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quarta-feira, 31 de julho de 2013

A CONSTRUÇÃO DO MODELO SOVIÉTICO: PROBLEMAS E SOLUÇÕES

A CONSTRUÇÃO DO MODELO SOVIÉTICO: PROBLEMAS E SOLUÇÕES
As opções de Lenine: Mais vale menos, mas melhor (1923)

“Há cinco anos que nos esforçamos para aperfeiçoar o nosso aparelho de Estado. […] É necessário adotar esta regra: mais vale menos, mas melhor. […]
Por que não […] admitir uma fusão do organismo de controlo do Partido com o do Estado? Por mim, não veria nisso nenhum inconveniente. Pelo contrário, creio que esta fusão é a única garantia de uma atividade fecunda. […]
O traço mais característico da nossa atual situação é o seguinte: destruímos a indústria capitalista, esforçámo-nos por destruir completamente as instituições medievais, a propriedade senhorial e, com base nisto, criámos o pequeno e o muito pequeno campesinato, que seguem o proletariado, confiantes nos resultados da sua ação revolucionária.
No entanto, não é fácil mantermo-nos, até à vitória da revolução socialista nos países
desenvolvidos, apoiados apenas nesta confiança. Não é fácil, porque o pequeno e o muito pequeno campesinato permanecem […] num nível extremamente baixo de produtividade de trabalho.
Além disso, a situação internacional faz com que a Rússia tenha sido lançada para um plano secundário; faz com que, globalmente, a produtividade do trabalho nacional seja hoje sensivelmente mais baixa, no nosso país, do que antes da guerra. As potências capitalistas da Europa Ocidental […] fizeram o possível por nos afundar, por aproveitar a guerra civil na Rússia, para arruinar ao máximo o nosso país. […]
Que táctica é que este estado de coisas impõe ao nosso país? […] O que nos interessa é a táctica que nós, Partido Comunista da Rússia, nós, poder dos Sovietes da Rússia, devemos seguir para impedirmos que os Estados contrarrevolucionários da Europa Ocidental nos esmaguem. Devemos procurar construir um Estado em que os operários conservem a sua direção sobre os camponeses.
[…]. Devemos procurar o máximo de eficácia no nosso aparelho de Estado. Devemos expurgá-lo dos excessos deixados pela Rússia czarista no seu aparelho capitalista e burocrático. […]
Se conservarmos a direção da classe operária sobre o campesinato e se economizarmos na gestão do nosso Estado, poderemos empregar até a mais pequena poupança para desenvolvermos a nossa grande indústria mecanizada […].”

Lenine, «Mais vale menos, mas melhor», Pravda, n.º 49, Março, 1923

1. Enuncie, com base no documento, as transformações económicas promovidas pelo Estado soviético, no sentido da implantação do socialismo, desde a revolução de Outubro de 1917 até à data do documento.
2. Identifique os problemas internos e externos com que, segundo o documento, se defrontou a Rússia soviética.
3. Justifique, de acordo com os objectivos de Lenine expressos no texto, as soluções por ele preconizadas para a reorganização do aparelho de Estado.


As transformações económicas promovidas pelo Estado soviético, no sentido da implantação do socialismo.
Transformações:
– nacionalização da grande indústria;
– abolição da grande propriedade fundiária e redistribuição da terra;
– fim da dependência dos camponeses em relação aos proprietários da terra.
Problemas internos:
– baixa produtividade rural;
– diminuição da produtividade global do trabalho, relativamente aos níveis atingidos antes da Primeira Guerra Mundial;
– guerra civil;
– permanência da burocracia czarista.
Problemas externos:
– apoio das potências capitalistas da Europa Ocidental às forças contra-revolucionárias durante a guerra civil;
– isolamento internacional da Rússia soviética

Soluções:
– controlo do Partido Comunista Soviético sobre o aparelho de Estado;
– liderança operária;
– eliminação da burocracia czarista;
– maior economia na gestão do Estado.
Objectivos:
– defesa da Rússia perante os ataques contra-revolucionários dos países capitalistas da Europa Ocidental;
– garantia do avanço do processo revolucionário;
– obtenção de eficácia no aparelho de Estado;
– desenvolvimento industrial.

Três pancadas à porta da Europa dos Nove (1977) e Discurso de Giulio Andreotti* na cerimónia de adesão de Portugal à CEE (Junho de 1985)

Três pancadas à porta da Europa dos Nove (1977)
A opinião de um jornalista

Atenas, Lisboa e Madrid empurram com toda a força a sua candidatura à CEE […].
Mário Soares, em visita às capitais europeias desde Fevereiro, sabe que o seu dossiê é mau: 10% de desemprego, enorme endividamento público, reservas que se derretem. Estima-se que só o investimento estrangeiro e o crédito [...] podem inverter a situação.
É precisamente isso o que os Portugueses pedem a Bruxelas. Sousa Franco, do Partido Social--Democrata, declara:
«É preciso rejeitar as afirmações segundo as quais, tecnicamente, a nossa adesão não é possível nem hoje nem amanhã. [...] A CEE quer ajudar os países mais pobres, ou fechar-se sob a capa, egoísta e caduca, do livre-cambismo sem solidariedade? Eis a questão.»

 O. Lorsignol, «Trois coups frappés à la porte des neuf», Vision, n.º 76, Março, 1977


Discurso de Giulio Andreotti* na cerimónia de adesão
de Portugal à CEE (Junho de 1985)

“Esta adesão contribui para uma maior coincidência entre a Europa geográfica e a Europa política e institucional; e ao mesmo tempo prova, mais uma vez, que a adesão à Comunidade Europeia é o corolário da reconquista dos valores inerentes a uma democracia pluralista. […]
Quando este país se candidatou à Comunidade Europeia, em 1977, razões políticas fundamentais tais como a consolidação de uma democracia que, ainda no berço, tinha sido ameaçada de regressão – pareciam impor a resposta positiva da Comunidade. Hoje, quando – no fim de um longo processo de negociações – Portugal se torna membro de uma Comunidade a Doze, podemos dizer que foram os Portugueses que aceleraram, pelas suas próprias mãos, as salvaguardas democráticas.
Verificamos, com efeito, que o Estado democrático português é sólido e que a sua contribuição para a família democrática europeia é segura.
Pela sua parte, a Comunidade está em condições de proporcionar a Portugal uma nova dimensão política e económica, na qual poderá encontrar o lugar que lhe pertence pela sua história, a sua cultura e as suas tradições.
Assim, os laços históricos, culturais e económicos de Portugal com a América Latina, a África e mesmo a Ásia representam um contributo importante à acção que a Comunidade empreendeu para criar, sobretudo nas zonas onde reina uma tensão internacional importante, as condições necessárias a novos equilíbrios e a novas oportunidades de paz.”

*Presidente do Conselho de Ministros Europeus, à data do discurso.

G. Andreotti, Bulletin des Communautés Européennes, n.º 6, Junho, 1985

1. Explicite as razões que conduziram à aceitação pela CEE, na década de 80 do século XX, dos novos países membros
2. Identifique, com recurso ao documento, os problemas económicos que Portugal esperava resolver com a sua adesão à CEE.
3. Justifique a confiança que o autor do documento  deposita na democracia portuguesa
4. Analise a evolução das relações externas portuguesas, no período de 1974 a 1986.
– a concretização da opção europeia e atlântica.

Razões:
– reforço geoestratégico da Comunidade pelo alargamento aos novos países da Europa do Sul – Grécia, Portugal e Espanha (doc. 4);
– solidariedade da Europa comunitária com os países mais pobres ;
– consolidação da democracia pluralista nos três países ;
– relevância das relações externas portuguesas para a acção da Comunidade no Mundo.

Problemas:
– elevada taxa de desemprego;
– dívida pública elevada;
– redução progressiva das reservas financeiras;
– falta de investimento;
– desfasamento da economia portuguesa relativamente aos padrões de desenvolvimento dos países da Comunidade.
– dificuldades de instauração da democracia em Portugal, no período revolucionário, mas opção final pela democracia pluralista, saudada pela Comunidade Europeia.
Razões justificativas:
– consagração do regime democrático em Portugal com a promulgação da
Constituição de 1976 e a revisão constitucional de 1982;
– apaziguamento dos conflitos políticos e sociais do período revolucionário;
– normal funcionamento das instituições democráticas.

A concretização da opção europeia e atlântica
Clarificação da política externa, no período constitucional:
– assunção de Portugal como país ocidental, simultaneamente europeu e atlântico; reforço das relações bilaterais com os EUA – renovação do Acordo das Lajes – e da participação de Portugal na NATO ;
– pedido de adesão à CEE e posterior integração, opção estratégica fundamentada na necessidade de consolidar a democracia pluralista e de garantir a modernização e o desenvolvimento económico com a ajuda comunitária.

Complementaridade das vertentes europeia e atlântica – valorização da posição de Portugal na CEE e no Atlântico Sul, como intermediário privilegiado entre a Europa e os países de expressão portuguesa.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Derrota os brancos com a cunha vermelha:cartaz de Lazar Lissitzky (1919)

Doc
Derrota os brancos com a cunha vermelha cartaz de Lazar Lissitzky (1919)
Identifique três das características do modernismo presentes no documento 
Na resposta, são identificadas claramente três das seguintes características do modernismo
presentes no documento 2:
• inovação na construção do objeto artístico OU liberdade de criação estética OU recusa do academismo
e das regras da pintura convencional;
• uso de formas geométricas simples OU de linhas retas, de círculos, de triângulos e de retângulos;
• recusa da figura e do objeto OU linguagem estética predominantemente abstrata e racional;
• recusa de qualquer noção de subjetividade (OU de emotividade na arte) OU pintura baseada na
composição pura de elementos pictóricos;
• ausência de perspetiva OU valorização da bidimensionalidade OU ausência de simetria;
• jogo de cores: quente e primária (vermelho), com cores neutras (preto, cinza e branco);
• introdução de palavras na composição como forma de descodificação imediata da mensagem OU
atribuição de valores ideológicos às linhas, às cores e às figuras geométricas;
• comprometimento com as questões sociais e políticas da época OU intencionalidade de mobilizar e
de incentivar à vitória as forças do Exército Vermelho OU de exprimir apoio à revolução bolchevique
durante a guerra civil russa;
• tendência de pintura de vanguarda com linguagem estética ligada ao abstracionismo geométrico OU
ao suprematismo.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Prova Escrita de História A- 2013 - 2ª Fase- :OS EUA E A REPÚBLICA POPULAR DA CHINA NO MUNDO ATUAL

OS EUA E A REPÚBLICA POPULAR DA CHINA NO MUNDO ATUAL
Declarações do presidente Clinton* em Pequim (27 de junho de 1998)

