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sexta-feira, 15 de abril de 2016

Grande Guerra, 1916 - O ano da viragem


Grande Guerra, 1916 - O ano da viragem


Evocações do Centenário da I Guerra Mundial - Manobras de Tancos
Em 1914, e em resultado do empenho português em respeitar a aliança com o Reino Unido, foi decidido formar uma unidade para poder intervir na guerra, a Divisão Auxiliar, unidade que mesmo antes de estar formada, foi desmobilizada pelo governo anti intervencionista do General Pimenta de Castro. Após o derrube deste governo, em 14 de Maio de 1915, foram retomados os trabalhos no sentido de formar uma Divisão de Instrução, embrião do futuro Corpo Expedicionário Português, muito devido ao empenho do Partido Democrático e do seu chefe, Afonso Costa.
 Assim, a partir de finais de Abril de 1916, e graças ao esforço do Ministro da Guerra, Norton de Matos, 20.000 homens das unidades constituintes desta Divisão começaram a concentrar-se em Tancos, naquilo que ficou conhecido como “Manobras de Tancos”.
O efetivo ficou alojado em tendas, no que ficou conhecido como “Cidade de Paulona” – pau e lona. Ao longo de cerca de três meses, executaram-se exercícios táticos, de fogos e de organização do terreno, treino militar este que não foi isento de lacunas e insuficiências, e que viriam a tornar-se visíveis em operações. Porém, o esforço de concentração do efetivo foi tal que ficou conhecido como o “Milagre de Tancos”.
 Estes exercícios foram muito documentados pela imprensa da época e, para finalizar, foi feita uma grande revista em Montalvo, com a presença do Presidente da República, do Governo, do Corpo Diplomático e de outras individualidades, numa grande ação de propaganda do regime.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Módulo 7 — CRISES, EMBATES IDEOLÓGICOS E MUTAÇÕES CULTURAIS NA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XX

Módulo 7 — CRISES, EMBATES IDEOLÓGICOS E MUTAÇÕES CULTURAIS NA PRIMEIRA
METADE DO SÉCULO XX
1. As transformações das primeiras décadas do século XX
1.1. Um novo equilíbrio global
• A geografia política após a Primeira Guerra Mundial. A Sociedade das Nações.
• A difícil recuperação económica da Europa e a dependência em relação aos Estados Unidos.
1.2. A implantação do marxismo-leninismo na Rússia: a construção do modelo soviético.
1.3. A regressão do demoliberalismo
• O impacto do socialismo revolucionário; dificuldades económicas e radicalização dos
movimentos sociais; emergência de autoritarismos.
1.4. Mutações nos comportamentos e na cultura
• As transformações da vida urbana e a nova sociabilidade; a crise dos valores tradicionais; os movimentos feministas.
• A descrença no pensamento positivista e as novas concepções científicas.
• As vanguardas: rupturas com os cânones das artes e da literatura.
1.5. Portugal no primeiro pós-guerra
• As dificuldades económicas e a instabilidade política e social; a falência da 1.ª República.
• Tendências culturais: entre o naturalismo e as vanguardas.
2. O agudizar das tensões políticas e sociais a partir dos anos 30
2.1. A grande depressão e o seu impacto social.
2.2. As opções totalitárias
• Os fascismos, teoria e práticas: uma nova ordem nacionalista, antiliberal e anti-socialista; elites e enquadramento das massas; o culto da força e da violência e a negação dos direitos humanos; a autarcia como modelo económico.
• O estalinismo: planificação da economia, colectivização dos campos, burocratização do partido; repressão.
2.3. A resistência das democracias liberais
• O intervencionismo do Estado.
• Os governos de Frente Popular e a mobilização dos cidadãos.
2.4. A dimensão social e política da cultura
• A cultura de massas e o desejo de evasão; os grandes entretenimentos colectivos; os media,
veículo de modelos socioculturais.
• As preocupações sociais na literatura e na arte; o funcionalismo e o urbanismo.
• A cultura e o desporto ao serviço dos Estados.
2.5. Portugal: o Estado Novo
• O triunfo das forças conservadoras; a progressiva adopção do modelo fascista italiano nas instituições e no imaginário político.
• Uma economia submetida aos imperativos políticos: prioridade à estabilidade financeira; defesa da ruralidade; obras públicas e condicionamento industrial; a corporativização dos sindicatos. A política colonial.
• O projecto cultural do regime.
3. A degradação do ambiente internacional
• A irradiação do fascismo no mundo.
• As hesitações face à Guerra Civil de Espanha; a aliança contra o imperialismo do eixo nazi-fascista; a mundialização do conflito.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Módulo 7 – CRISES, EMBATES IDEOLÓGICOS E MUTAÇÕES CULTURAIS NA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XX

