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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

DA RÚSSIA DOS CZARES À RÚSSIA DOS SOVIETES

A Rússia nas vésperas da Revolução. 
O “Domingo Sangrento” 
 No início do século XX, a Rússia era um extenso império territorial que se encontrava numa situação de atraso em relação às mudanças ocorridas nos países da Europa ocidental, devido a: uma monarquia absoluta, chefiada por um imperador, o czar, que concentrava em si todos os poderes; uma sociedade hierarquizada: a Igreja, a Coroa e os aristocratas possuíam a maioria das terras; os camponeses (cerca de 80% da população) trabalhavam nestas terras e viviam numa situação de miséria extrema; os operários (cerca de 3 milhões) levavam uma vida de miséria e a burguesia, minoritária, tinha pouco poder económico e político; uma agricultura arcaica de pouca produtividade que era, no entanto, a base da vida económica do país; uma industrialização incipiente, iniciada apenas no final só século XIX. 
Os principais centros de comércio localizavam-se nas grandes cidades (como Moscovo e São Petersburgo) pois não existiam boas vias de comunicação, de maneira a espalhar o comércio pelo país. A 22 de Janeiro de 1905 (9 de Janeiro pelo antigo calendário em vigor na Rússia nessa época),domingo, realizou-se uma manifestação em São Petersburgo, capital do império, para entregar ao czar no poder, Nicolau II, uma petição assinada por milhares de trabalhadores que reclamavam: a melhoria das condições de vida; o fim da censura; a constituição de um parlamento (Duma). 
 A guarda do czar, em resposta à manifestação, disparou sobre os manifestantes, matando milhares de trabalhadores. 
Este dia ficou conhecido como “Domingo Sangrento”. 
Em consequência, ocorreram várias greves e surgiram conselhos de operários, de camponeses e de soldados (os sovietes) que difundiam ideias revolucionárias. Os sovietes eram controlados pelo partido bolchevique, cuja chefia tinha sido confiada a Lenine, em 1903. Embora o czar tenha prometido a criação de uma Duma, a existência de partidos políticos e de uma constituição, os revolucionários organizaram uma greve geral em Novembro. 
Como resposta, os sovietes foram ilegalizados e os líderes da oposição, incluindo Lenine, foram presos e exilados. Das promessas do czar apenas se manteve a Duma, entre 1906 e 1917. 
Mas esta era controlada pelos aristocratas e pelo czar que tinha o poder de a dissolver. 
A participação da Rússia na I Guerra Mundial agravou a situação de miséria do seu povo, não só devido ao elevado número de mortos como também à escassez de alimentos e à subida dos preços. 
 A Revolução “Burguesa” e a Revolução Bolchevique 
 A crise económica e a agitação social foram aproveitadas pelas forças revolucionárias para divulgar as ideias liberais e socialistas, desencadeando manifestações e greves por todo o país. 
A 12 de Março (27 de Fevereiro) de 1917, milhares de manifestantes invadiram a sede da Duma em Petrogrado (São Petersburgo). 
Formaram-se dois comités: um constituído pelos deputados moderados da Duma e outro constituído pelos sovietes de Petrogrado. 
Este acontecimento ficou conhecido como Revolução “Burguesa”, Revolução Liberal ou Revolução de Fevereiro. 
 A 15 (2) de Março, o czarismo chegou ao fim: o czar Nicolau II abdicou e a Duma nomeou um governo provisório. 
Institui-se um regime liberal parlamentar. Porém, o novo governo começou logo a ser contestado pelo comité dos sovietes. 
Estes eram contra a intenção do governo de manter a Rússia na I Guerra Mundial e reclamavam a legitimidade para governar. Lenine, já regressado do exílio em Londres, defendia uma revolução que entregasse todo o poder aos sovietes. 
 De 6 a 8 de Novembro (24 a 26 de Outubro) deu-se a chamada Revolução de Outubro ou Revolução Bolchevique
A 7 de Novembro (25 de Outubro) a polícia militar bolchevique ocupou pontos estratégicos da cidade, prendeu os ministros do governo provisório e dissolveu a Duma. 
O poder governamental foi entregue, no dia 8 (26) ao Conselho dos Comissários do Povo, liderado por Lenine. 
Com esta Revolução iniciou-se um período de profundas transformações políticas. 
A Rússia transformou-se numa República Soviética, em que os sovietes tinham mais poder que a Assembleia Constituinte, saída das eleições. 
Entre as medidas que foram tomadas pelo governo bolchevique encontramos: 
paz imediata com a Alemanha (Tratado de Brest-Litovsk);
 abolição de toda a propriedade privada, como fábricas, terras e minas, que foram nacionalizadas sem o pagamento de indemnizações aos seus proprietários; 
requisição pelo Estado das colheitas agrícolas, exceptuando o indispensável para consumo próprio. 
 Lenine adotou, assim, as ideias marxistas e adaptou-as à realidade russa, surgindo, assim, o Marxismo-Leninismo. 
O seu objetivo imediato era a Ditadura do Proletariado, que seria uma fase de transição para o seu objetivo final – o Comunismo. 
No Comunismo o operariado seria a classe dominante e todo o poder da burguesia (capital, terras e fábricas) seria transferido para o Estado, sendo que este tinha de garantir o bem-estar de toda a população. 
 Do comunismo de guerra à NEP. 
A construção da URSS 
 As medidas tomadas por Lenine conduziram a Rússia a um período de guerra civil (1918-1920) entre os defensores do antigo regime (russos “brancos”), que contavam com o apoio de países como a França, a Grã-Bretanha e os EUA, que receavam a expansão das ideias revolucionárias, e os defensores do atual regime (russos “vermelhos”). 
 A guerra civil e a forte oposição externa levaram Lenine a radicalizar as suas posições, adotando um “comunismo de guerra” (1918-1921), tomando várias medidas, tais como: 
 a proibição de outros partidos políticos, além do Partido Comunista-Bolchevista; 
a instauração da censura; a constituição de uma polícia política – Tcheka; a perseguição, a prisão, a tortura e a morte dos adversários políticos. 
 A guerra civil terminou em 1920, com a vitória do Exército Vermelho (russos “vermelhos”) e arruinou o país. 
O “comunismo de guerra” contribui para aumentar o descontentamento da população, surgindo revoltas, greves e manifestações. 
Por isso, Lenine implantou a Nova Política Económica (NEP), retornando ao “capitalismo limitado por um tempo limitado”. Com a NEP, embora o Estado continuasse a controlar os principais sectores da economia, este permitia: pequenas unidades privadas de produção agrícola e industrial; a entrada de capitais e técnicos estrangeiros; alguma liberdade de comércio, como por exemplo, a venda livre de produtos agrícolas. 
Com a implementação da NEP, os níveis de produção aumentaram e, consequentemente, permitiu a melhoria das condições de vida da população e estabilidade política. 
Em 1922, para atrair os povos que tinham sido anexados à Rússia e que possuíam etnias, línguas, costumes e religiões diferentes para o “espírito bolchevista”, Lenine conseguiu que fosse aprovada a fundação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). A sua Constituição, aprovada em 1923, estabeleceu a Federação de Estados e reconheceu as diferentes nacionalidades e a diversidade cultural.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