Falo-vos hoje de Pequim. Em apenas dois dias, vi uma parte da riqueza histórica e das
notáveis mudanças que estão a ocorrer na China, pátria de quase um quarto da população
mundial.
A China é a civilização mais antiga da Terra. Na sexta-feira, vi a velha e a nova China, desde
os magníficos guerreiros de terracota esculpidos por artesãos mais de 2000 anos antes da
fundação da América, até ao início da democracia numa aldeia próxima, cujos residentes vão
brevemente realizar eleições.
Emocionei-me com a calorosa receção que me foi dispensada, assim como à minha família
e aos membros do Congresso que viajam connosco. Dezenas de milhares de famílias chinesas
alinharam-se nas ruas para nos cumprimentarem. Para todas estas pessoas, a China está a
mudar. Vejo telemóveis, beepers, novos edifícios de escritórios.
A China já não é o país que era quando o presidente Nixon** aqui veio pela primeira vez,
há 26 anos. Nunca antes tiveram tantos chineses a oportunidade de iniciarem negócios; de
arrancarem as suas famílias à pobreza; de escolherem os locais para viver, trabalhar, viajar;
de tirarem proveito dos frutos do seu trabalho. Mas também há resistência à mudança, um
legado da História, que nem sempre tem sido bondosa para o povo chinês, o que deu origem
a um profundo receio de instabilidade. Hoje, em Pequim, vou reunir-me com líderes chineses
para falarmos sobre o futuro dos nossos dois países, e a relação entre nós é fundamental para
a existência, no próximo século, de um mundo pacífico, estável e próspero. Falámos já sobre
os interesses mútuos dos Estados Unidos e da China: a promoção da paz na Coreia, onde
40 000 soldados norte-americanos ainda arriscam as suas vidas a patrulharem a última
fronteira da Guerra Fria; a prevenção de uma corrida às armas nucleares por parte da Índia
e do Paquistão; [...] a interrupção da expansão de armas nucleares, químicas e biológicas e
dos respetivos mísseis de lançamento; o combate ao crime internacional [...] e a abertura do
comércio.
Também falámos abertamente sobre as nossas diferenças, especialmente no que diz
respeito aos direitos humanos. No último ano, assistimos a algum progresso, ainda que
largamente insuficiente, nesta área. Alguns dos mais famosos prisioneiros políticos da China
foram libertados, mas outros ainda continuam privados de liberdade. O governo está a afrouxar
o seu controlo sobre muitos aspetos da vida quotidiana mas, ainda assim, as pessoas não
têm total liberdade de reunião, liberdade de imprensa, liberdade de expressão, liberdade de
religião [...].
No decurso desta viagem, darei relevo aos direitos humanos e tentarei explicar como a
liberdade tem estado no centro do sucesso e da prosperidade norte-americanos. Argumentarei
que, nesta era global de informação, em que o sucesso económico se constrói com base nas
ideias, a liberdade individual é necessária à inovação e à criatividade, suportes da grandeza
de qualquer nação moderna. [...]
A China, com a maior população do planeta, com um lugar permanente no Conselho
de Segurança das Nações Unidas e com uma economia cada vez mais ligada à nossa, é
importante para o nosso futuro. Sem a China será difícil enfrentar, com sucesso, os desafios
que nos afetam a todos.

* Presidente dos EUA (1993-2001).
** Presidente dos EUA (1969-1974).

1. Explique, a partir do documento, três das características da economia chinesa que levaram o presidente Clinton
a afirmar: «A China já não é o país que era quando o presidente Nixon aqui veio pela primeira vez» (linha 12).

2. Refira três das prioridades da política externa dos EUA enunciadas pelo presidente Clinton.

1.Na resposta, são explicadas claramente, a partir do documento, três das seguintes
características da economia chinesa que levaram o presidente Clinton a afirmar: «A China já
não é o país que era quando o presidente Nixon aqui veio pela primeira vez»:
•• mudanças introduzidas por Deng Xiaoping: conciliação do carácter socialista do regime com práticas
capitalistas OU socialismo de mercado OU política de «um país, dois sistemas»;
•• abertura de Zonas Económicas Especiais (ZEE), com legislação favorável aos negócios OU abertura
à instalação de empresas multinacionais e ao comércio externo OU abandono da autarcia e abertura
ao comércio internacional – «uma economia cada vez mais ligada» à dos EUA (doc.);
•• descoletivização de terras, entregues em regime de arrendamento aos camponeses, que passaram a
poder comercializar livremente os excedentes OU dinamização do mercado interno, pelo que «nunca
antes tiveram tantos chineses a oportunidade de iniciarem negócios […]; de tirarem proveito dos
frutos do seu trabalho» (doc.);
•• substituição da prioridade atribuída à indústria pesada em favor dos produtos de consumo e do
desenvolvimento da tecnologia, incluindo «telemóveis, beepers» (doc.);
•• integração nos circuitos económicos mundiais (FMI OU Banco Mundial OU GATT) e inter-regionais
(APEC) OU liberalização do sector financeiro, com a abertura da bolsa de valores de Xangai;
•• abundância e mobilidade da mão de obra: deslocação de milhões de camponeses para as cidades,
pois «nunca antes tiveram tantos chineses a oportunidade […] de escolherem os locais para viver,
trabalhar» (doc.);
•• integração de Hong Kong e de Macau na soberania chinesa, como regiões económicas e
administrativas especiais, com forte crescimento assente no turismo OU no jogo (OU outro exemplo).
2.Na resposta, são referidas claramente três das seguintes prioridades da política externa dos
EUA enunciadas pelo presidente Clinton:
•• estreitamento das relações com a China, considerando os «interesses mútuos» OU o seu papel político,
«com um lugar permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas» OU o seu potencial
humano e económico: «A China, com a maior população do planeta [...] e com uma economia cada
vez mais ligada à nossa, é importante para o nosso futuro»;
•• valorização dos direitos humanos como base «do sucesso e da prosperidade norte-americanos» OU
como «suportes da grandeza de qualquer nação moderna»;
•• defesa dos direitos humanos em todos os locais em que não sejam respeitados, incluindo na China;
•• prevenção da corrida aos armamentos, em particular em regiões de forte tensão internacional, como
«Índia e Paquistão» OU adoção de medidas que inviabilizem a «expansão de armas nucleares,
químicas e biológicas e dos respetivos mísseis de lançamento»;
•• resolução do problema da Coreia, dividida, «onde 40 000 soldados norte-americanos ainda arriscam
as suas vidas a patrulharem a última fronteira da Guerra Fria»;
•• cooperação no âmbito de grandes problemas transnacionais, como «o combate ao crime
internacional».

Prova Escrita de História A- 2013 - 2ª Fase- : Discurso de Lenine (1918)

 A República Soviética está cercada por inimigos. Mas ela vencerá os inimigos externos e internos. [...] Os inimigos externos da República Socialista Soviética da Rússia são o imperialismo anglo-francês e o imperialismo nipónico-americano, que atacam a pacífica Rússia de modo brutal [...]. Querem restaurar o poder dos latifundiários e dos capitalistas na Rússia [...]. Os operários de Petrogrado e de Moscovo levantam- -se cada vez com maior unidade, [...] em massas cada vez maiores. Nisso reside a garantia da nossa vitória. Os abutres capitalistas, [...] ao lançarem-se na campanha contra a pacífica Rússia, contam ainda com a sua aliança com o inimigo interno do Poder Soviético. São os capitalistas, os latifundiários, os kulaks , [...] que odeiam o poder dos operários e dos camponeses [...]. Uma onda de insurreições kulaks atravessa a Rússia. [...] Estes bebedores de sangue lucraram com as necessidades do povo durante a guerra, acumularam milhares de rublos, elevando os preços dos cereais. [...] Ódio e desprezo pelos partidos que os defendem: os socialistas revolucionários de direita, os mencheviques e os atuais socialistas revolucionários de esquerda! Os operários devem esmagar com mão – de ferro as insurreições dos kulaks .

Discurso de Lenine (1918)

Explique, com base nos documentos 1 e 2, três das dificuldades vividas na Rússia após a Revolução de
Outubro.


Na resposta, são explicadas claramente, com base nos documentos 1 e 2, três das seguintes dificuldades vividas na Rússia após a Revolução de Outubro:
•• resistência dos camponeses abastados (OU kulaks) (doc. 1) à proibição do comércio livre e à imposição da venda de produtos a preços fixados pelo Estado;
•• oposição interna dos grandes proprietários e dos empresários capitalistas (doc. 1) aos decretos sobre a expropriação da grande propriedade e sobre o controlo operário;
•• forte oposição dos restantes partidos políticos russos ao projeto bolchevique OU à instauração da ditadura do proletariado (doc. 1);
•• guerra civil entre o Exército Branco, constituído pelos opositores internos ao bolchevismo, e o Exército Vermelho, em luta pela defesa da Revolução de Outubro (docs. 1 e 2);
•• apoio ao Exército Branco, durante a guerra civil, por parte das potências capitalistas da Europa Ocidental, dos EUA e do Japão (doc. 1), receosos da propagação do bolchevismo;
•• ameaças à sobrevivência da revolução, exigindo campanhas de propaganda e de mobilização do proletariado (docs. 1 e 2).

terça-feira, 23 de julho de 2013

Preparar o exame nacional de história

Pois bem caríssimos, o ano letivo chegou ao fim.
Etapa seguinte … os exames!
 Nesta altura, não poderia deixar de vos aconselhar a reler, com particular atenção, todos os conteúdos de aprofundamento e os conceitos estruturantes fixados nos módulos 7, 8 e 9 (do Programa do 12.º ano). Algumas questões requerem o estabelecimento de inter-relações de um ou mais módulos, por isso não devem descuidar o estudo dos restantes. ~
Algumas dicas:
 Façam um plano de estudo.
Leiam os conteúdos, sublinhem e revejam as anotações.
Organizem a informação através de esquemas ou sínteses e interrelacionem essas informações.
Resolvam os testes, exercícios e os exames dos anos anteriores.
Explorem os documentos e usem-nos

 Bom estudo!

Preparar o exame nacional




terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

CONTEÚDOS PARA EXAME

Conteúdos
Relativamente aos conteúdos, o Programa da disciplina acentua a importância da história de Portugal e da história contemporânea na formação do aluno e define globalmente uma orientação metodológica que implica a progressiva construção do saber histórico.
A prova incide nos conteúdos de aprofundamento e nos conceitos estruturantes fixados nos módulos do último ano curricular do programa de História A.
Poderão ser requeridas articulações entre estes conteúdos e estes conceitos e os restantes sempre que
a orientação fixada nos módulos o exija.
Assim, são objeto explícito de avaliação os conteúdos de aprofundamento dos módulos 7, 8 e 9 do Programa de História A.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Parecer sobre a Prova escrita de História A, 12º ano de Escolaridade


Parecer sobre a Prova escrita de História A, 12º ano de Escolaridade
Prova 623/1ª Fase; 2012
Uma prova de História de final do ensino secundário deve ser uma prova exigente, que
teste não apenas os conhecimentos adquiridos pelos alunos, mas também as suas
competências históricas, desenvolvidas ao longo dos três anos que constituem este ciclo
de ensino. Entre estas competências, contam-se a capacidade crítica e a capacidade de
refletir sobre determinados acontecimentos e processos, partindo da análise de
documentos variados e, por vezes, contraditórios.
Neste sentido, considera a APH que a prova de História A do 12º ano é uma prova
equilibrada em termos cronológicos e quanto aos conteúdos escolhidos, abrangendo três
momentos fundamentais da História contemporânea, mundial e nacional (Revolução
Soviética, Estado Novo, Globalização e Problemas Transnacionais).
A mudança, conceito de segunda ordem, constitui a linha condutora da prova, estando
presente nos três grupos que a constituem.  Paralelamente, a prova estabelece uma outra
linha condutora entre os dois primeiros grupos  - o impacto económico e social de
determinadas políticas levadas a cabo por regimes totalitários de esquerda e de direita.
Consideramos que a existência destas ligações entre grupos e questões é importante, já
que evita, de alguma forma, a dispersão na reflexão de quem está a resolver a prova.
Consideramos as questões colocadas como adequadas aos documentos fornecidos,
existindo também uma preocupação em apresentá-los de vários tipos - encontramos na
prova documentos escritos, imagens e gráfico. Neste ponto, o único senão é o facto de
todos eles serem fontes primárias, não existindo nenhuma reflexão historiográfica sobre
os temas em análise.
Consideramos positiva a introdução de dois documentos com perspetivas contrárias
(documentos 3 e 4 do grupo II), apesar de considerarmos que se poderia ter ido um pouco
mais longe - para quando a introdução da multiperspetiva?
Quanto aos critérios de classificação, consideramos que foi feito um grande esforço nesse
sentido. São suficientemente variados para cobrirem a grande maioria das hipóteses de
resposta, facilitando o trabalho dos professores classificadores, eliminando algumas
possíveis injustiças e assim estabelecendo uma maior equidade entre todos ao alunos
sujeitos a esta prova.
A Direção da APH