Módulo 7 – CRISES, EMBATES IDEOLÓGICOS E MUTAÇÕES CULTURAIS NA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XX
Orientação Geral:
O módulo 7 abrange um período de intervencionismo do Estado em todos os domínios da sociedade, devendo ser desenvolvido de acordo com a seguinte orientação:
- destacar a especificidade das ideologias em confronto e os processos de radicalização que ocorreram;
 - salientar as relações entre os aspectos económicos, políticos e ideológicos e as transformações socioculturais e de mentalidade que progressivamente se foram afirmando;
 - clarificar a evolução de Portugal no período em análise, destacando os condicionalismos internos e as marcas da influência de modelos externos.
Tempo previsto: 32 aulas, sendo de aprofundamento os pontos 1.1., 1.2., 1.4., 1.5., 2.2., 2.3. e 2.5., para os quais serão reservadas 25 aulas.
Conhecimentos do Ensino Básico considerados como suporte: A Primeira Guerra Mundial; A Revolução Soviética.
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Na sequência da actividade desenvolvida, relevam-se as seguintes aprendizagens:
 - **compreender o corte que se opera na mentalidade confiante e racionalista da sociedade burguesa de início do século XX, devido ao choque da Primeira Guerra Mundial, às crises subsequentes e à evolução técnica do mundo industrial;
- **reconhecer como principais vectores da mudança cultural, no limiar do século, a emergência do relativismo científico, a influência da psicanálise e a ruptura com os cânones clássicos da arte europeia;
- **compreender a expansão de regimes autoritários como reflexo do problema do enquadramento das massas na vida política, em países em que a democracia representativa não se consolidara;
 - **avaliar o impacto exercido pelo modelo soviético nos movimentos sociais e nas opções de política interna e externa dos Estados demoliberais;
- **relacionar os períodos de crise gerados pelo capitalismo liberal com a expansão de novas ideologias e com a inflexão intervencionista dos Estados democráticos;
- **caracterizar a ideologia fascista, distinguindo particularismos e influências mútuas;
- **compreender os condicionalismos internos e externos que, em Portugal, conduziram à falência do projecto político e social da 1ª República e que favoreceram a ascensão de forças conservadoras e a implantação de um regime autoritário;
- **reconhecer que, no Estado Novo, a defesa da estabilidade e da autarcia se apoiou na adopção de mecanismos repressivos e impediu a modernização económica e social do país; - distinguir cultura de elites e cultura de massas, avaliando o peso das massas nas transformações socioculturais e identificando formas de controlo do comportamento das mesmas.

 *Conceitos/**Aprendizagens estruturantes

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Expansão territorial da Alemanha (de janeiro de 1935 a março de 1939)

Extensão do Terceiro Reich em 1943.
Em vermelho, os limites da Alemanha em 
1933

quando Hitler chegou ao poder; em roxo, 
áreas anexadas antes da Segunda Guerra Mundial
em marrom, áreas anexas antes de 1943.
As regiões pretendidas e conquistadas 
por Hitler em 1939

sábado, 5 de abril de 2014

O Século do Povo


O Século do Povo [1900-1999] 1/26 - A Era da Esperança        

Primeira Guerra Mundial - BBC - 2 º Capítulo - Sob a Águia - Legendado - Documentário

segunda-feira, 31 de março de 2014

Módulo 7 Unidade 1: As transformações das primeiras décadas do século XX

Inflação: alta geral de preços derivada de distorções existentes entre a procura dos produtos e a oferta de bens, a quantidade de moeda que circula e a produção/circulação de riquezas. Quando a oferta de bens não correspondente à procura dos compradores capazes de pagar, estes últimos, para conseguirem as mercadorias, sujeitam-se a pagar mais caro e fazem subir os preços. Em geral, a inflação tem origem na necessidade de criar meios de pagamento suplementares através, por exemplo, da emissão de papel-moeda. Tal pode ser devido, entre outros fatores, a um défice orçamental crónico ou a um aumento geral dos salários sem um correspondente aumento da produção.
 Marxismo-leninismo: desenvolvimento teórico e aplicação prática das ideias de Marx e Engels na Rússia por Lenine. Caracterizou-se por enfatizar: o papel do proletariado, rural e urbano, na conquista do poder, pela via revolucionária e jamais pela evolução política; a identificação do Estado com o Partido Comunista, considerado a vanguarda do proletariado; o recurso à força e à violência na concretização da ditadura do proletariado. Sovietes: conselhos de camponeses, operários, soldados e marinheiros da Rússia. Os primeiros sovietes, apenas com operários, remontam à Revolução de 1905 e foram instalados nas fábricas, como focos de ligação e dinamização dos grevistas. Contidos pelo fracasso do movimento, reapareceram em fevereiro de 1917. A Revolução bolchevista de outubro buscou nos sovietes a legitimação popular e fez deles a base da futura organização de Estado da URSS.
 Ditadura do proletariado: segundo a teoria marxista, é a etapa por que deve passar a revolução socialista antes da edificação do comunismo. A ditadura do proletariado surge para desmantelar a estrutura do regime burguês, possibilitando a supressão do Estado e a eliminação da desigualdade social. Comunismo: Etapa final para que caminha a revolução proletária. Caracteriza-se pelo desaparecimento das classes sociais, pela extinção do Estado e pela instauração de uma sociedade de abundância.
 Centralismo democrático: princípio básico que norteia a organização do Partido e do Estado comunista, segundo o qual todos os corpos dirigentes são eleitos de baixo para cima, enquanto as suas decisões são de cumprimento obrigatório para as bases.
 Anomia social: ausência de um conjunto de normas consistente e genericamente aceite pelo grupo social. A anomia pressupõe a fragilidade e a relativização dos valores que ditam a conduta dos indivíduos. É uma característica das sociedades atuais em que as mudanças rápidas impedem a consolidação de um código social rígido.
 Feminismo: movimento de contestação e luta empreendido pelas mulheres com vista ao fim da sua situação de dependência e inferioridade relativamente ao sexo masculino. As reivindicações do movimento feminista centram-se, pois, na igualdade (jurídica, social, económica, intelectual e política) entre os dois sexos. Relativismo: abordagem científico-filosófica que admite a impossibilidade do conhecimento absoluto e acredita que o conhecimento depende das condições do tempo, do meio e do sujeito que conhece. Psicanálise: ciência psicológica criada por Sigmund Freud que abarca um corpo doutrinal teórico (sobre o psiquismo), um método de pesquisa e um processo terapêutico. A psicanálise abriu à Psicologia um novo campo de fenómenos (o inconsciente), através do qual procura explicar comportamentos até aí tidos como inexplicáveis.
 Modernismo: movimento cultural das primeiras décadas do século XX que revolucionou as artes plásticas, a arquitetura, a literatura e a música, estendendo-se também às restantes manifestações culturais. O modernismo reivindica a liberdade de criação estética repudiando todos os constrangimentos, em especial os preceitos académicos.
 Vanguarda cultural: movimento inovador no campo artístico, literário ou em qualquer outra área da cultura que rejeita os cânones estabelecidos e antecipa tendências posteriores. Fauvismo: Corrente vanguardista, marcadamente francesa, iniciada em 1905 e liderada pelo pintor Henri Matisse. Defende o primado da cor na pintura e utiliza-a com total liberdade, em tons fortes e agressivos, negligenciando. Como grupo, os fauves tiveram uma curta duração, desmembrando-se por volta de 1908.
 Expressionismo: no sentido lato, designa as formas artísticas que tendem para a expressão subjetiva e emotiva. Num sentido restrito, designa uma corrente de vanguarda das três primeiras décadas do século XX, marcadamente alemã, que proclama como objetivo da arte a representação de emoções e insiste na escolha de temas fortes de índole psicológica e social.
 Cubismo: movimento artístico iniciado por Picasso e Braque, cerca de 1907, que rejeita a representação do objeto em função da perceção ótica e a substitui por uma visão intelectualizada globalizante de tipo geométrico. Distingue-se entre o cubismo analítico (até 1912 sensivelmente) e o cubismo sintético (de 1912 até meados dos anos 20).
 Abstracionismo: movimento artístico que rejeita o tema ligado à realidade concreta, à descrição do visível. A obra de arte abstrata procura uma linguagem universal capaz de superar as diferenças intelectuais e culturais dos espectadores.
 Futurismo: movimento artístico criado pelo escritor F. Marinetti em 1909. Caracteriza-se pela rejeição total da estética do passado e pela exaltação da sociedade industrial. Os futuristas nutrem particular admiração pela tecnologia moderna e pela velocidade.
 Dadaísmo: movimento de contestação artística que recusa todos os modelos plásticos e a própria ideia de arte. Nascido na Suíça, em 1916, o dadaísmo difunde-se internacionalmente e atinge o seu apogeu em frança, cerca de 1920. Verdadeiramente desconcertante e inovador, levando ao extremo a espontaneidade e a irreverência, Dada influenciou os mais importantes movimentos artísticos da segunda metade do século XX, como o Happening, a Pop Art e a Arte Conceptual. Diretamente, a via dadaísta desembocou, por intermédio de alguns dos seus membros (F.Picabia, Man Ray, Max Ernst, André Breton...) no movimento surrealista.
 Surrealismo: movimento estético iniciado em França, em 1924, que, tendo aparecido no campo da literatura, se estendeu rapidamente à pintura, à escultura e ao cinema. O movimento surrealista fez a apologia da arte como mecanismo de projeção do inconsciente, recorrendo aos mais diversos maeios para expressar a realidade interior do artista.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

