualquer ramo, mesmo o artesão, encontrava o caminho barrado pelo pai ou pelo irmão mais velho. Na luta moral pelos empregos, (...) os inexperientes eram inevitavelmente derrotados. E o ódio dos deserdados avolumava-se monstruosamente. Era um esplêndido material para o radicalismo político. (...) A jovem Alemanha era, sem dúvida, uma presa fácil para um demagogo patriota."

 Edgar Mowerer, correspondente em Berlim do Chicago Daily News, no seu livro A Alemanha Atrasa o Relógio, 1933

Walter Muhle, ex-membro das SS

"Para nós, o Fuhrer era o máximo que existia – as pessoas adoravam-no... reagiam a ele como sucede hoje com um artista pop... Os anos de paz em Berlim foram o melhor tempo da minha vida... Veja-se a quantidade de apartamentos que os nazis construíram para os trabalhadores – a indústria foi reconstruída." Tom Buchanan, "

Política e Poder", em O Século do Povo, Ediclube, 1997

O Programa do Partido Nazi

"1. Constituição de uma Grande Alemanha, reunindo todos os alemães com base no direito dos povos de disporem de si mesmos. 2. Revogação do Tratado de Versalhes. (...) 4. Apenas os cidadãos têm direitos cívicos. Para ser cidadão é necessário ter sangue alemão. Nenhum judeu pode ser cidadão. (...) 6. O direito de voto será reservado exclusivamente aos cidadãos. 7. Criação de um vasto sistema de reformas. 8. Os não cidadãos serão expulsos do Reich, caso o país não possa alimentar toda a população. (...) 22. Criação de um exército nacional. (...) 25. Criação de um poder central forte."

 Do Programa do Partido Nazi (1920)

Hitler e o poder absoluto

"O novo movimento é (...) antiparlamentar, ou seja, ele nega o princípio de uma soberania da maioria em virtude da qual o chefe de Governo é rebaixado à categoria de simples executante da vontade dos outros. O movimento defende o princípio de que, nas grandes como nas pequenas questões, o chefe detém uma autoridade incontestada, comportando a mais absoluta responsabilidade. Aquele que quer ser o chefe carrega, com a sua autoridade suprema e sem limite, o pesado fardo de uma responsabilidade total. Só um herói pode assumir esta função."

 Adolf Hitler, Mein Kampf, 1923

A raça superior

"A nossa concepção racista não acredita de forma nenhuma na igualdade. Pelo contrário, reconhece que há diversidade nas raças e que o seu valor é mais ou menos elevado. Sente assim a obrigação de favorecer a vitória do melhor e do mais forte, de exigir a subordinação dos piores e dos mais fracos. A cultura e a civilização humanas estão, neste continente, indissoluvelmente, ligadas à existência do Ariano. (...) A concepção racista corresponde à vontade mais profunda da natureza ao restabelecer o progresso pela selecção. Assim, um dia, uma Humanidade melhor, tendo conquistado o mundo, verá abrir-se livremente para si todos os domínios da actividade. (...) O Judeu forma o mais marcante contraste com o Ariano. (...) O Judeu não tem mínima capacidade para criar uma civilização (...). A sua inteligência nunca servirá para construir, mas sim para destruir (...). O progresso da Humanidade cumpre-se, não por ele, mas apesar dele. (...)"

 Adolf Hitler, Mein Kampf, 1925

Leis de Nuremberga, 1935

"Compenetrado da consciência de que a pureza do sangue alemão é a premissa da perpetuação do povo alemão, e inspirado pelo indomável desejo de assegurar o futuro da nação alemã, o Reichstag aprovou por unanimidade a seguinte lei, que é proclamada pelos presentes: 1. Os casamentos entre judeus e sujeitos de sangue alemão ou assimilado são proibidos. 2. As relações extramaritais entre judeus e sujeitos de sangue alemão ou assimilado são proibidas. 3. Os judeus não podem utilizar no serviço de suas casas as mulheres de sangue alemão ou assimilado com menos de quarenta e cinco anos de idade. 4. Fica proibido aos judeus usar as cores nacionais alemães. (...) 5. As infracções ao n.º 1 serão punidas com pena de prisão. (...)"