Parecer sobre a Prova escrita de História A, 12º ano de Escolaridade
Prova 623/2ª Fase; 2012
A APH  considera  que a prova de História A do 12º ano é uma prova
equilibrada em termos cronológicos e quanto aos conteúdos escolhidos,
abrangendo três momentos fundamentais da História contemporânea, mundial e
nacional (Portugal e o mundo após a Primeira guerra Mundial,  O mundo
capitalista ocidental da Segunda Guerra Mundial à atualidade, o 25 de abril e as
opções da política externa portuguesa).
Mais uma vez se verifica, à semelhança da Prova de História A da 1ª fase,
que a prova possui uma lógica interna, conseguida através da existência de uma
linha condutora,  marcada pelos conceitos de rutura  e de mudança.  Neste caso
particular, mudanças ocorridas no mundo e em Portugal após os momentos de
rutura que são as duas guerras mundiais e a revolução do 25 de abril de 1974.
Consideramos, como já o fizemos para a prova da 1ª fase, que a existência
destas ligações entre grupos e questões é importante, já que evita, de alguma
forma, a dispersão na reflexão de quem está a resolver as provas.
Consideramos as questões colocadas como adequadas aos documentos
fornecidos, existindo também uma preocupação em apresentá-los de vários tipos -
encontramos na prova documentos escritos, imagens e  tabela. Neste ponto, o
único senão é o facto de todos eles serem fontes primárias, não existindo nenhuma
reflexão historiográfica sobre os temas em análise.
Consideramos positiva a introdução de dois documentos com perspetivas
contrárias (documentos 3 e 4 do grupo II).
Quanto aos critérios de classificação,  a nossa reflexão é idêntica à que
efetuámos para a prova da 1ª fase.
A Direção da APH

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

CRITÉRIOS DE CLASSIFICAÇÃO DA PROVA


Todas as respostas são analisadas, considerando os seguintes aspectos:
-relevância relativamente à questão formulada no item;
 -forma como a fonte é explorada, sendo valorizada a interpretação e não a mera paráfase; 
-correção na transcrição de excertos das fontes e pertinência desses excertos como suporte de argumentos;
-mobilização de informação circunscrita ao assunto em análise; 
-domínio da terminologia específica da disciplina.
DICAS PARA A REALIZAÇÃO DO TESTE
1- LER. Deve perder tempo a ler o teste integralmente, nunca tente responder a questões sem primeiro perceber oque é que se pretende.
2- TEMPO. Reparta o tempo disponível pelo número de questões do teste, reservando um pouco mais para aquelas que considerar mais difíceis.
3- FÁCIL. Comece por responder às questões que considerar mais fáceis.
4- ESQUEMA. Nunca deixe a folha de rascunho em branco. Faça um esquema da resposta com os tópicos da pergunta.
5- ORDENADO. Uma boa maneira para evitar “andar em círculos”, repetindo a mesma ideia vezes sem conta é estruturar bem a resposta em três partes: introdução, desenvolvimento e conclusão. Escreva tudo.
6- BEBER AS FONTES (DOCUMENTOS). O esquema de resposta deverá incluir sempre as conclusões da analise dos documentos, contextualizar, temporal, e espacialmente, bem como os conceitos fundamentais.
7- ESCREVER. É preciso ir com calma. Atenção aos erros ortográficos. Tais como os nomes de líderes políticos tratados, conceitos e lugares corretos.
8- RELER. A leitura final do teste, antes de o entregar, deve ser feita pausadamente e com objetivo de detetar lacunas de informação e de melhorar a expressão escrita.