O “triângulo” financeiro


«O estabelecimento do “triângulo” financeiro fora um dos elementos-chave da estabilização da Europa: os bancos norte-americanos emprestavam dinheiro à Alemanha e esta podia assim pagar as anuidades das reparações que devia – o que permitia à França reembolsar os Estados Unidos das suas dívidas de guerra. Se acrescentarmos que o défice do comércio dos países europeus só podia ser compensado por meio de outros empréstimos americanos, compreender-se-á que todo o equilíbrio económico do Mundo e, portanto, da Europa se baseava no constante fluxo de capitais entre os Estados Unidos e a Europa. A principal corrente desse fluxo circulava entre Nova Iorque e Berlim. Entre 1924 e 1929, a Alemanha recebeu perto de 2,5 mil milhões de dólares provenientes dos Estados Unidos, mais uma soma equivalente, emprestada pela Grã-Bretanha, a Suíça e a Holanda.»

 Jean Carpentier e François Lebrun (dir.), História da Europa, Ed. Estampa

 Explique, recorrendo ao documento, a hegemonia dos EUA sobre a Europa no período pós-1.ª Guerra Mundial.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Genocídio do povo Judeu- HOLOCAUSTO NAZI

“Os Judeus deverão ser concentrados em guetos nas cidades, a fim de melhor serem vigiados e, mais tarde, deslocados. (...) Foi emitida a seguinte ordem directiva geral: 1. Concentrar os Judeus nas cidades nos prazos mais curtos possíveis. 2. Expulsar os Judeus do Reich e enviá-los para a Polónia. 3. Enviar os ciganos também para a Polónia.”

 (Instruções do chefe da Polícia de Segurança)

Em Julho de 1941, são dadas as primeiras ordens para o extermínio das minorias, sobretudo os Judeus.
No entanto, é na Conferência de Wannsee, a 20 de Janeiro de 1942, realizada nos arredores de Berlim, que é definitivamente decidida a “solução final” (Endlösung): consistia na eliminação em massa de todos os Judeus nos países sob o domínio nazi.
 “A solução final do problema judeu na Europa deverá ser aplicada a cerca de 11 milhões de pessoas. (...) ... os judeus devem ser... Enquadrados em colónias de trabalho, os Judeus válidos, homens de um lado, mulheres de outro, serão conduzidos nestes territórios para construir estradas; uma grande parte deles ficará naturalmente eliminada pelo seu estado de decadência física. Os que restarem... (considerados) a parte mais resistente - deverão ter o consequente tratamento.”

 (Decisões da Conferência de Wannsee, 20 de Janeiro de 1942, relatadas por Heydrich)


“Aqueles que se consideravam bons para o trabalho eram enviados para o interior do campo. Os outros eram encaminhados para as instalações de extermínio. As crianças pequenas eram invariavelmente exterminadas, pois não serviam para o trabalho.”