REVOLUÇÃO RUSSA


NEP (NOVA POLÍTICA ECONÓMICA)

Cartaz soviético da NEP:
 "O capitalismo a serviço do comunismo".

A Nova Política Econômica, política levada a cabo pelo Partido Comunista e o Estado Soviético no período de transição do capitalismo ao socialismo. Suas bases foram traçadas por Lenine na obra "Tarefas Imediatas do Poder Soviético" e teve início na primavera de 1918. A intervenção militar do imperialismo internacional e a guerra civil obrigaram a adoção de uma política econômica especial, de emergência, que se denominou "Comunismo de Guerra". Como o Comunismo de Guerra não se coadunava com a construção econômica em tempos de paz, o X Congresso do Partido Comunista (bolchevique) da Rússia deliberou em março de 1921 substituir o sistema de contingenciamento — fundamento do Comunismo de Guerra — pelo imposto em espécie e conceder aos camponeses o direito de venderem livremente os excedentes de seus produtos depois de pago o imposto. Assim se deu o primeiro passo na transição da política do Comunismo de Guerra à NEP.
Terminada a guerra civil, em 1921, a Rússia estava devastada, faltavam alimentos para a população e havia ainda o risco de novas rebeliões populares. Lenine então criou o NEP (Nova Política Económica), promovendo certo retorno às práticas capitalistas como:
-A liberdade de comércio interno,
- A liberdade de salários;
-A criação de empresas privadas;
-O empréstimo de capitais estrangeiros.
No mesmo ano o Partido Comunista instaurou a ditadura.

A CONSTRUÇÃO DO MODELO SOVIÉTICO: PROBLEMAS E SOLUÇÕES

A CONSTRUÇÃO DO MODELO SOVIÉTICO: PROBLEMAS E SOLUÇÕES
As opções de Lenine: Mais vale menos, mas melhor (1923)