sábado, 1 de setembro de 2012

MÓDULO 9: RESUMOS


O fim do sistema internacional da Guerra-fria e a persistência da dicotomia Norte-Sul 
O fim do modelo soviético.
No curto espaço de tempo que vai de 1985 a1991, a história mundial sofreu modificações profundas: a guerra-fria terminou de forma inesperada, as democracias populares europeia aboliram o comunismo, as duas Alemanhas fundiram-se num só estado e a URSS desintegrou-se, deixando os EUA sem concorrente ao lugar de superpotência mundial.
Uma nova política. Gorbatchev encara de frente a deterioração que o sistema vinha a sofrer desde os tempos de Brejnev.
 Enquanto o nível de vida da população baixava, o atraso económico e tecnológico, relativamente aos EUA, crescia a olhos vistos, e só com muitas dificuldades o país conseguia suportar os pesados encargos decorrentes da sua vasta influência no mundo.
Neste contexto, Gorbatchev enceta uma politica de diálogo e aproximação do ocidente, propondo aos americanos o reinício das conversações sobre o desarmamento.
O líder soviético procura, assim, criar um clima internacional estável que refreie a corrida ao armamento e permitia à URSS utilizar os seus recursos para a reestruturação interna.
Decidido a ganhar o apoio popular para o seu arrojado plano de renovação económica, ao qual chamou Perestroika (reestruturação), Gorbatchev inicia, em simultâneo, uma ampla abertura política, conhecida como Glasnost (transparência).
A Perestroika propõe-se descentralizar a economia, estabelecendo a gestão autónoma das empresas, paralelamente, incentivava-se a formação de um sector privado parcial.
Enquanto isso, a Glasnost apela à denúncia da corrupção, à crítica e à participação efectiva dos cidadãos na vida política.
Em Março de 1989, esta abertura democrática reforça-se com as primeiras eleições verdadeiramente pluralistas e livres na União Soviética.
Pese embora estas alterações, persiste a dicotomia Norte-Sul.
Os países do hemisfério Sul continuam muito desfasados do desenvolvimento que caracteriza os países do Norte.
Algumas organizações internacionais de solidariedade tentam continuar dar um contributo para amenizar o sofrimento de muitos seres humanos privados dos seus direitos essenciais.
A UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), fundada em 1946, e a UNICEF (Fundo Internacional de Emergência para a Infância das Nações Unidas), constituída em 1945, são duas das mais activas organizações que têm uma intervenção permanente nos pontos do Mundo menos desenvolvidos.
 A Europa de Leste – a desagregação do bloco soviético 
Há muito reprimida, a contestação ao regime imposto por Moscovo alastrou e endureceu, começando a abalar as estruturas do poder.
A linha dura dos partidos comunistas europeus não contou agora com a intervenção militar russa, para “normalizar” a situação.
A doutrina da “soberania limitada” foi, assim, posta de lado, e os antigos países-satélites da URSS puderam, finalmente, escolher o seu regime político.
No ano de 1989, uma vaga de democratizadora varre o Leste.
Neste processo, a “cortina de ferro”, que, há quatro décadas, separava a Europa, levanta-se finalmente: as fronteiras do Ocidente são abertas e, em 9 de Novembro, perante um mundo estarrecido, cai o Muro de Berlim.
Depois de uma ronda de negociações entre os dois estados alemães e os quatro países que ainda detinham direitos de ocupação, a Alemanha reunifica-se.
Em Novembro de 1990 é anunciado, o fim do Pacto de Varsóvia e, pouco depois, a dissolução do COMECON.
Nesta altura, a dinâmica política desencadeada pela Perestroika torna-se já incontrolável, conduzindo, ao fim da própria URSS.
Mosaico de povos, culturas e religiões que só uma mão férrea tinha conseguido manter unidos, o extenso território das Repúblicas Soviéticas desmembra-se.
O processo começa nas Repúblicas Bálticas, anexadas por Estaline.
Eleito, como independente, presidente da República da Rússia, em Junho de 1991, Ieltsin reforça o seu prestígio em Agosto ao encabeçar a resistência a um golpe de estado dos saudosistas do partido, que pretendiam retomar o poder e parar as reformas em curso.
Pouco depois, no rescaldo do golpe, o novo presidente toma a medida extrema de proibir actividades do partido comunista.
No Outono de 1991, a maioria das repúblicas declara a sua independência.
Em 21 de Dezembro, nasce oficialmente a CEI (Comunidade dos Estados Independentes), à qual aderem 12 das 15 Repúblicas que integravam a união soviética.
Os problemas de transição para a economia de mercado.
A Perestroika tinha prometido aos soviéticos uma melhoria acentuada e rápida do nível de vida.
Mas, ao contrário do previsto, a reconversão económica foi um fracasso e a economia deteriorou-se rapidamente.
 O fim da economia planificada significou o fim dos subsídios estatais às empresas.
Assim, muitas unidades desapareceram e outras extinguiram numerosos postos de trabalho, considerados excedentários.
Simultaneamente, o descontrolo económico e a liberalização dos preços desencadearam uma inflação galopante que a subida de salários não acompanhou.
 Em contrapartida, a liberalização económica enriqueceu um pequeno grupo que, em pouco tempo, acumulou fortunas fabulosas.
Os países de Leste viveram, também, de forma dolorosa, a transição para a economia de mercado. Privados dos chorudos subsídios que recebiam da União Soviética, os antigos satélites da URSS sofreram uma brusca regressão económica.
 Com excepção da RDA, que recebeu vultuosos subsídios da Alemanha Ocidental.
Tal como na Rússia, o caos económico instalou-se e as desigualdades agravaram-se.
A percentagem de pobres elevou-se, em apenas uma década (1988-1998), de 2 para 21% da população total.
 Os pólos de desenvolvimento económico: Os EUA – caracterização
Profundamente desigualitário, o mundo actual concentra a maior parte da sua riqueza e da sua capacidade tecnológica em três pólos de intenso desenvolvimento: os Estados Unidos, a União Europeia e a zona da Ásia-Pacífico.
A este poder económico concentrado, põe-se a hegemonia político-militar de um único país: os Estados Unidos.
Prosperidade económica.
Os EUA são o quarto maior país do mundo e o terceiro mais populoso.
Um PNB de mais de 10.2 biliões de dólares faz deles a primeira potência económica mundial.
Terra das oportunidades desde o seu nascimento, a América do Norte glorifica, ainda hoje, o espírito de iniciativa individual e a imagem do multimilionário bem sucedido.
A “livre empresa” contínua no centro da filosofia económica do país e o estado incentiva-a, assegurando-lhe as condições de uma elevada competitividade.
Pátria de gigantescas multinacionais, os EUA vivem também de uma densa rede de pequenas empresas.
Os sectores de actividade.
Marcadamente pós-industrial, a economia americana apresenta um claro predomínio do sector terciário.
 A América é, hoje, o maior exportador de serviços do mundo, sobretudo, na área de seguros, transportes, restauração, cinema e música.
Altamente mecanizadas, as unidades agrícolas e pecuárias americanas têm uma elevadíssima produtividade. Assim, e apesar de algumas dificuldades geradas pela concorrência, os EUA mantêm-se como maior exportador de produtos agrícolas.
Pelo seu dinamismo, a agricultura americana alimenta ainda um conjunto de vastas indústrias.
Este verdadeiro complexo agro-industrial envolve mais de 20 milhões de trabalhadores e representa cerca de 18% do PIB americano.
Responsável por um quarto da produção mundial, a indústria dos EUA sofreu, nos últimos 30 anos, uma reconversão profunda.
Os sectores tradicionais, entraram em declínio e, com eles, decaiu também a importância económica da zona nordeste. Novos laços comerciais.
 O partido que os Estados Unidos retiram da sua implantação na América e na área do Pacífico reforçou-se durante a presidência de Bill Clinton.
Numa tentativa de contrariar o predomínio comercial da UE, Clinton procurou estimular as relações económicas com a região do Sudeste Asiático, revitalizando a APEC.
No mesmo sentido, o presidente impulsionou a criação da NAFTA, que estipula a livre circulação de capitais e mercadorias (não de pessoas) entre os EUA, Canadá e México. Dinamismo científico-tecnológico.
Liderando a corrida tecnológica, os EUA asseguram na viragem para o séc. XXI, a sua supremacia económica e militar.
Os EUA são, hoje, a nação que mais gasta em investigação científica.
Para além dos centros que dele directamente dependem, o Estado Federal tem um papel decisivo no fomento da pesquisa privada.
O avanço americano fica, também, a dever-se à criação precoce de parques tecnológicos – os tecnopólos –, que associam universidades prestigiadas, centros de pesquisa e empresas, que trabalham de forma articulada. Hegemonia político-militar.
No início dos anos 90, o fim da guerra-fria trouxe ao mundo a esperança de uma época nova.
Dessa esperança se fez eco o presidente dos EUA, George Bush (pai), ao defender a criação de uma “nova ordem mundial”.
É invocando esta ordem nova, que se pretende criar, que as Nações Unidas aprovam uma operação militar multinacional com o fim de repor a soberania do Kuwait, invadido, pelo vizinho Iraque.
 A libertação do Kuwait (conhecida como guerra do Golfo) iniciou-se em Janeiro de 1991 e exibiu, perante o mundo a superioridade militar dos Estados Unidos.
Este primeiro conflito pós guerra-fria inaugurou oficialmente a época da hegemonia mundial americana.
O poderio americano afirmou-se inequivocamente, apoiado pelo gigantismo económico e pelo investimento maciço no complexo industrial militar.
É a única superpotência da última década, em virtude do papel preponderante e activo que tem desempenhado na geopolítica do globo.
Assim, os EUA multiplicaram a imposição de sanções económicas, reforçaram o papel da NATO e assumiram um papel militar activo que serviu de suporte à polémica invasão do Iraque, que, em 2003, derrubou o regime de Sadam Hussein.
 Os pólos de desenvolvimento económico: A União Europeia
Unir um velho continente, formado por tantas nações orgulhosas e independentes, parece um projecto assaz ambicioso.
Etapa a etapa, no entanto, o projecto tem progredido.
Consolidação da comunidade: do acto único à moeda única.
Embora o tratado de Roma abrisse perspectivas para uma completa integração económica e, até, de uma futura união política, o 1.º grande objectivo da CEE foi a união aduaneira.
 Os estados membros acordaram o estabelecimento de uma política agrícola comum, de acções concertadas de combate ao desemprego, de ajudas às regiões menos favorecidas, de um sistema monetário europeu, entre outras medidas.
Apesar destes avanços, a comunidade enfrentava no início dos anos 80, um período de marasmo e descrença nas suas potencialidades e no seu futuro.
Os esforços do novo presidente conduziram, em 1986 à assinatura do Acto Único Europeu, que previa, para 1993, o estabelecimento do mercado único onde, para além de mercadorias, circulassem, livremente, pessoas, capitais e serviços.
 Em 1990, começam as negociações com vista ao aumento das competências da comunidade.
Estas negociações desembocam no célebre tratado da união europeia, assinado na cidade holandesa de Maastricht.
O tratado, que entra em vigor em 1993, ao mesmo tempo que o mercado único, estabelece uma união europeia fundada em três pilares: o comunitário, de cariz económico e de longe, o mais desenvolvido; o da politica externa e da segurança comum; e o da cooperação nos domínios da justiça e dos assuntos internos. Maastricht representou um largo passo em frente no caminho da união, quer pelo reforço dos laços políticos, quer, sobretudo, por ter definido o objectivo da adopção de uma moeda única, de acordo com um calendário rigoroso e predeterminado.
A 1 de Janeiro de 1999, 11 países, aos quais viera juntar-se a Grécia, inauguram oficialmente o euro, que entra, então nos mercados de capitais.
O euro completou a integração das economias europeias.
A CEE tornou-se a maior potência comercial do mundo, com um PIB conjunto semelhante ao dos EUA; o seu mercado interno, com mais de 355 milhões de consumidores (Europa dos 15), apresenta um elevado nível de consumo e uma mão-de-obra muito qualificada; possui, também, uma densa rede de transportes e comunicações.
Da Europa dos 9 à Europa dos 25. Em 1981, a Grécia torna-se membro efectivo da comunidade; a adesão dos dois países ibéricos formaliza-se em 1985, com efeitos a partir do ano seguinte.
A entrada destes três novos membros colocou à CEE o seu primeiro grande desafio, já que se trava de um grupo de países bastante atrasados relativamente aos restantes membros.
Em 1992, o Conselho Europeu de Lisboa recebeu, com agrado, as candidaturas da Áustria, Finlândia, Suécia e Noruega, países cuja solidez económica contribuiria para o reforço da comunidade.
A Europa passa a funcionar a 15.
Entretanto, os desejos de adesão dos países de Leste eram olhados com apreensão, limitando-se a comunidade, no início, a implementar planos de ajuda às economias em transição.
Em 1 de Maio de 2004, a Europa enfrentou o desafio imenso, impensável, de unir o Leste e o Oeste, o Norte e o Sul.
 Em 2007 entram a Roménia e Bulgária. As dificuldades de construção de uma Europa política.
Nos últimos 50 anos, os europeus têm-se dividido no que toca ao futuro do seu continente.
O eurocepticismo e a resistência a todas as medidas que impliquem transferências de soberania são comuns a vários estados-membros.
O Tratado de Maastricht para além de ter introduzido o poderoso elemento de coesão que é a moeda única, criou, também, a cidadania europeia e alargou a acção comunitária a questões como o direito de asilo, a política de imigração e a cooperação de assuntos internos.
A forma relutante como muitos europeus vêem a união, resulta em parte, da fraca implantação popular do sentimento europeísta.
Novas perspectivas.
As dificuldades de uma união política viram-se substancialmente acrescidas pelos sucessivos alargamentos da comunidade, que obrigam a conjugar os interesses de países muito diferentes e a rever o funcionamento das instituições.
 Os pólos de desenvolvimento económico: O Japão 
O designado “milagre japonês” beneficiou de uma conjuntura favorável.
As ajudas financeiras e técnicas, por parte dos EUA, permitiram uma rápida reconstrução económica do Japão.
Apesar disto, os japoneses também criaram condições necessárias à sua prosperidade: um sistema político estável permitiu a actuação concertada entre o Governo e os grandes grupos económicos.