 (Depoimento de R. Höess, comandante do campo de de Auschwitz, encarregado por Heydrich de aplicar a “solução final”, no Julgamento de Nuremberga)
“Quando instalei a câmara de extermínio de Auschwitz, a minha escolha incidiu no Zyklon B, ácido prússico cristalizado, que deixávamos cair por uma pequena abertura. Eram necessários três a quinze minutos para que o gás produzisse efeito. Nós sabíamos que as pessoas estavam mortas quando deixavam de gritar. Esperávamos cerca de meia hora antes de abrir as portas para levar os corpos. (...) Construímos câmaras de gás que podiam levar 200 pessoas de cada vez...”

(Depoimento de R. Höess, comandante do campo de de Auschwitz, encarregado por Heydrich de aplicar a “solução final”, no Julgamento de Nuremberga)

Leis de Nuremberga


O segundo movimento, iniciado em 1935, judaico consistiu na adopção das Leis de Nuremberga de modo a ser feita a “proteção do sangue e da honra alemães”.
Estas defenderam a proibição das misturas raciais entre Judeus e arianos, assim como a punição para os infractores (por exemplo: pena de prisão);
defenderam também que a nacionalidade alemã devia ser retirada aos Judeus.
“Art. 1 -
1) São proibidos os casamentos entre Judeus e cidadãos de sangue alemão ou aparentado. Os casamentos celebrados apesar dessa proibição são nulos sem qualquer efeito, mesmo que tenham sido contraídos no estrangeiro para iludir a aplicação desta lei.
 2) Só o procurador pode propor a declaração de nulidade.
Art. 2 - As relações extra-matrimoniais entre Judeus e cidadãos de sangue alemão ou aparentado são proibidas.
Art. 3 - Os Judeus são proibidos de terem em sua casa criados cidadãos de sangue alemão ou com menos de 45 anos.
Art. 4 -
1) Os Judeus ficam proibidos de içar a bandeira nacional do Reich e de utilizarem as cores do Reich.
 2) Mas são autorizados a enganarem-se com as cores judaicas. O exercício dessa autorização é protegido pelo Estado.
Art. 5 -
 1) Quem infringir o artigo 1º será condenado a trabalhos forçados.
 3) Quem infringir os artigos 3º e 4º será condenado à prisão que poderá ir até um ano e multa, ou a uma ou outra destas duas penas.
Art. 6 - O Ministro do Interior do Reich, com o consentimento do representante do Führer e do Ministro da Justiça, publicará as disposições jurídicas e administrativas necessárias à aplicação desta lei.”

(As leis de Nuremberga, 1935)

Nova ordem geográfica e política.


“Art. 42 – Fica interdito à Alemanha manter ou construir fortificações sobre a margem do Reno e sobre a margem direita numa extensão de 50 km. (...)
Art. 45 – Em compensação da destruição das minas de carvão situadas na bacia do Sarre (...) (a Alemanha cede à França a propriedade inteira e absoluta das minas de carvão situadas na bacia do Sarre. (...)
Art. 51 – Os territórios cedidos à Alemanha... (Alsácia e Lorena) são reintegrados na soberania francesa a datar no armistício de 11 de Novembro de 1918. (...)
Art. 87 – A Alemanha reconhece... a completa independência da Polónia. (...)
Art. 198 – As forças militares da Alemanha não deverão compreender nenhuma aviação militar nem naval.”

(Alguns extractos do Tratado de Versalhes)

Nova geografia política alemã após a primeira Guerra


“(...) (Na opinião alemã) a Alemanha não foi militarmente vencida (...); não foi invadida; foi vítima, antes de tudo, do bloqueio, meio de guerra desumano. (...) ... depois de lhe terem sido levadas as armas e os seus meios de defesa, os Aliados (...) isolaram os seus representantes em Versalhes (...) e impuseram à Alemanha, sob a ameaça de invasão, uma paz não livremente negociada, mas ditada, um diktat.”

(André François Poncet, embaixador francês em Berlim, 1948)

Pânico em Wall Street

Reportagem "Veja na História" sobre a crise de 29.
Ao final da reportagem tem um vídeo muito bom com as bem interessante com cenas da corrida às ações em Nova York e a perplexidade dos investidores depois da quebra. 

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

IMPERIALISMO E COLONIALISMO: CONFERÊNCIA DE BERLIM

O caso mais evidente de imperialismo e de colonialismo ocorreu relativamente à ocupação do continente africano. 
 Na Conferência de Berlim (1884-85), os chefes de Estado europeus repartiram entre si o território africano sem atender às fronteiras definidas pelos povos autóctones e impuseram o seu domínio a todos os níveis (económico, cultural, político, militar). Definiram que a colonização só poderia assentar no princípio da ocupação efectiva, isto é, já não bastava ter descoberto ou conquistado determinado território para ter direito a possuí-lo (direito histórico), era preciso que os países europeus mostrassem que eram capazes de 
"assegurar, nos territórios ocupados por eles no continente africano, a existência de uma autoridade suficiente para fazer respeitar os direitos adquiridos".