“Há cinco anos que nos esforçamos para aperfeiçoar o nosso aparelho de Estado. […] É necessário adotar esta regra: mais vale menos, mas melhor. […]
Por que não […] admitir uma fusão do organismo de controlo do Partido com o do Estado? Por mim, não veria nisso nenhum inconveniente. Pelo contrário, creio que esta fusão é a única garantia de uma atividade fecunda. […]
O traço mais característico da nossa atual situação é o seguinte: destruímos a indústria capitalista, esforçámo-nos por destruir completamente as instituições medievais, a propriedade senhorial e, com base nisto, criámos o pequeno e o muito pequeno campesinato, que seguem o proletariado, confiantes nos resultados da sua ação revolucionária.
No entanto, não é fácil mantermo-nos, até à vitória da revolução socialista nos países
desenvolvidos, apoiados apenas nesta confiança. Não é fácil, porque o pequeno e o muito pequeno campesinato permanecem […] num nível extremamente baixo de produtividade de trabalho.
Além disso, a situação internacional faz com que a Rússia tenha sido lançada para um plano secundário; faz com que, globalmente, a produtividade do trabalho nacional seja hoje sensivelmente mais baixa, no nosso país, do que antes da guerra. As potências capitalistas da Europa Ocidental […] fizeram o possível por nos afundar, por aproveitar a guerra civil na Rússia, para arruinar ao máximo o nosso país. […]
Que táctica é que este estado de coisas impõe ao nosso país? […] O que nos interessa é a táctica que nós, Partido Comunista da Rússia, nós, poder dos Sovietes da Rússia, devemos seguir para impedirmos que os Estados contrarrevolucionários da Europa Ocidental nos esmaguem. Devemos procurar construir um Estado em que os operários conservem a sua direção sobre os camponeses.
[…]. Devemos procurar o máximo de eficácia no nosso aparelho de Estado. Devemos expurgá-lo dos excessos deixados pela Rússia czarista no seu aparelho capitalista e burocrático. […]
Se conservarmos a direção da classe operária sobre o campesinato e se economizarmos na gestão do nosso Estado, poderemos empregar até a mais pequena poupança para desenvolvermos a nossa grande indústria mecanizada […].”

Lenine, «Mais vale menos, mas melhor», Pravda, n.º 49, Março, 1923

1. Enuncie, com base no documento, as transformações económicas promovidas pelo Estado soviético, no sentido da implantação do socialismo, desde a revolução de Outubro de 1917 até à data do documento.
2. Identifique os problemas internos e externos com que, segundo o documento, se defrontou a Rússia soviética.
3. Justifique, de acordo com os objectivos de Lenine expressos no texto, as soluções por ele preconizadas para a reorganização do aparelho de Estado.


As transformações económicas promovidas pelo Estado soviético, no sentido da implantação do socialismo.
Transformações:
– nacionalização da grande indústria;
– abolição da grande propriedade fundiária e redistribuição da terra;
– fim da dependência dos camponeses em relação aos proprietários da terra.
Problemas internos:
– baixa produtividade rural;
– diminuição da produtividade global do trabalho, relativamente aos níveis atingidos antes da Primeira Guerra Mundial;
– guerra civil;
– permanência da burocracia czarista.
Problemas externos:
– apoio das potências capitalistas da Europa Ocidental às forças contra-revolucionárias durante a guerra civil;
– isolamento internacional da Rússia soviética

Soluções:
– controlo do Partido Comunista Soviético sobre o aparelho de Estado;
– liderança operária;
– eliminação da burocracia czarista;
– maior economia na gestão do Estado.
Objectivos:
– defesa da Rússia perante os ataques contra-revolucionários dos países capitalistas da Europa Ocidental;
– garantia do avanço do processo revolucionário;
– obtenção de eficácia no aparelho de Estado;
– desenvolvimento industrial.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Derrota os brancos com a cunha vermelha:cartaz de Lazar Lissitzky (1919)

Doc
Derrota os brancos com a cunha vermelha cartaz de Lazar Lissitzky (1919)
Identifique três das características do modernismo presentes no documento 
Na resposta, são identificadas claramente três das seguintes características do modernismo
presentes no documento 2:
• inovação na construção do objeto artístico OU liberdade de criação estética OU recusa do academismo
e das regras da pintura convencional;
• uso de formas geométricas simples OU de linhas retas, de círculos, de triângulos e de retângulos;
• recusa da figura e do objeto OU linguagem estética predominantemente abstrata e racional;
• recusa de qualquer noção de subjetividade (OU de emotividade na arte) OU pintura baseada na
composição pura de elementos pictóricos;
• ausência de perspetiva OU valorização da bidimensionalidade OU ausência de simetria;
• jogo de cores: quente e primária (vermelho), com cores neutras (preto, cinza e branco);
• introdução de palavras na composição como forma de descodificação imediata da mensagem OU
atribuição de valores ideológicos às linhas, às cores e às figuras geométricas;
• comprometimento com as questões sociais e políticas da época OU intencionalidade de mobilizar e
de incentivar à vitória as forças do Exército Vermelho OU de exprimir apoio à revolução bolchevique
durante a guerra civil russa;
• tendência de pintura de vanguarda com linguagem estética ligada ao abstracionismo geométrico OU
ao suprematismo.