O Estado interveio activamente na regulação do investimento, na concessão de créditos, na protecção das empresas e o mercado nacional.
Também canalizou a maior parte dos investimentos públicos para o sector produtivo e absteve-se em matéria de legislação social.
A mentalidade japonesa foi também um importante factor de crescimento.
Dinâmicos e austeros, completamente devotados à causa da reconstrução nacional e ao seu trabalho em particular, empresários e trabalhadores cooperaram estreitamente na realização de objectivos comuns. Munido de mão-de-obra abundante e barata e de um sistema de ensino abrangente mas altamente competitivo, o Japão lançou-se à tarefa de transformar na primeira sociedade de consumo da Ásia.
O primeiro grande surto de crescimento ocorreu entre 1955 e 1961 quando a produção industrial praticamente triplicou.
 Os sectores que adquirem maior dinamismo são os da indústria pesada e dos bens de consumo duradouros. O comércio externo acompanha também esta expansão.
 O segundo surto foi entre 1961 e 1971, período durante o qual a produção industrial duplicou e criaram-se 2,3 milhões de postos de trabalho.
Este crescimento também assenta em novos sectores, como a produção de automóveis, e televisões.
Tudo isto fez do Japão a terceira maior potência do mundo.
 O espaço económico da Ásia - Pacífico
Nos anos 90 tornou-se um pólo de desenvolvimento intenso, capaz de concorrer com os EUA e a UE.
A economia desta região desenvolveu-se em três fases consecutivas: em 1.º lugar emergiu o Japão; depois os quatro dragões (ou tigres) asiáticos: Hong Kong, Coreia do sul, Singapura e Taiwan; os países do sudoeste, Tailândia, Malásia e Indonésia, seguidos pela República Popular da China.
Os quatro dragões.
O sucesso do Japão serviu de incentivo e de modelo à 1.ª geração de países industriais do Leste asiático. Não faltava vontade política, determinação e capacidade de trabalho.
Tomando como objectivo o crescimento económico, os governos procuraram atrair capitais estrangeiros.
A industrialização asiática explorou mão-de-obra abundante e disciplinada, capaz de trabalhar longas horas diárias por muito pouco dinheiro.
Esta mão-de-obra esforçada e barata permitiu produzir, a preços imbatíveis, têxteis e produtos de consumo corrente, que inundaram os mercados ocidentais.
Os “quatro dragões” constituíram um tremendo sucesso económico.
 Da concorrência à cooperação.
Apesar do seu enorme êxito, os novos países industrializados (NPI) da Ásia confrontavam-se com dois problemas graves: o 1.º era a excessiva dependência face às economias estrangeiras; o 2.º era a intensa rivalidade que os separava.
Quando a economia ocidental abrandou, nos anos 70, os países asiáticos foram induzidos a procurar mercados e fornecedores mais próximos da sua área geográfica.
Voltaram-se então, para os membros da ASEAN, organização económica que aglutinava alguns países do Sudeste Asiático.
Nascida em 1967, a ASEAN, agrupava a Tailândia, a Malásia, a Indonésia e Filipinas, países cujas economias se encaixavam perfeitamente na do Japão e nas das quatro novas potências: eram ricos em matérias-primas, nos recursos energéticos e nos bens alimentares de que os cinco necessitavam.
Agarrando a oportunidade, as duas partes deram início a uma cooperação regional estreita: o Japão, a Coreia do Sul e o Taiwan iniciaram a exportação de bens manufacturados e tecnologia para os países do Sudeste e, obtiveram, em troca, os produtos primários que pretendiam.
Este intercâmbio permitiu a emergência de uma 2.ª geração de países industriais na Ásia: a Tailândia, a Malásia e a Indonésia, desenvolveram a sua produção.
A região começou, assim, a crescer de forma mais integrada.
O Japão e os “quatro dragões” produzem mercadorias de maior qualidade e preço; a ASEAN dedica-se a bens de consumo, de preço e qualidade inferior.
Os estados do “arco do pacífico” tornaram-se, um pólo económico articulado, com elevado volume de trocas inter-regionais.
O crescimento asiático alterou a balança da economia mundial, ate aí concentrada na tríade EUA, Europa e Japão. Em 1997, Hong kong e Singapura colocaram-se entre os 10 países mais ricos do mundo.
 O crescimento teve, no entanto, custos ecológicos e sociais muito altos, a Ásia tornou-se a região mais poluída do mundo e a sua mão-de-obra permaneceu, pobre e explorada.
 A China – caracterização 
Seguindo uma política pragmática, Deng dividiu a China em duas áreas geográficas distintas: o interior, essencialmente rural, permanecia resguardado da influência externa; o litoral abrir-se-ia ao capital estrangeiro, integrando-se plenamente no mercado internacional.
A China camponesa não acompanhará o surto de desenvolvimento do país.
O sistema agrário foi, no entanto, profundamente reestruturado.
Em cerca de 4 anos as terras foram descolectivizadas e entregues aos camponeses, que puderam comercializar os excedentes, num mercado livre.
Quanto à indústria, sofreu uma modificação radical.
A prioridade à indústria pesada foi abandonada em favor dos produtos de consumo e a autarcia em favor da exportação.
Dotadas de uma legislação ultraliberal, as “Zonas Económicas Especiais” foram favoráveis aos negócios.
As empresas de todo o Mundo foram convidadas a estabelecer-se nestas áreas.
Desde 1981 que o crescimento económico da China tem sido impressionante.
 Recém-chegada ao grupo dos países industrializados da Ásia, a China detém um potencial muito superior ao dos seus parceiros, quer em recursos naturais, quer, sobretudo, em mão-de-obra.
Com mais de um milhar de milhão de habitantes, a competitividade do país alicerça-se numa massa inesgotável de trabalhadores mal pagos e sem regalias sociais.
Neste país socialista, as desigualdades entre o litoral e o interior e entre os ricos e os pobres cresceram exponencialmente.
A aproximação da China ao Ocidente facilitou, após lentas negociações, o acordo com a Grã-Bretanha e Portugal no sentido da transferência da soberania de Hong-Kong e de Macau, a partir de 1997 e de 1999, respectivamente.
 A questão de Timor 
A ilha de Timor era desde o séc. XVI, um território administrado pelos portugueses.
Em 1974 a “revolução dos cravos” agitou também Timor-leste, que se preparou para encarar o futuro sem Portugal.
Na ilha, nasceram três partidos políticos: UDT, APODETI e FRETILIN.
O ano de 1975 foi marcado pelo confronto entre os três países, cuja violência Portugal não conseguiu conter. o nosso país acabou por se retirar de Timor, sem reconhecer, a legitimidade de um novo governo. Em 7 de Dezembro de 1975, reagindo contra a tomada de poder pela FRETILIN, o líder indonésio Suharto ordena, a invasão do território.
Assim, Portugal corta relações diplomáticas com Jacarta e apela às Nações Unidas, que condenam a ocupação e continuam a considerar Timor um território não autónomo.
Os factos, porém, contrariavam estas decisões.
Os indonésios anexaram formalmente Timor, que, em 1976, se tornou a sua 27.ª província.
Apesar de consumada, a anexação de Timor permaneceu ilegítima.
Refugiados nas montanhas, os guerrilheiros da FRETILIN encabeçaram a resistência contra o invasor.
Quis o acaso que uma das muitas acções de repressão sobre os timorenses fosse filmada: as tropas ocupantes abrem fogo sobre uma multidão desarmada que homenageava, no cemitério de santa cruz, um independentista assassinado.
O massacre faz 271 mortos. As imagens, correram o mundo e despertam-no para a questão timorense. Com a ajuda dos media, Timor mobiliza a opinião pública mundial e, em 1996, a causa ganha ainda mais força com a atribuição do prémio Nobel da Paz ao bispo de Díli.
No fim da década, a Indonésia aceita, que o povo timorense decida o seu destino através de um referendo. Entretanto, dá o seu apoio à organização de milícias armadas que iniciam acções de violência e de intimidação no território.
O referendo deu uma inequívoca vitória à independência, mas desencadeou uma escalada de terror por parte das milícias pró-indonésias.
Uma onda de indignação e de solidariedade percorreu então o mundo e conduziu ao envio de uma força de paz multinacional, patrocinada pelas Nações Unidas. Sob a protecção dessa força, o território encaminhou-se, para a independência.
 A permanência de focos de tensão em regiões periféricas. A África e a América Latina
 “Continente de todos os males”, a África tem sido atormentada pela fome, pelas epidemias, por ódios étnicos e por ditaduras ferozes.
 Desde sempre muito débeis, as condições de existência dos africanos degradaram-se pela combinação de um complexo número de factores: crescimento acelerado da população, que abafa as pequenas melhorias na escolaridade e nos cuidados de saúde; deterioração do valor dos produtos africanos (um progressivo abaixamento dos preços das matérias-primas reduziu a entrada de divisas e tornou ainda mais pesada a disparidade entre as importações e as exportações); enormes dívidas externas dos Estados africanos; e dificuldade em canalizar investimentos externos e a diminuição das ajudas internacionais (os programas de ajuda diminuíram, em parte sob o pretexto de que os fundos eram desviados para a compra de armas e para as contas particulares de governantes corruptos).
 Imagens chocantes de uma fome extrema não cessam de atormentar as consciências dos Ocidentais.
O atraso tecnológico, a desertificação de vastas zonas agrícolas e, sobretudo, a guerra são responsáveis pela subnutrição crónica dos africanos.
A peste chegou sobre a forma da Sida, que tem devastado o continente.
À fome e à “peste” junta-se a guerra.
Nos anos 90, os conflitos proliferaram e, apesar dos esforços internacionais, mantêm-se acesos ou latentes. Os países latino-americanos procuraram libertar-se da sua extrema dependência face aos produtos manufacturados estrangeiros.
Encetaram, então, uma política industrial proteccionista com vista à substituição das importações.
Orientado pelo Estado este fomento económico realizou-se com recurso a avultados empréstimos.
A dívida externa reflectiu-se no agudizar da situação económica das populações latino-americanas, pois foi necessário tomar medidas de contenção económica como despedimentos e redução dos subsídios e dos salários.
 Face a tão maus resultados, a salvação económica procurou-se numa política neoliberal.
 Procederam à privatização do sector estatal, sujeitando-o à lei da concorrência e procuraram integrar as suas economias nos fluxos do comércio regional e mundial.
O comércio registou um crescimento notável e as economias revitalizaram-se. No entanto, em 2001, 214 milhões de latino-americanos viviam ainda mergulhados na pobreza
Em 1975, só a Colômbia, a Venezuela e a Costa Rica tinham governos eleitos.
Os restantes países encontravam-se sob regimes repressivos.
Na década de 1980 registou-se uma inclinação para a democracia.
As guerrilhas esmoreceram e algumas transformaram-se mesmo em partidos legais que se integraram no sistema político institucional.
Embora firme, o caminho da América Latina rumo à democracia não está ainda isento de dificuldades.
As graves clivagens sociais, o aumento do narcotráfico, bem como a corrupção e a violência herdadas do passado, continuam a comprometer a estabilidade política e o futuro económico da região.
 A permanência de focos de tensão em regiões periféricas. A Ásia e a Europa 
A região do Médio Oriente é uma zona instável que tem assumido um protagonismo crescente no panorama mundial.
A riqueza petrolífera dos países do Golfo Pérsico e o avanço da luta fundamentalista alteraram profundamente as coordenadas políticas internacionais.
O fundamentalismo emergiu no mundo islâmico como uma afirmação da identidade cultural e de fervor religioso.
Revalorizando o ideal de “Guerra Santa”, os fundamentalistas procuram no Corão as regras da vida política e social para além da religiosa.
Assim, rejeitam a autoridade laica, transformando a sharia (lei corânica) na base de todo o direito, e contestavam os valores ocidentais que consideram degenerados e malignos.
Apoiados pelos Estados Unidos e pelos judeus de todo o mundo, mobilizados pelo sionismo internacional, os israelitas têm demonstrado uma vontade inflexível em construir a pátria que sentem pertencer-lhes.
No campo oposto, os árabes defendem igualmente a terra que há séculos ocupam.
A sua determinação em não reconhecer o Estado de Israel desembocou em conflitos repetidos que deixaram patente a superioridade militar judaica.
Tal situação induziu os Israelitas a ocuparem os territórios reservados aos Palestinianos onde instalaram numerosos colonatos.
Uma escalada de violência tem martirizado a região.
Aos atentados suicidas, cada vez mais frequentes, sobre alvos civis israelitas, o exército judaico responde com intervenções destruidoras, nos últimos redutos palestinianos.
Criada após a 1.ª Guerra Mundial, a Jugoslávia correspondeu ao sonho sérvio de unir os “Eslavos do Sul”, mas foi sempre uma entidade artificial que aglutinava diferentes nacionalidades, línguas e religiões.
Em Junho de 1991, a Eslovénia e a Croácia declaram a independência.
Recusando a fragmentação do país, o presidente sérvio Slobodan Milosevic desencadeia a guerra que só cessa, no início do ano seguinte, após a intervenção da ONU.
Pouco depois, a Bósnia-Herzegovina proclama, por sua vez, a independência e a guerra reacende-se.
Com a Guerra da Bósnia, a Europa revive episódios de violência e atrocidades que julgava ter enterrado no fim da 2.ª Guerra Mundial.
 Em nome da construção de uma “Grande Sérvia” levam-se a cabo operações de “limpeza étnica”. Finalmente, após muitos impasses e hesitações, uma força da OTAN sob comando americano impôs o fim das hostilidades na Bósnia e conduziu aos Acordos de Dayton (1995), que dividiram o território bósnio em 2 comunidades autónomas, uma sérvia e outra croato-muçulmana.
 No fim da década, o pesadelo regressa aos Balcãs, desta feita à região do Kosovo, à qual, em 1989, o Governo sérvio tinha retirado autonomia.
Face à revolta eminente, desenrola-se uma nova operação de “limpeza étnica” que a pressão internacional não conseguiu travar.
A OTAN decidiu, então, intervir de novo, mesmo sem mandato da ONU. A viragem para uma outra era.
O debate do Estado-Nação 
O Estado-Nação surge como um dos principais legados do liberalismo no séc. XIX.
 No séc. XX, os Estados-Nação registam uma expansão planetária, tornando-se o elemento estruturador da ordem política internacional.
Reconhecem, todavia, os especialistas que a fórmula do Estado-Nação, considerada modelo de organização política mais coerente do ponto de vista jurídico e mais justo, se revela hoje ineficaz, face aos desafios que a nova ordem internacional provoca.