A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

O ambiente vivido antes da grande guerra: rivalidade económica e nacionalismos 
 No início do século XX, a Europa era um continente dividido e marcado por inúmeras rivalidades. 
Um dos principais motivos era a disputa das colónias. 
Em cada um dos principais países havia cenários diferentes: 
Grã-Bretanha - era detentora de um grande império colonial e possuía um regime parlamentar apoiado por uma burguesia industrial extremamente poderosa e influente; 
França - mantinha uma enorme rivalidade com a Alemanha, que nascera com a guerra Franco-prussiana em 1870/71. 
 Deste conflito resultou a vitória alemã e a perda da província da Alsácia-Lorena, uma importante fonte de matérias-primas industriais como carvão ou o ferro; 
Alemanha - era a maior rival da Grã-Bretanha em termos económicos. 
Detinham também um grande poder industrial e financeiro. Neste país havia um profundo movimento nacionalista que defendia uma vida militar assente no expansionismo do estado germânico; Austria-Húngria - a força do império Austro-húngaro assentava na organização e disciplina do seu exército, dominados por um monarca com um poder absoluto, o Imperador Francisco José; Balcãs - tornaram-se um autêntico barril de pólvora devido ao clima de tensão em que se vivia. 
Em 1908 a Áustria-Hungria conquistou a Bósnia-Herzegovina que pretendia seguir a sua política expansionista procurando garantir a submissão da Sérvia; 
Rússia - dominada pelo regime autoritário do czar Nicolau II, mantinha uma enorme rivalidade com a Áustria-Hungria pela posse da península Balcânica. 
 A política das alianças 
O clima de rivalidade económica no continente europeu conduziu a uma corrida ao armamento por parte das grandes potências. 
 A ameaça de confrontos levou à constituição de alianças militares, através das quais os países se comprometiam a auxiliar-se reciprocamente em caso de ataque inimigo. 
Assim, em 1882 foi formada a Tríplice Aliança, assinada pela Alemanha, Áustria-Hungria e Itália. 
Em 1907, formou-se a Tríplice Entente, constituída pela França, Grã-Bretanha e Rússia. 
 A Tríplice Aliança (a verde) e a Tríplice Entente (a cor-de-rosa) eram, assim, duas alianças militares e políticas opostas. 
 Esta política de alianças manteve uma relativa estabilidade no equilibro europeu, mas não evitou a corrida aos armamentos. 
Vivia-se nesta época um clima de paz armada, pois qualquer incidente poderia comprometer esse frágil equilibrado. 
 O início da grande guerra: atentado de Sarajevo 
No dia 28 de Junho de 1914, ocorreu um incidente que despoletou a I Guerra Mundial: o atentado de Sarajevo. Gavril Princip era um estudante, de nacionalidade sérvia e destacado dirigente de uma sociedade secreta de cariz nacionalista intitulada “MÃO NEGRA”, cujo principal objectivo era lutar contra a soberania austro-húngara. O arquiduque Francisco Fernando era o príncipe herdeiro da coroa austro-húngara. Juntamente com a sua esposa foi assassinado á queima-roupa por Gravil Princip em plena via publica após ter assistido a uma sessão solene no edifício Sarajevo. O imperador Austro-húngaro, Francisco José, não se conformou com a perda do seu herdeiro, exigiu explicações ao governo Sérvio, pois os seus conselheiros desconfiavam dos serviços secretos da Sérvia no atentado de 23 de Julho de 1914. Preocupados com o atraso da formalização da acusação a Gavril Princip, a Áustria-Hungria fez um ultimato à Sérvia, exigindo chamar a si as responsabilidades pela condução do inquérito do atentado. 
 Perante a recusa da Sérvia, no dia 28 de Julho a Áustria-Hungria declarou-lhe guerra. 
Dois dias depois, a Rússia, tradicional aliada da Sérvia entra em acção e declarou guerra à Áustria-Hungria. 
 Nos dois dias seguintes foram formadas as alianças militares sucedendo-se as declarações de guerra. 
Em Agosto de 1914, a Alemanha movimentou-se e invadiu a Bélgica e posteriormente a França. 
Iniciava-se assim a 1ª Guerra Mundial. 
 O primeiro conflito mundial 
Os países inicialmente envolvidos na guerra pensaram que esta iria ser curta: 
os Aliados (países da Tríplice Entente) contavam com a superioridade numérica dos seus efectivos; 
as Potências Centrais (Tríplice Aliança) confiavam na superioridade técnica do seu armamento. 
Numa primeira fase, os dois blocos confrontaram-se em três frentes: 
a frente ocidental, do Mar do Norte até à Suíça; 
a frente balcânica, do Mar Adriático ao Império Otomano (actual Turquia); 
a frente leste, que se estendia do Mar Báltico até ao Mar Negro. 
 A I Grande Guerra prolongou-se de 1914 até 1918, arrastando consigo 8 milhões de mortos e muita devastação. 
Dividiu-se em várias fases. 
 Primeira fase: Guerra dos Movimentos (1914-1915) 
Após as declarações de guerra da Alemanha à Rússia e a França a 1 e 3 de Agosto de 1914 respectivamente, a mobilização dos soldados alemães foi feita na presunção de que o conflito seria breve. 
O plano de ataque alemão baseou-se numa estratégia de ataque - surpresa com a intenção de invadir a França, passando primeiro pelo Luxemburgo e pela Bélgica. 
 Foi uma «Guerra-Relâmpago»: Os alemães avançaram fortemente na frente ocidental e a 6 de Setembro encontravam-se já a 60 Km de Paris. 
É então que se dá a Batalha do Marne, em que as tropas francesas lideradas pelo general Joffre conseguiram travar o avanço em massa dos Alemães, obrigando-os a recuar.