 J. Carpentier e F. Lebrun, História da Europa

Auschwitz

"Em Auschwitz, pelo menos dois milhões e meio de pessoas foram mortas nas câmaras de gás e outro meio milhão morreu de fome e doenças. (...) Lá trabalhavam dois médicos das S.S. que examinavam todos os que chegavam ao campo. (...) Os aptos para o trabalho ficavam no campo, os outros eram enviados para as câmaras. As crianças de pouca idade eram sempre enviadas para a morte, visto que não podiam trabalhar. Queríamos que toda a acção fosse mantida em segredo, mas o cheiro originado pela incineração dos cadáveres inundava toda a região." Declaração de Rudolf Franz Hoss no Julgamento de Nuremberga, 1946

Portugal: a herança histórica e os novos desafios

"Somos livres, mais democráticos do que 1974? Certamente que sim. Sê-lo-emos, e em que campos, mais do que o depois da entrada na Europa e a na União Monetária? Conhecendo melhor a nossa sociedade, os nossos direitos e obrigações políticas, poderemos afirmar que o povo português interiorizou na sua prática política aquelas regras mínimas que definem a democracia (regras de liberdade, de igualdade, de justiça)? Resposta é, mais uma vez, “sim”. Porem, qualquer coisa nos deixa irremediavelmente insatisfeitos. “Sim, sim”, mas… é como se o ganho em democracia ou em conhecimento da democracia que alcançamos sofresse de uma falha essencial. (...) Gostaria de insistir num ponto: o legado do medo que nos deixou a ditadura não abrange apenas o plano político. Aliás, a diferença com o passado é que o medo continua nos corpos e nos espíritos, mas já não se sente. (…) Por exemplo, o direito à cultura e ao conhecimento ainda não chegou ao sentimento da população portuguesa. (...) Numa palavra. O Portugal democrático de hoje é ainda uma sociedade de medo. É o medo que impede a crítica. (...) Portugal conhece uma democracia com baixo grau de cidadania e liberdade. (...) Dito de outro modo: estamos longe de expressar, de explorar e portanto de conhecer e de reivindicar os nossos direitos cívicos e sociais de cidadania, ou seja, a nossa liberdade de opinião, o direito à justiça, as múltiplas liberdades e direitos individuais no campo social. (...) Digamos que o velho Portugal rural e pré-industrial fechado sobre o seu império colonial pertencia a categoria das sociedades disciplinares com as suas instituições correspondentes (escola, prisão, fábrica, exército, Estado autoritário, etc.) A entrada de Portugal na Europa leva-o na direcção das sociedades de controlo. Como consequência desta tensão, os hábitos de obediência e submissão que os portugueses trouxeram do autoritarismo salazarista mal começaram a desintegrar-se foram logo apanhados pelas tecnologias de controlo que surgiram. (...) É, aliás, o que os discursos político, económicos, social, cultural das instituições e dos media não cessam de nos dizer. Não há outra vias (politicas, económicas, sociais), não há outra maneira de viver, de educar, de instruir, de tratar, de organizar o lazer, de viajar, de se divertir, de amar. A abertura à Europa e ao mundo oferece-nos nesta sociedade normalizada a tecnociência ao serviço da globalização. "

José Gil, Portugal, Hoje. O medo de existir, Relógio d’Água, Lisboa, 2004

FASCISMO: O lado negro

"Foi a falta de integridade moral e, sobretudo, a sobrestimação do próprio poder pelos conservadores que permitiram aos nacionais-socialistas aceder ao poder, a que nunca renunciariam. Não podiam renunciar porque a única razão da sua existência era o poder pelo poder e o alimentar pelo ressentimento. A frustração leva ao ressentimento, o ressentimento à violência, e a violência a mais violência. É isso que a história nos ensina e, infelizmente, a natureza humana não mudou. A existência das instituições que deviam proteger-nos depende exclusivamente da confianças que os cidadãos lhes concedem. Quando se entrega o poder a demagogos e charlatães, que usam os mass media para cultivar a crença de que esse líder, o político que pretende ser contra a política, é a única pessoa capaz de salvar o país, as instituições constitucionais e democráticas desaparecem tão depressa como a confiança nas autoridades porque já ninguém acredita nela. " Rob Riemen, O Eterno retorno do Fascismo, p. 71