 Um conjunto de factores determina a crise do Estado-Nação.
São forças desintegradoras a nível local e regional: imensos conflitos étnicos; nacionalismos separatistas basco e catalão; crescente valorização das diferenças e especificidades de grupos e indivíduos; no plano supranacional, os processos de integração económica e política afectam a confiança dos cidadãos nas capacidades do Estado-Nação para assumir as suas responsabilidades;
Os mecanismos de funcionamento de uma economia globalizada criaram fluxos financeiros a nível global que escaparam ao controlo e à fiscalidade do Estado-Nação; Questões transnacionais como a emergência do terrorismo e da criminalidade internacional também contribuíram para a crise dos Estado-Nação.
Mais do que nunca, mostram-se necessários os esforços concertados das autoridades transnacionais para responder aos complexos desafios do novo mundo que nos rodeia.
 A explosão das realidades étnicas 
As identidades agitam-se no mundo com uma intensidade acrescida desde as últimas décadas do séc. XX. Quase sempre, as tensões étnicas e separatistas são despoletadas pela pobreza e pela marginalidade em que vivem os seus protagonistas, contribuindo para múltiplos conflitos que, desde os anos 1980, têm ensanguentado a África, os Balcãs e o Médio Oriente, o Cáucaso, a Ásia Central e Oriental.
Ao contrário dos conflitos interestáticos do período da Guerra-fria, as novas guerras são maioritariamente intra-estáticas:
 Na região do Cáucaso, as tensões étnicas mostram-se particularmente violentas em território da ex-União Soviética; No Afeganistão, as últimas décadas têm assistido a um crescendo de violência e desentendimento; No Indostão, a Índia vê-se a braços com a etnia sikh, que professa um sincretismo hindu e muçulmano e que se disputa com a maioria hindu;
No Sri Lanka, a etnia tamil, de religião hindu, enfrenta os budistas cingaleses;
E no Sudeste Asiático, só em 2002 Timor-leste conseguiu libertar-se da Indonésia, depois de massacres cruéis da sua população. Na verdade, o genocídio tem sido a marca mais terrível dos conflitos étnicos. Multidões de refugiados cruzam fronteiras, chamando o direito à vida que as vicissitudes da História e os erros dos homens lhes parecem negar.
Os Estados mostram-se impotentes para controlar as redes mafiosas e terroristas que se refugiam nos seus territórios e actuam impunemente.
 As questões transnacionais: migrações, segurança e ambiente 
Dificilmente vivemos imunes aos acontecimentos que nos chegam pelos media.
 As questões transnacionais cruzam as fronteiras do Mundo, afectam sociedades distantes e lembram-nos que a Terra e a humanidade, apesar das divisões e da diversidade, são unas.
Resolvê-las, minorá-las, ultrapassa o controlo de qualquer Estado-Nação, exigindo a colaboração da ONU, de organizações supranacionais, regionais e não governamentais.
 Em 2000 existiam no Mundo cerca de 150 milhões de pessoas a viver num país que não aquele onde tinham nascido.
Tal como há 100 anos os motivos económicos continuam determinantes nas mais recentes nas migrações. Mas os motivos políticos também pesam, especialmente se nos lembrarmos dos múltiplos conflitos regionais das últimas décadas.
A este estado de tensão e guerra se devem os cerca de 20 milhões de refugiados que o Mundo contabiliza no início do séc. XXI.
Os países com maior número de imigrantes encontram-se no Norte. Sem que possamos falar num aumento de imigrantes relativamente à população total do Globo, registam-se, no entanto, mudanças na sua composição.
Há mais mulheres e mais pessoas com maior formação académica e profissional que outrora. Concertação, vigilância e cooperação.
No início do séc. XXI, tais palavras revelam-se especialmente pertinentes, sobretudo se tivermos em conta os problemas de segurança com que a Humanidade se debate.
Desde o 11 de Setembro de 2001 tornou-se impossível ignorar essa ameaça internacional que é o terrorismo.
 De facto, nas duas últimas décadas, o terrorismo transformou-se numa ameaça à escala planetária.
A Europa defronta-se com o terrorismo basco, irlandês, tchetcheno, albanês, bósnio.
A América Latina vê-se a braços com os actos terroristas ocorridos na Colômbia. A América do Norte conheceu o atentado mais violento de que há memória.
A Ásia defronta-se com o terrorismo religioso e político.
Nem África escapa.
 Às temidas armas nucleares acrescentam-se outros meios de destruição maciça: as armas químicas e biológicas.
Por todo o mundo, espalha-se um mercado negro de armamento, controlado por redes mafiosas, que abastece os grupos terroristas.
A moeda de troca é, frequentemente, a droga, fomentando-se, assim, um outro perigoso tráfico para a segurança da Humanidade.
O ambientalismo constitui uma questão incontornável do nosso tempo e um desafio a ter em conta no futuro. Acelerou-se no último século, devido ao crescimento demográfico e das transformações económicas experimentadas pela Humanidade.
A população mundial (em 1950 atingia os 2,5 mil milhões de seres humanos), mais do que duplicou até ao fim do séc. XX.
 Ora, mais população significa um acréscimo do consumo de recursos naturais, seja de solos, de água ou de matérias-primas destinadas ao fabrico de bens essenciais…e supérfluos.
A destruição de florestas tropicais é um dos efeitos do crescimento demográfico e da busca de recursos.
 A busca desenfreada de terras e a sua exploração intensiva, acompanhada da destruição de ecossistemas, tornam os solos mais vulneráveis à seca e à erosão.
Os atentados à Natureza prosseguem num rol infindável de exemplos.
O progresso industrial e tecnológico provoca avultados gastos energéticos e poluição.
Desde a década de 1970, os cientistas revelam também grande preocupação com a destruição da camada do ozono, essa estreita parte da atmosfera que nos protege contra as radiações ultravioletas.
O “efeito de estufa”, ou aquecimento global, é outra das perigosas ameaças que pairam sobre a Terra. Resulta das elevadas concentrações de dióxido de carbono na atmosfera, proveniente do crescimento populacional, do desenvolvimento industrial e da proliferação de veículos.
Em 1992, a Cimeira da Terra avançou com um conjunto de propostas tendentes à gestão dos recursos da Terra, para que a qualidade de vida das gerações futuras não fique hipotecada.
A tal se chamou um “desenvolvimento sustentável”.
 E se os países desenvolvidos gastam fortunas com a limpeza de rios e edifícios, o controlo de gases tóxicos, o tratamento de desperdícios e a reciclagem de materiais, tais esforços de preservação do ambiente mostram-se terrivelmente comprometidos, no superpovoado e pobre mundo em desenvolvimento.
De um desenvolvimento económico equilibrado e sustentável espera-se a saúde do planeta e o bem-estar da humanidade.
 A afirmação do Neoliberalimo e o declínio da militância política e do Sindicalismo
Os choques petrolíferos da década de 1970, a inflação, o abrandamento das actividades económicas e o desemprego, testemunhavam uma poderosa crise.
 Denominada de neoliberalismo, uma nova doutrina económica propõe-se reerguer o capitalismo tendo como grandes “laboratórios” a Grã-Bretanha e os Estados Unidos.
Atento ao equilíbrio orçamental e à redução da inflação, o neoliberalismo defende o respeito pelo livre jogo da oferta e da procura, e envereda por medidas de rigor.
O Estado neoliberal diminui fortemente a sua intervenção económica e social.
 Pelo contrário, valoriza a iniciativa privada, incentiva a livre concorrência e a competitividade.
No mundo dos anos 80, caminhava-se a passos largos para a globalização da economia.
 A globalização apresenta-se como um fenómeno incontornável.
Apoiadas nas modernas tecnologias da informação e da comunicação (TIC), a concepção, a produção e a comercialização de bens e serviços, bem como os influxos dos imprescindíveis capitais, ultrapassam as fronteiras nacionais e organizam-se à escala planetária.
 Dimensões da ciência e da cultura no contexto da globalização.
 Dinamismos socio-culturais 
Os Estados recuam nas medidas proteccionistas e enveredam pelo livre-câmbio.
Desde finais dos anos 80 que o comércio internacional acusa um crescimento excepcional, mercê de progressos técnicos nos transportes e da criação de mercados comuns.
Em 1995, a Organização Mundial do Comércio entra em vigor.
Tendo em vista a liberalização das trocas, incentiva a redução dos direitos alfandegários e propõe-se arbitrar os diferendos comerciais entre os Estados-membros.
Deparamo-nos, consequentemente, na aurora do séc. XXI, com um fluxo comercial prodigioso, num mundo que quase parece um mercado único.
Às zonas da Europa Ocidental, da Ásia-Pacífico e da América do Norte, a chamada Tríade, cabe o papel de pólos dinamizadores das trocas mundiais.
Os movimentos de capitais aceleram-se desde os anos 80.
As grandes bolsas de valores, como as de Nova Iorque, Tóquio, Londres e Singapura, mobilizam massas crescentes de acções, em virtude de um aligeiramento das regulamentações que pesavam sobre a circulação de capitais.
 Desde 1990, os investimentos externos ultrapassam, o montante de mil milhares de milhões de dólares. Possuindo uma tendência para a internacionalização, as grandes empresas sofrem mudanças estruturais e adoptam estratégias planetárias.
 Desde os anos 90, aumenta o número de empresas em que a concepção do produto ou do bem a oferecer, as respectivas fases de fabrico e o sector da comercialização se encontram dispersos à escala mundial.
 Eis-nos perante as firmas da era da globalização, as chamadas multinacionais ou transnacionais.
É essa lógica de rendibilidade das condições locais que conduz, em momentos de crise ou de diminuição de lucros, as multinacionais a abandonarem certos países.
Encerram aí as suas fábricas e/ou estabelecimentos comerciais, para os reabrirem noutros locais.
A este fenómeno chama-se deslocalização, sendo-lhe atribuída a principal razão do desemprego crónico que grassa no Mundo.
 Dimensões da ciência e da cultura no contexto da globalização.
Primado da ciência e da inovação tecnológica 
O crescimento económico proporcionado pelo neoliberalismo e pela globalização suscita acesos debates em finais dos anos 90.
Os seus defensores lembram que as medidas tomadas permitiram resolver a gravíssima crise inflacionista dos anos 70, ao mesmo tempo que apreciáveis franjas da Humanidade acederam a uma profusão de bens e serviços.
 Já os detractores da globalização invocam o fosso crescente entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento, frisando que, nas próprias sociedades desenvolvidas, existem casos gritantes de pobreza e exclusão.
E apontam o dedo ao desemprego, verdadeiramente incontrolável.
A alter-globalização contrapõe-lhe o projecto de um desenvolvimento equilibrado, que elimine os fossos entre homens e povos, respeite as diferenças, promova a paz e preserve o planeta.
Porque “um outro mundo é possível”.
A ciência e a inovação tecnológica continuam a ter uma predominância no sector do investimento público, sobretudo naqueles países que não querem perder o “comboio” do progresso e desenvolvimento.
  Portugal: a integração europeia e as suas implicações
Perdido o Império Portugal vira-se de forma determinada para a Europa, fazendo claramente uma opção europeia, apesar de haver aqueles que continuavam a preferir a opção atlântica tendo por base as nossas antigas colónias.
 A verdade é que, aquando da instituição do poder democrático em Portugal nos anos 70, a ideia que prevalecia às políticas de desenvolvimento territorial (regional ou local) assentava principalmente num paradigma redistributivo, muito característico do objectivo “coesão”: dar mais aos territórios pobres do que aos ricos, de forma que aqueles pudessem, aos poucos, ir-se aproximando destes.
Este paradigma redistributivo continua, claramente, a ser importante em termos europeus.
 O nível local da administração portuguesa é, assim, chamado a dinamizar a iniciativa produtiva e inovativa, apoiando as empresas e outras organizações produtivas por processos que vão do abaixamento dos custos de instalação, à promoção de instituições formais ou informais de concertação e cooperação entre as unidades económicas, passando pela função de amplificação da voz das empresas e empresários da região ou de investimento activo na imagem externa do território.
A nível das iniciativas do poder central refira-se a modernização das vias rodoviárias portuguesas (empreendimentos co-financiados pelos fundos comunitários), que fazem equiparar Portugal, neste aspecto, aos países mais avançados da Europa.
 A opção atlântica
A opção atlântica, no entanto, não ficou esquecida como prova a fundação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que é uma organização assinada entre países lusófonos, que consolida a aliança e a amizade entre os signatários.
 A sua sede fica em Lisboa. A CPLP foi criada em 17 de Julho de 1996 por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe.
No ano de 2002, após conquistar a independência, Timor-Leste foi acolhido como país integrante.
Na actualidade, são oito os países membros da CPLP.
Apesar da iniciativa, a CPLP é uma organização jovem buscando pôr em prática os objectivos de integração dos territórios Lusófonos.
Em 2005, numa reunião em Luanda, Angola, a CPLP decidiu que no dia 5 de Maio seria comemorado o Dia da Cultura Lusófona pelo mundo.
A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa abriga uma população superior a 230 milhões de habitantes, e tem uma área total de 10.742.000 km² - maior que o Canadá, segundo maior país do mundo. O PIB de todos os países, somados, supera US$ 1.700 trilião.
A CPLP já foi decisiva para alguns de seus países (na Guiné-Bissau, por exemplo, a CPLP ajudou a controlar golpes de estado).
A Comunidade é regida pelo Secretariado Executivo, que estuda, escolhe e implementa planos políticos para a organização.
 Fica localizada em Lisboa. O mandato do Secretário Executivo dura dois anos e é passível de uma recondução.
A Conferência dos Chefes de Estado e de Governo, bienal, estuda as prioridades e os resultados da CPLP. O plano de acção é tomado pelo Conselho dos Ministros dos Negócios Estrangeiros e Relações Exteriores, que acontece anualmente.
 Há ainda encontros mensais do Comité de Concertação Permanente.
A bandeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ostenta oito asas em formato de círculo.
Cada uma dessas asas representa um membro da CPLP.