 Segunda fase: Guerra das Trincheiras (1915-1917) 
Para conservar as regiões ocupadas nas mais diversas frentes, os exércitos abriram trincheiras: longas valas rodeadas por arame farpado onde os soldados se protegiam. 
 Esta nova fase era marcada por condições muito duras: os soldados tinham que viver rodeados por más condições de higiene, ratos, lama, chuva e frio. 
Frequentemente, estavam sujeitos a ataques de artilharia e de gases asfixiantes. 
 A guerra das trincheiras prolongar-se-ia até 1917. 
Ao longo deste período, os avanços foram pouco significativos, mas travaram-se combates devastadores como a Batalha de Verdun em 1916 que resultou em 600 mil mortos. 
 Armas e outras tecnologias utilizadas Durante a 1ª Guerra Mundial foram utilizados pela primeira vez novos tipos de transportes e de armas. 
Quanto aos transportes, foram utilizados os tanques, os submarinos, os aviões e automóveis para o transporte dos soldados. 
Quanto às armas, foram utilizadas as metralhadoras, os canhões, gases asfixiantes (os quais podiam ser evitados através das máscaras de gás) e alguns novos explosivos. 
 Também foram utilizados alguns novos aparelhos úteis, tais como o telégrafo e o telefone, os quais serviam para a comunicação dos soldados. 
 Os diferentes sectores foram desenvolvidos para ajudar nas inúmeras despesas militares e, além disso, foram usadas algumas línguas globais para facilitar a comunicação entre os países aliados. 
A terceira fase: a entrada dos EUA 
Depois de uma fase de impasse, entramos na fase final da guerra. Esta fase ficou marcada pela entrada dos Estados Unidos e pela saída da Rússia. 
 No início do conflito os E.U.A. forneciam ao exército aliado, armamento, munições e alimento. 
Contudo a 6 de Abril de 1917 após o ataque de submarinos Alemães a navios Americanos, os E.U.A declararam guerra à Alemanha
 A entrada do EUA no conflito, trouxe uma nova motivação aos soldados aliados e contribuiu para desequilíbrios nas forças no campo da batalha devido ao grande poder financeiro e militar dos Americanos. 
 Portugal na I Guerra Mundial 
A I Guerra Mundial trouxe consequências nefastas para o nosso país, fazendo desacreditar o regime republicano. 
Estas fizeram-se logo sentir no início da Guerra, a moeda saiu de circulação e houve uma grande subida de preços. 
Como se não bastasse, Portugal via-se obrigado a participar na I Guerra Mundial, não só pela velha Aliança com a Inglaterra mas também para defender as suas colónias que começavam a ser atacadas pela Alemanha. 
 A participação na Guerra traria consequências irreversíveis para o nosso país, e disso ninguém tinha dúvidas, mas era também importante ficar ao lado da Inglaterra nas decisões pós-guerra, para poder preservar as suas colónias. 
 A incursão de Portugal na Guerra ocorre em Fevereiro de 1916 em que Portugal apodera-se dos navios alemães presentes nos seus portos. 
O nosso país junta-se aos aliados e em Janeiro de 1917, milhares de soldados são enviados para a frente francesa. 
 A 9 de Abril de 1918, em La Lys, os militares portugueses vêm-se esgotados e sem apoio frente a oito divisões alemães, o insucesso era óbvio e milhares de militares foram mortos ou feitos prisioneiros. 
 A Guerra termina e o Tratado de Paz fora assinado e Portugal permaneceria com a posse das suas colónias africanas, mas os danos provocados pela Guerra tinham sido irreparáveis. 
Agravara-se a situação económica, e isso levaria a uma maior agitação social, devido ao número de mortos, á falta de alimentos, à repressão de liberdades e ao ressurgimento de algumas ideologias monárquicas. 
 O fim da guerra 
A 11 de Novembro de 1918, é assinado o Armistício: a Alemanha rende-se. 
Em Junho de 1919, é assinado o Tratado de Versalhes onde se traça um novo mapa político. 
 Terminada a guerra, convocou-se para Janeiro de 1919, em Paris, uma conferência de paz com o objectivo de celebrar acordos e tratados com os países vencidos. 
O mais importante dos Tratados de Paz foi o Tratado de Versalhes, assinado no Palácio de Versalhes a 28 de Julho de 1919 e imposta aos países derrotados. 
A Alemanha foi obrigada a assinar este tratado e a aceitar cláusulas humilhantes, nomeadamente a redução das suas forças armadas a um pequeno exército defensivo, abandono de todas as suas colónias a favor dos Aliados, a restituição de Alsácia-Lorena à França e o pagamento de pesadas indemnizações de guerra. 
 De Versalhes resultou também a elaboração de um novo mapa político europeu. O Império Austro-húngaro foi desmembrado dando lugar ao aparecimento da Checoslováquia, da Hungria e da Polónia, saíram outros novos estados como a Jugoslávia, a Finlândia, a Letónia, a Lituânia e a Estónia. 
Politicamente assistiu-se a um regime de democracia parlamentar - sistema político em que o Parlamento, assembleia legislativa, onde se encontram representados as várias facções políticas, é o órgão principal. 
O governo assume perante o parlamento as suas responsabilidades. Da assinatura do tratado de Versalhes, para além do novo mapa político, determinou-se também a criação da Sociedade das Nações (SDN), com sede em Genebra. 
Dela faziam parte, inicialmente, os 32 países vencedores da guerra e os 13 neutrais. 
Este organismo internacional propunha-se a: 
assegurar a paz, resolvendo conflitos entre os Estados-membros através do diálogo e da diplomacia; 
promover a cooperação económica e cultural entre as nações.