Módulo VII - A Grande Crise do Capitalismo nos anos 30

Da depressão económica à 2.ª Guerra Mundial
 Conteúdos
Módulo VII - A Grande Crise do Capitalismo nos anos 30
A grande crise do capitalismo
A intervenção do Estado na economia
Regimes ditatoriais na Europa
Os regimes fascista e nazi
Portugal: a ditadura salazarista
A era estalinista na URSS
A 2.ª Guerra Mundial
O desenvolvimento do conflito
Os caminhos da paz

Aprendizagens relevantes
Descrever o crash da Bolsa de Nova Iorque de 1929.
Explicar a crise de 1929 nos Estados Unidos e as suas características.
Explicar a mundialização da crise de 1929.
Identificar as principais consequências sociais decorrentes da crise.
 Distingue as principais medidas adoptadas pelo New Deal, nos Estados Unidos da América.
 Explicar o avanço dos regimes autoritários na Europa.
 Caraterizar o regime fascista e nazi quanto aos seus princípios e formas de actuação.
Caraterizar o modelo de desenvolvimento económico estalinista.
Descrever a violência totalitária do Estado Soviético.
Referir os acontecimentos que conduziram à formação do Estado Novo.
Conhecer a nova Constituição do país. Enumerar formas de repressão e propaganda do Estado Novo. Descrever a sua organização corporativa.
Caraterizar o colonialismo português.
 Relacionar o início da II Guerra Mundial com o expansionismo das ditaduras.

O agravamento da instabilidade política

"Nesse dia, poucos deputados compareceram na Câmara. (...) Nos homens, nenhum aprumo de vestuário, nem de atitudes, nem de expressão. na imagem brumosa que me ficou da Câmara, destaca-se um vulto de sobretudo alvadio, todo aspapaçado sobre o seu banco, com a expressão de tédio de um borguista mole, extenuado, no morrer sonolento de alguma orgia. De perna estendida com ar de enjoo, encara de pálpebras semicerradas os seus colegas legisladores, dos quais alguns se mantém sentados, outros de pé ou deambulando, muitos a falar do que lhes apetece e a abafar a voz do orador que ora e que ninguém ouve, nem quer ouvir, nem se sabe onde está, nem o que é que nos diz."

  António Sérgio, Ensaios III

A falência da Primeira República

"O País não produzia nem a metade do necessário para o seu consumo. (...) E foi assim, nestas condições, sem agricultura, sem indústria, sem navegação, que a Guerra veio surpreender Portugal. E foi sob um regime de salário baixíssimo e de um custo de vida exorbitante (...) que nós, operários, nos encontrávamos."

   Movimento Operário perante a Guerra e as Condições de Paz, União Operária Nacional, em 1917

A Grande Depressão dos anos 30

"Era o fim do mundo para um povo que tinha apostado tudo na riqueza. As indústrias, equipadas para grandes produções, não encontravam compradores. O número de desempregados subia. (...) Mas, quando as pessoas cessaram as suas compras, então o desemprego aumentou em progressão geométrica, devido à baixa dos preços, à falta de confiança, ao crash de Wall Street. "

André Maurois, 1933 - Chantiers Américains, Paris

O Fascismo

" Para o fascismo, o Estado é absoluto: perante ele os indivíduos e os grupos não são mais que o relativo. Tudo no Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado. (...) O indivíduo só existe enquanto está no Estado: está subordinado às necessidades do Estado e, à medida que a civilização toma formas cada vez mais complexas, a liberdade do indivíduo restringe-se sempre mais. (...) Neste sentido, o fascismo é totalitário (...). Nem partidos, associações, sindicatos nem indivíduos fora do Estado. (...) Nós representamos um princípio novo no Mundo, representamos a antítese nítida, categórica, definitiva da democracia (...). "

Benito Mussolini, O Fascismo, 1931

O Nazismo

"A nossa concepção racista não acredita de forma nenhuma na igualdade. Pelo contrário, reconhece que há diversidade nas raças e que o seu valor é mais ou menos elevado. Sente assim a obrigação de favorecer a vitória do melhor e do mais forte, de exigir a subordinação dos piores e dos mais fracos. (...) A concepção racista corresponde à vontade mais profunda da natureza ao restabelecer o progresso pela selecção. (...) O Judeu não tem mínima capacidade para criar uma civilização (...). A sua inteligência nunca servirá para construir, mas sim para destruir. (...) "