MÓDULO 8: RESUMOS


A 2.ª Guerra Mundial – consequências – as áreas de influência 
Em Ialta e Postdam, Roosevelt, Estaline e Churchill reuniram-se com o objectivo de estabelecer as regras da nova ordem internacional do pós-guerra.
Nesta conferência ficaram acordadas algumas questões importantes, designadamente, a definição de novas fronteiras da Polónia; divisão provisória da Alemanha em quatro áreas de ocupação; reunião da conferência preparatória da Organização das Nações Unidas; supervisionamento dos “três grandes” na futura constituição dos governos dos países de Leste; e o pagamento, por parte de Alemanha, de 20 000 milhões de dólares referentes às reparações da guerra.
A conferência de Postdam encerrou sem uma solução definitiva para os países vencidos, limitando-se a ratificar e a pormenorizar os aspectos já acordados em Ialta, como foram a perda provisória de soberania da Alemanha e a sua divisão em quatro áreas de ocupação; a administração conjunta da cidade de Berlim, igualmente dividida em quatro sectores de ocupação; o montante e o tipo de indemnizações a pagar pela Alemanha; o julgamento dos criminosos de guerra por um tribunal internacional (Nuremberga); e a divisão, ocupação e desnazificação da Áustria em moldes semelhantes aos estabelecidos para a Alemanha.
A União Soviética participava na definição das novas coordenadas geopolíticas e detinha uma clara vantagem estratégia no leste europeu, visto que coube ao Exército Vermelho a libertação dos países da Europa Oriental.
A hegemonia Soviética, que não tardou em impor-se, tornava-se impossível de contrariar: em pouco tempo, a vida política, social e económica dos países de Leste foi reorganizada em moldes semelhantes aos da União Soviética.
Este rápido processo de sovietização foi contestado pelos ocidentais. Churchill denunciou a criação, por parte da URSS, de uma área de influência impenetrável, isolada do ocidente por uma “cortina de ferro”.
 A ONU (Organização das Nações Unidas)
Segundo a Carta das Nações Unidas, a Organização foi criada com os propósitos de manter a paz e reprimir os actos de agressão, utilizando meios pacíficos, de acordo com os princípios da justiça e o direito internacional; desenvolver relações de amizade entre os países do mundo, baseadas na igualdade entre os povos e no seu direito à autodeterminação; desenvolver a cooperação internacional no âmbito económico, social e cultural e promover a defesa dos Direitos Humanos; funcionar como centro harmonizador das acções tomadas para alcançar estes propósitos.
A ONU tomou um carácter profundamente humanista, que foi reforçado pela aprovação da Declaração Universal dos Direitos do Homem.
A nova declaração não se limitava a definir os direitos e as liberdades fundamentais, mas atribuiu, também, importância às questões económico-sociais, por as considerarem imprescindíveis a uma vida digna e verdadeiramente livre.
Os órgãos de funcionamento da instituição são: a Assembleia-geral, formada por todos os Estados-membros, funciona como um parlamento; o Conselho de Segurança, formado por 15 membros (cinco dos quais permanentes e com direito de veto – EUA, URSS, Reino Unido, França e China), é o órgão directamente responsável pela manutenção da paz e da segurança; o Secretariado-Geral representa a ONU e, com ela, praticamente todos os povos do mundo; o Conselho Económico-social está encarregado de promover a cooperação a nível económico, social e cultural entre as Nações; oTribunal Internacional de Justiça é o órgão máximo da justiça internacional; e o Conselho de Tutela é o órgão que foi criado para administrar os territórios que outrora se encontravam sob a alçada da SDN.
 As novas regras da economia internacional 
Finda a guerra tornava-se premente regularizar o comércio mundial, os pagamentos e a circulação de capitais, evitando o círculo vicioso de desvalorizações monetárias e a instabilidade das taxas de câmbio dos anos 1920 e 1930.
Assim, procedeu-se à criação de um novo sistema monetário internacional que garantisse a estabilidade das moedas indispensável ao incremento das trocas.
O sistema assentou no dólar como moeda-chave.
Com o objectivo de operacionalizar o sistema, criaram-se dois importantes organismos: o Fundo Monetário Internacional (FMI), ao qual recorriam os bancos centrais dos países com dificuldades em manter a paridade fixa da moeda ou equilibrar a sua balança de pagamentos; e o Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BIRD).
Em 1947, na Conferência Internacional de Genebra, foi assinado um Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT), onde 23 países signatários se comprometeram a negociar a redução dos direitos alfandegários e outras restrições comerciais.
Apesar das medidas tomadas para a reconstrução do pós-guerra, a Europa viu-se incapaz de reerguer, sozinha, a sua economia.
A somar às perdas humanas e matérias, o rigoroso Inverno de 1946-1947 agravara ainda mais as situações de miséria da Europa.
É neste contexto que o secretário de Estado americano George Marshall anuncia um gigantesco plano de ajuda económica à Europa, convidando-a a resolver em comum os seus problemas.
O Plano Marshall foi oferecido a toda a Europa, incluindo os países que se encontravam já sob influência soviética.
A URSS classificou esta ajuda como uma “manobra imperialista” e aconselhou os países de Leste a retirar a sua adesão.
Como resposta ao Plano Marshall, Moscovo entrou com o Plano Molotov, que estabelece as estruturas de cooperação económica da Europa Oriental.
Foi no âmbito deste plano que se criou o COMECON, instituição destinada a promover o desenvolvimento integrado dos países comunistas, sob a égide de União Soviética.
 A primeira vaga de descolonizações
O processo de descolonização inicia-se no continente asiático.
No Médio Oriente tornaram-se independentes a Síria, o Líbano, a Jordânia e a Palestina.
A Índia (a “jóia da coroa” britânica), a pretexto do violento antagonismo entre as comunidades hindu e muçulmana, ficou dividida em dois Estados: a União Indiana, maioritariamente hindu, e o Paquistão, de maioria muçulmana.
Outros territórios do Império Inglês do Oriente também reclamaram a sua independência: Ceilão, Birmânia e Malásia.
Também os Holandeses e Franceses são forçados a abrir mão dos seus territórios: Indonésia, Indochina, Vietname, Laos e Camboja.
Tendo começado na Ásia, a descolonização estendeu-se à Africa.
O fim dos impérios europeus pode considerar-se o fenómeno político mais relevante da segunda metade do século XX.
 Efectivamente, o impacto da guerra levou ao desaparecimento de extensos impérios coloniais, com séculos de existência. Para a descolonização também foram importantes as pressões exercidas pelas duas superpotências, que apoiaram os esforços de libertação dos povos colonizados.
Os EUA sempre se mostraram adversos à manutenção do sistema colonial; a URSS actua em nome da ideologia marxista e não desperdiça a possibilidade de estender o modelo soviético aos países recém-formados.
 Também a ONU se constituirá como um suporte internacional da descolonização, compelindo os Estados-membros ao cumprimento do estipulado pela Carta, que condenava a manutenção do domínio colonial.
 A Guerra-fria – a Bipolarização – caracterização
A partir de 1947, pode constatar-se que os aliados de ontem se apresentam divididos em dois blocos hostis, separados por uma “cortina de ferro”:
o bloco capitalista liderado pelos EUA e com a sua organização militar, a NATO;
 e o bloco socialista, liderado pela URSS e com a respectiva aliança militar em torno do Pacto de Varsóvia. As duas grandes super-potências não chegam a entrar em confronto directo, pois ambas temem as armas do adversário.
Este desacordo ideológico é notório: os vencedores divergem em relação ao regime político que deve permanecer na Europa e aos métodos utilizados para a reconstrução europeia.
No final da guerra, formaram-se nos países ocupados, governos de unidade nacional anti-fascistas, que dois anos depois, polarizados e controlados pelas duas super-potências se dividiram em anti-comunistas e pró comunistas.
Nos países de leste, os partidos comunistas governam as democracias populares, sendo excluídos todos aqueles que não perfilhem a ideologia comunista.
Do lado oposto, os comunistas são afastados do governo e progressivamente marginalizados da vida política.
O clima de desconfiança e de competição entre os dois blocos provocou ataques de propaganda e espionagem, pois ambos os sistemas acreditavam que o adversário pretendia dominar o mundo.
A guerra-fria durou na Europa e no mundo entre 1947 e 1989.
 A Coexistência pacífica – caracterização
Depois de 1955, dá-se início a uma política de entendimento ou de coexistência pacífica, que provoca a diminuição de tensão e leva ao degelo e à cooperação entre os EUA e a URSS.
Com o fim da Guerra da Coreia, passou a existir um maior equilíbrio das forças militares das duas grandes potências.
A morte de Estaline possibilitou a ascensão de Nikita Krutchev na URSS, que, juntamente com Eisenhower (e, posteriormente, Kennedy) nos EUA, fez com que os 2 blocos adoptassem uma nova política, mais direccionada no sentido do diálogo.
Ambas as potências, adoptam então uma política de não interferência nos conflitos em zonas sob influência de cada uma delas, sendo isto visível nos acontecimentos ocorridos na Hungria, na Polónia e na Questão do Canal do Suez.
Outra das razões para esta diminuição de tensão, foi o facto de cada um dos Blocos enfrentar problemas internos.
Os EUA são abalados pela França de De Gaulle, que abandona a NATO; na América Latina, focos de guerrilha revolucionária surgem; e no Vietname, a resistência do inimigo, juntamente com a pressão tanto internacional como interna, obrigam os EUA a retirar.
Por sua vez, a URSS debate-se também com vários problemas: dá-se a cisão do Bloco Comunista, devido à ruptura da China, que segue o seu próprio rumo – maoismo; surgem também problemas na Europa, nomeadamente na Hungria, na Polónia, na Roménia e na Checoslováquia, pondo, esta última, em causa o estalinismo (as forças do Pacto de Varsóvia põem fim à “Primavera de Praga”).
Acontecem, porém, alguns conflitos localizados em certas zonas do globo, tais como o levantamento do Muro de Berlim, a Crise dos Mísseis de Cuba e, a já referida, Guerra do Vietname, que mostraram as bases frágeis da coexistência pacífica.
Em 1963, os EUA e a URSS retomam a política da coexistência pacífica. Foram tomadas várias medidas, entre as quais, o estabelecimento de um telefone vermelho entre a Casa Branca e o Kremlin, a proibição das experiências nucleares na atmosfera, a realização de tratados de não proliferação de armas nucleares, a realização de negociações sobre a limitação do armamento (SALT) e a realização da Conferência para a Segurança e Cooperação na Europa, na qual é afirmado o respeito pelos direitos do homem, a inviolabilidade das fronteiras europeias, a cooperação científica, técnica e económica e o princípio da não ingerência.
 O progressivo apaziguamento a partir dos anos 1970
 Já antes, na Reunião do XXIII Congresso do Partido Comunista da URSS, em 1966, se reafirmaram os princípios da “coexistência pacífica”: recurso a negociações para solucionar divergências; recusa da guerra, desenvolvimento da cooperação económica e cultural em pé de igualdade e proveito mútuo.