OS NOVOS MÉTODOS DE RACIONALIZAÇÃO DO TRABALHO

As exigências de produzir mais e mais barato, para obter maiores lucros, levam à reorganização do trabalho e dos processos de fabrico. 
 Surgem as grandes linhas de montagem. 
 O Fordismo pretende aumentar a produção e diminuir os tempos mortos, aplicando dois métodos de trabalho novos à linha de produção: 
 Taylorismo segundo o qual o operário realiza apenas uma fase do processo de produção especializando-se num conjunto restrito de operações que realiza de forma automática e com grande destreza. Estandardização segundo o qual são utilizados componentes iguais em vários dos itens fabricados, no sentido de reduzir os custos de produção mantendo a diversidade de artigos produzidos mas utilizando alguns componentes iguais. 
 O Fordismo foi fortemente criticado no seu tempo sendo-lhe atribuídos grandes inconvenientes para o operário. 
Assim procurou-se compensar tais inconvenientes com o aumento do salário correspondente aos ganhos de produtividade e aumento de lucros resultantes deste novo sistema de produção.

DA RÚSSIA DOS CZARES À RÚSSIA DOS SOVIETES

A Rússia nas vésperas da Revolução. 
O “Domingo Sangrento” 
 No início do século XX, a Rússia era um extenso império territorial que se encontrava numa situação de atraso em relação às mudanças ocorridas nos países da Europa ocidental, devido a: uma monarquia absoluta, chefiada por um imperador, o czar, que concentrava em si todos os poderes; uma sociedade hierarquizada: a Igreja, a Coroa e os aristocratas possuíam a maioria das terras; os camponeses (cerca de 80% da população) trabalhavam nestas terras e viviam numa situação de miséria extrema; os operários (cerca de 3 milhões) levavam uma vida de miséria e a burguesia, minoritária, tinha pouco poder económico e político; uma agricultura arcaica de pouca produtividade que era, no entanto, a base da vida económica do país; uma industrialização incipiente, iniciada apenas no final só século XIX. 
Os principais centros de comércio localizavam-se nas grandes cidades (como Moscovo e São Petersburgo) pois não existiam boas vias de comunicação, de maneira a espalhar o comércio pelo país. A 22 de Janeiro de 1905 (9 de Janeiro pelo antigo calendário em vigor na Rússia nessa época),domingo, realizou-se uma manifestação em São Petersburgo, capital do império, para entregar ao czar no poder, Nicolau II, uma petição assinada por milhares de trabalhadores que reclamavam: a melhoria das condições de vida; o fim da censura; a constituição de um parlamento (Duma). 
 A guarda do czar, em resposta à manifestação, disparou sobre os manifestantes, matando milhares de trabalhadores. 
Este dia ficou conhecido como “Domingo Sangrento”. 
Em consequência, ocorreram várias greves e surgiram conselhos de operários, de camponeses e de soldados (os sovietes) que difundiam ideias revolucionárias. Os sovietes eram controlados pelo partido bolchevique, cuja chefia tinha sido confiada a Lenine, em 1903. Embora o czar tenha prometido a criação de uma Duma, a existência de partidos políticos e de uma constituição, os revolucionários organizaram uma greve geral em Novembro. 
Como resposta, os sovietes foram ilegalizados e os líderes da oposição, incluindo Lenine, foram presos e exilados. Das promessas do czar apenas se manteve a Duma, entre 1906 e 1917. 
Mas esta era controlada pelos aristocratas e pelo czar que tinha o poder de a dissolver. 
A participação da Rússia na I Guerra Mundial agravou a situação de miséria do seu povo, não só devido ao elevado número de mortos como também à escassez de alimentos e à subida dos preços. 
 A Revolução “Burguesa” e a Revolução Bolchevique 
 A crise económica e a agitação social foram aproveitadas pelas forças revolucionárias para divulgar as ideias liberais e socialistas, desencadeando manifestações e greves por todo o país. 
A 12 de Março (27 de Fevereiro) de 1917, milhares de manifestantes invadiram a sede da Duma em Petrogrado (São Petersburgo). 
Formaram-se dois comités: um constituído pelos deputados moderados da Duma e outro constituído pelos sovietes de Petrogrado. 
Este acontecimento ficou conhecido como Revolução “Burguesa”, Revolução Liberal ou Revolução de Fevereiro. 
 A 15 (2) de Março, o czarismo chegou ao fim: o czar Nicolau II abdicou e a Duma nomeou um governo provisório. 
Institui-se um regime liberal parlamentar. Porém, o novo governo começou logo a ser contestado pelo comité dos sovietes. 
Estes eram contra a intenção do governo de manter a Rússia na I Guerra Mundial e reclamavam a legitimidade para governar. Lenine, já regressado do exílio em Londres, defendia uma revolução que entregasse todo o poder aos sovietes. 
 De 6 a 8 de Novembro (24 a 26 de Outubro) deu-se a chamada Revolução de Outubro ou Revolução Bolchevique
A 7 de Novembro (25 de Outubro) a polícia militar bolchevique ocupou pontos estratégicos da cidade, prendeu os ministros do governo provisório e dissolveu a Duma. 
O poder governamental foi entregue, no dia 8 (26) ao Conselho dos Comissários do Povo, liderado por Lenine. 
Com esta Revolução iniciou-se um período de profundas transformações políticas. 
A Rússia transformou-se numa República Soviética, em que os sovietes tinham mais poder que a Assembleia Constituinte, saída das eleições. 
Entre as medidas que foram tomadas pelo governo bolchevique encontramos: 
paz imediata com a Alemanha (Tratado de Brest-Litovsk);
 abolição de toda a propriedade privada, como fábricas, terras e minas, que foram nacionalizadas sem o pagamento de indemnizações aos seus proprietários; 
requisição pelo Estado das colheitas agrícolas, exceptuando o indispensável para consumo próprio. 
 Lenine adotou, assim, as ideias marxistas e adaptou-as à realidade russa, surgindo, assim, o Marxismo-Leninismo. 
O seu objetivo imediato era a Ditadura do Proletariado, que seria uma fase de transição para o seu objetivo final – o Comunismo. 
No Comunismo o operariado seria a classe dominante e todo o poder da burguesia (capital, terras e fábricas) seria transferido para o Estado, sendo que este tinha de garantir o bem-estar de toda a população. 
 Do comunismo de guerra à NEP. 
A construção da URSS 
 As medidas tomadas por Lenine conduziram a Rússia a um período de guerra civil (1918-1920) entre os defensores do antigo regime (russos “brancos”), que contavam com o apoio de países como a França, a Grã-Bretanha e os EUA, que receavam a expansão das ideias revolucionárias, e os defensores do atual regime (russos “vermelhos”). 
 A guerra civil e a forte oposição externa levaram Lenine a radicalizar as suas posições, adotando um “comunismo de guerra” (1918-1921), tomando várias medidas, tais como: 
 a proibição de outros partidos políticos, além do Partido Comunista-Bolchevista; 
a instauração da censura; a constituição de uma polícia política – Tcheka; a perseguição, a prisão, a tortura e a morte dos adversários políticos. 
 A guerra civil terminou em 1920, com a vitória do Exército Vermelho (russos “vermelhos”) e arruinou o país. 
O “comunismo de guerra” contribui para aumentar o descontentamento da população, surgindo revoltas, greves e manifestações. 
Por isso, Lenine implantou a Nova Política Económica (NEP), retornando ao “capitalismo limitado por um tempo limitado”. Com a NEP, embora o Estado continuasse a controlar os principais sectores da economia, este permitia: pequenas unidades privadas de produção agrícola e industrial; a entrada de capitais e técnicos estrangeiros; alguma liberdade de comércio, como por exemplo, a venda livre de produtos agrícolas. 
Com a implementação da NEP, os níveis de produção aumentaram e, consequentemente, permitiu a melhoria das condições de vida da população e estabilidade política. 
Em 1922, para atrair os povos que tinham sido anexados à Rússia e que possuíam etnias, línguas, costumes e religiões diferentes para o “espírito bolchevista”, Lenine conseguiu que fosse aprovada a fundação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). A sua Constituição, aprovada em 1923, estabeleceu a Federação de Estados e reconheceu as diferentes nacionalidades e a diversidade cultural.