 Adolf Hitler, Mein Kampf, 1925

O Estado Novo

"Todos sabem de onde vimos – de uma das maiores desorganizações que em Portugal se devem ter verificado na economia, nas finanças, na política, na administração pública. (…) Não há Estado forte onde o Poder Executivo o não é, e o enfraquecimento deste é a característica geral dos regimes políticos dominados pelo liberalismo individualista ou socialista, pelo espírito partidário e pelos excessos e desordens do parlamentarismo. (...) "

 Salazar, Discurso de 30 de Julho de 1930

O Estalinismo

"O camarada Estaline, ao converter-se em secretário-geral concentrou nas suas mãos um enorme poder; e eu não estou seguro de que use sempre esse poder com a cautela necessária. (...) Creio que a pressa e o carácter impulsivo de Estaline nas coisas administrativas, junto do seu ressentimento contra o notório "chauvinismo social", desempenharam um papel fatal; o ressentimento sempre desempenha um péssimo papel na política. Estaline é demasiado rude e este defeito, que se pode tolerar em nossas relações como comunistas, é inaceitável no seu Secretariado Geral. Portanto, proponho aos camaradas que tratem de encontrar a maneira de retirar Estaline deste cargo e substituí-lo por outro que seja superior a Estaline em todos os aspectos, quer dizer, mais paciente, mais leal, mais cortês, mais atento aos camaradas, menos caprichoso."

   Lenine, Carta ao Congresso dos Sovietes, Dezembro de 1922

O sobressalto político de 1958


"Chegados à beira das urnas, eu vos dirijo as minhas mais puras saudações e vos convido a comparecer nas urnas em que se decidirá do futuro da Nação. Apesar dos assaltos e das prisões; apesar da violência e das agressões; apesar de violarem e encerrarem as nossas sedes; apesar das intimidações, dos insultos e prepotências de que, sempre temos sido passivos; apesar da censura e das injustiças; apesar da censura e das injustiças; apesar de se preparar uma burla eleitoral de que somos vítimas, eu - por tudo e por isto mesmo - vos convido a seguir comigo para o nosso destino comum. Às urnas, amigos! Lutemos de forma a desmascarar os traidores e os cobardes, aqueles que cometeram e vão cometer ilegalidades constitucionais, aqueles que são inimigos do povo e dos princípios cristãos! Às urnas, cidadãos!
Lisboa, 2 de junho de 1958"

Proclamação de Humberto Delgado




Chegada do General Humberto Delgado à estação de Santa Apolónia, 16 de maio de 1958

A solução para o Ultramar

"Sem os territórios africanos, o país ficará reduzido a um canto sem expressão numa Europa que se agiganta, e sem trunfos potenciais para jogar em favor do seu validamento no concerto das Nações, acabando por ter uma existência meramente formal num quadro político em que a sua real independência ficará de todo comprometida. (...) Mas não é pela força, nem pela proclamação unilateral de uma verdade, que conseguiremos conservar portugueses os nossos territórios ultramarinos. Por essa via, apenas caminharemos para a desintegração do todo nacional pela amputação violenta e sucessiva das suas parcelas, sem que dessas ruínas algo resulte sobre que construir o futuro. (...)"

  António de Spínola, Portugal e o Futuro, Fevereiro de 1974

A defesa do Ultramar

"Angola, Moçambique e Guiné são províncias de Portugal. Os seus habitantes pretos ou brancos, são portugueses. As perturbações da ordem interna, as violências lá produzidas, as agressões por guerrilhas vindas do exterior tê de ser reprimidas e repelidas pelos Portugueses. É um dever e uma responsabilidade nossos. Pois que havíamos de fazer? À primeira sacudidela dada por selvagens assassinos e violadores, levantar braços em sinal de rendição? Entregar às fúrias dos terroristas as vidas e fazendas que, sem discriminação de cor e constituindo a maioria esmagadora da população, não se bandeiam com eles? (...) Por detrás desses grupos, porém, está o apoio de potências estrangeiras que esperam vir a recolher o espólio de uma capitulação de Portugal. Porque, não tenhamos dúvidas: uma tal negociação equivaleria a capitulação. (...) Não está a China por detrás da Frelimo? E não estão os movimentos antiportugueses de Angola e da Guiné amparados à URSS (...). Não podemos abandonar as terras portuguesas do Ultramar e os nossos irmãos que nelas vivem e nelas construíram os seus lares e forjaram os seus destinos."

    Discurso de Marcello Caetano, 3 de Julho de 1972