A CRISE DA MONARQUIA PORTUGUESA

No final do século XIX a vida urbana propiciava a proliferação das ideias republicanas e antimonárquicas, principalmente entre a burguesia urbana de Lisboa, Porto e Coimbra. 
Entre os factores que contribuíram para isso: 
 A vida dos cafés, a educação básica e os jornais tornaram a opinião pública muito informada e interventiva. 
 O rotativismo partidário entre os partidos do regime Regenerador e Progressista e a falta de soluções contribuíram para a falta de credibilidade do sistema monárquico liberal, havendo suspeitas de manipulação de resultados eleitorais. os governos e o rei passaram a ser muito criticados sendo cada vez mais frequente a censura ao regime. 
 A insatisfação e descontentamento populares eram grandes devido à crise económica e financeira que assolava o país. 
 Neste contexto surgiu o Partido Republicano em 1876 desenvolvendo uma propaganda antigovernamental e aproveitando todos os factos políticos e económicos que resultassem em argumentos que mobilizassem as populações e encontrassem eco nas suas reivindicações. 
 Em 1890 o episódio do Mapa Cor de Rosa e do Ultimatum deu argumentos à oposição para reclamar com violência contra o rei. Abandonando aos ingleses as pretensões de ocupação dos territórios do Chire o governo português deu argumentos aos republicanos para desenvolverem uma série de acções populares de protesto contra o rei e os interesses ingleses. 
Um ano depois em 31 de Janeiro de 1891 deu-se a primeira revolta republicana em Portugal. O ambiente de contestação e de quase estado de sitio fez com que o rei visse a sua autoridade posta em causa sendo obrigado a tomar medidas de reforço do seu poder: Convidou o politico João Franco para primeiro ministro dissolveu o Parlamento em 1907 e deu a João Franco poderes de ditadura. O sentimento antimonárquico tornou-se muito forte levando a Carbonária a organizar um atentado contra o rei em 1908, o regicídio, no qual faleceu também o príncipe herdeiro Luís Filipe.




 D. Manuel tornou-se o último rei de Portugal como D. Manuel II. Sem conseguir resolver os problemas nacionais governou em contestação quase permanente sendo deposto em 5 de Outubro de 1910 juntamente com sua mãe D. Amélia.

sábado, 28 de dezembro de 2013

DITADURA MILITAR E ESTADO NOVO

Portugal também passou por uma experiência autoritária. 
Em consequência da crise e falência da 1ª República, o golpe de 28 de maio de 1926 foi bem acolhido e, depois de sete anos de ditadura militar, o regime evoluiu para uma ditadura política com a ascensão de Oliveira Salazar. 
Estado Novo foi o nome assumido pelo Estado autoritário português inspirado na ideologia fascista. 
 O fascismo português assumiu todas as características do modelo italiano, em especial do corporativismo, que levou ao extremo. 
Mas a sua inspiração totalitária também estava presente no seu carácter conservador, nacionalista, antiparlamentar, autoritário, dirigista e repressivo, bem como no culto da personalidade de Salazar. 
 Também à semelhança dos totalitarismos europeus, Salazar submeteu a atividade económica aos interesses superiores do Estado. 
A estabilidade financeira, conseguida pela diminuição das despesas e o aumento das receitas, e a neutralidade na Segunda Guerra Mundial, constituíram a base do "milagre" salazarista. 
 Mas os diversos setores económicos não foram descurados. Em conformidade com o seu carácter ruralista e respondendo aos interesses dos grandes proprietários agrícolas, dedicou particular atenção ao fomento da agricultura. 
A indústria manteve-se fortemente condicionada pelo débil desenvolvimento das infraestruturas e pela excessiva presença do Estado a impedir a liberdade dos agentes económicos. 
A partir dos anos 50, todavia, pode falar-se de um relativo surto industrial como forma de consolidar a autarcia económica. 
 A construção de grandes obras públicas, como forma de dar uma imagem nacional e internacional de modernização de Portugal e, ao mesmo tempo, resolver o problema do desemprego, acabou por constituir o grande legado do Estado Novo. 
 As colónias, enquanto elemento fundamental na política de nacionalismo económico e meio de fomento do orgulho nacionalista, foram reintegradas plenamente na soberania nacional com a publicação do Ato Colonial, de 1930, e motivaram a realização de amplas campanhas tendentes a propagandear, interna e externamente, a mística do Império Português.

A GRANDE DEPRESSÃO




Depois de ver o vídeo, responda às seguintes questões sobre a Grande Depressão dos anos 30. 

1) Explique o crash bolsista de 1929. 
2) Relacione o crash com a depressão económica e o desemprego que afetaram os anos 30. 
3) Justifique a persistência da conjuntura deflacionista.