Posteriormente, a Conferência sobre a Segurança e a Cooperação na Europa (1975), enumera um conjunto de princípios com vista à paz: igualdade soberana entre os Estados; não recurso à ameaça ou ao emprego da força; inviolabilidade das fronteiras; integridade territorial dos Estados; regulação pacífica dos diferendos; não intervenção nas questões internas; respeito pelos direitos humanos e liberdades fundamentais: de pensamento, consciência, religião ou convicção; igualdade de direitos dos povos e direito dos povos a disporem de si mesmos; e cooperação entre os Estados.
 Portugal: a estagnação do mundo rural 
Em 1945, Portugal era um dos países menos desenvolvidos da Europa.
Mais de metade da população trabalhava no sector primário, o que revelava o atraso da economia portuguesa, nomeadamente da agricultura.
Apesar das campanhas de produção das décadas de 1930 e 1940, o país agrário continuava um mundo sobrepovoado e pobre, com índices de produtividade que, em geral, não atingiam sequer a metade da média europeia.
Os estudos apontavam como essencial o redimensionamento da produtividade, que apresentava uma profunda assimetria Norte-Sul: no sul do país (onde predominavam os latifúndios), prevalecia a escassa mecanização e o absentismo dos proprietários que mantinham a produtividade muito baixa; no norte, constituído maioritariamente por zonas de pequena propriedade, continuava a praticar-se uma agricultura tradicional, pouco produtiva.
Portugal importava, por isso, grandes quantidades de produtos agrícolas.
A partir do início da década de 1950, alguns capitalistas e alguns responsáveis governamentais passaram a defender que o crescimento industrial deveria ser o verdadeiro motor de todo o sistema económico nacional. Assim, elaboraram-seplanos, que tornaram como referência a exploração agrícola média, fortemente mecanizada, capaz de assegurar um rendimento confortável aos seus proprietários e, assim, contribuir também para a elevação do consumo de produtos industriais.
Tal como já tinha acontecido no passado, ergueu-se no contra estas novas medidas, a cerrada oposição dos latifundiários do Sul, que utilizaram a sua grande influência política as inviabilizarem.
 Desta forma, as alterações na estrutura fundiária acabaram por nunca se fazer e a politica agrária esgotou-se em subsídios e incentivos que pouco efeito tiveram e beneficiaram os grandes proprietários do Sul e os grandes vinhateiros.
Na década de 1960, quando o país enveredou decididamente pela via industrializadora e concentração urbana, a agricultura viu-se relegada para o segundo plano.
Esta década saldou-se por um decréscimo brutal da taxa de crescimento do Produto Agrícola Nacional.
E por um êxodo rural maciço, que esvaziou as aldeias do interior.
 O surto industrial e urbano 
A política de autarcia empreendida pelo Estado Novo não atingiu os seus objectivos.
 Portugal continuou dependente da importação de matérias-primas, energia, bens de equipamento e outros produtos industriais, adubos e alimentos.
Quando os países que tradicionalmente nos forneciam se envolveram na guerra, os abastecimentos tornaram-se precários e grassou a penúria e a carestia.
Assim, em 1945, a Lei do Fomento e Reorganização Industrial estabelece as linhas mestres da política industrializadora dos anos seguintes.
Entretanto, Portugal assinou em 1948, o pacto fundador da OECE, integrando-se nas estruturas de cooperação previstas no Plano Marshall, e embora pouco tenhamos beneficiado da ajuda americana, a participação na OECE reforçou a necessidade de um planeamento económico, conduzindo então à elaboração dos Planos de Fomento, que caracterizaram a política de desenvolvimento do Estado Novo.
O 1.º Plano de Fomento (1953-58) não rejeitou a agricultura, embora tenha reconhecido a importância da industrialização para a melhoria do nível de vida.
O plano baseou-se ainda num conjunto de investimentos públicos que se distribuía por vários sectores, com prioridade para a criação de infraestruturas.
No 2.º Plano de Fomento (1959-64) alargou-se o montante investido e elegeu-se a indústria transformadora de base como sector a privilegiar (siderurgia, refinação de petróleos, adubos, químicos).
Pela primeira vez, a política industrializadora é assumida sem ambiguidades, subordinando-se a agricultura que sofreria os efeitos positivos da industrialização.
Os anos 60 trouxeram, porém, alterações significativas à política económica portuguesa.
No decurso do II Plano, Portugal integrou-se na economia europeia e mundial: tornou-se um dos países fundadores da EFTA (ou AECL – Associação Europeia de Comercio Livre), e mais tarde dois decretos-lei que aprovam o acordo do BIRD e do FMI, e por último um protocolo com o GATT. A adesão a estas organizações marca a inversão da política da autarcia do Estado Novo.
O Plano Intercalar de Fomento (1965-67) enfatiza já as exigências da concorrência externa inerentes aos acordos assinados, e a necessidade de rever o condicionamento industrial, que se considerava desadequado às novas realidades.
O grande ciclo salazarista aproximava-se do fim.
Em 1968, a nomeação de Marcelo Caetano para o cargo de Presidente de Conselho inaugura, com o 3.º Plano de Fomento (1968-73), uma orientação completamente nova.
A implementação deste novo plano veio confirmar a internacionalização da economia portuguesa, o desenvolvimento da indústria privada como sector dominante da economia nacional, o crescimento do sector terciário e consequente incremento urbano.
 No que concerne à internacionalização da economia, assistiu-se ao fomento da exportação de produtos nacionais, num quadro de afirmação cada vez mais consistente da livre concorrência, e à abertura do país aos investimentos estrangeiros, em especial quando geradores de emprego e portadores de tecnologias avançadas.
Esta política conduziu à consolidação dos grandes grupos económico-financeiros e ao acelerar do crescimento nacional, que atingiu, então, o seu pico.
No entanto, o país continuou a sentir as exigências da guerra colonial e o seu enorme atraso face à Europa desenvolvida.
Este surto industrial traduziu-se inevitavelmente no crescimento no sector terciário e progressiva urbanização do país.
Em 1970, 75% da população portuguesa vivia em cidades e cerca de metade desta população urbana vivia em cidades com mais de 10 000 habitantes.
Viveu-se em Portugal, no terceiro quartel do século XX, o fenómeno urbano que caracterizou a Europa no século anterior.
Com efeito, sobretudo as cidades do litoral, onde se onde se concentravam as grandes industrias e os serviços, viram a aumentar os seus efectivos populacionais, concentrados nas áreas periféricas.
É o tempo da formação, em torno das grandes cidades, dos “dormitórios” de populações que, diariamente, passaram a dirigir-se para os locais de trabalho, tornando obsoleto o sistema de transportes públicos.
Quer dizer que, à semelhança do que ocorreu na Europa industrializada, também em Portugal se fizeram sentir os efeitos da falta de estruturas habitacionais, de transportes, de saúde, de educação, de abastecimento, tal como os mesmos problemas de degradação da qualidade de vida, de marginalidade e de clandestinidade a que os poderes públicos tiveram de passar a dar resposta.
 A emigração portuguesa 
Fenómeno persistente da história portuguesa, a emigração reduziu-se drasticamente nas décadas de 1930 e 1940, devido, primeiro, à Grande Depressão e, em seguida, à Segunda Guerra Mundial.
 O crescimento económico proporcionado pela industrialização das décadas seguintes, embora significativo, era insuficiente para que Portugal recuperasse do atraso que o separava dos países mais desenvolvidos.
Esta situação de atraso afectava sobretudo as populações rurais, cujas condições de vida eram particularmente difíceis: a produtividade agrícola era baixíssima.
A pobreza do campesinato deu origem a um excepcional movimento migratório, quer para os principais centros urbanos portugueses, quer para o estrangeiro, visto que nesta época, para além da atracção pelos altos salários do mundo industrializado, há que ter em conta os efeitos da guerra colonial (a perspectiva do recrutamento compulsivo para a guerra de África foi um dos motivos que também pesou na fuga para o estrangeiro).
Foi nos anos 1960 que as periferias de Lisboa e do Porto cresceram rápida e desordenadamente, e aqueles que migravam para estas cidades, nem sempre mudavam para melhor, muitos deles passavam a viver em bairros de lata ou bairros clandestinos.
No entanto, o maior destino da população rural portuguesa seria, porém, a emigração para os países desenvolvidos.
 Embora a emigração fosse uma constante de longa data na sociedade portuguesa, sofreu, a partir da década de 60, um dramático aumento.
O destino principal deste novo surto migratório foi sobretudo a França, seguido em menor escala pela América do Norte e do Sul.
O Brasil que até à década de 50 era o principal destino, perde gradualmente o seu poder de atracção. Metade desta emigração fez-se clandestinamente.
A legislação portuguesa subordinava o direito de emigrar, colocando-lhe restrições, como a exigência de um certificado de habilitações mínimas a todos os que tivessem mais de 14 anos.
Com o deflagrar da guerra colonial, juntou-se a estes requisitos a exigência do serviço militar cumprido, obrigação a que muitos se pretendiam eximir.
Sair a «salto», como então se dizia, tornou-se a opção de muitos portugueses.
 Não obstante esta política restritiva, o Estado procurou salvaguardar os interesses dos nossos emigrantes, celebrando, no início da década de 1960, acordos com os principais países de acolhimento.
Estes acordos permitiram ao país, receber um montante muito considerável de divisas: as remessas dos emigrantes.
Em consequência deste surto emigratório, a população estagnou.
Certas regiões, em especial no interior, quase se despovoaram.
O resultado deste abandono dos campos foi a diminuição da produção agrícola e o aumento da importação de bens alimentares.
Apesar de tudo, a emigração trouxe também benefícios ao país.
As remessas em divisas estrangeiras contribuíram, juntamente com as receitas do turismo, para atenuar o desequilíbrio das contas com o exterior.
 O fomento económico nas colónias 
No pós-guerra o fomento económico das colónias passou também a constituir uma preocupação do Governo.
Com efeito, nos inícios dos anos 50, o conceito de província ultramarina não se coadunava com as formas tipicamente coloniais de exploração dos territórios africanos.
O entendimento das colónias como extensões naturais do território metropolitano tinha, forçosamente, de levar o Governo de Salazar a autorizar a instalação das primeiras indústrias como alternativa económica à exploração do trabalho negro nas grandes fazendas agrícolas.
Havia necessidade de demonstrar à comunidade internacional que o Governo Central se empenhava no fomento económico das suas “províncias ultramarinas” como forma de legitimar este novo conceito de colónias.
Acrescia que a industrialização dos territórios ultramarinos era cada vez mais entendida como um factor determinante do desenvolvimento da economia metropolitana.
Os sucessivos planos de fomento previam, também, para os territórios africanos, em especial para Angola e Moçambique, medidas impulsionadoras do seu desenvolvimento como as implementadas na metrópole. Logo em 1953, Angola e Moçambique foram contempladas com avultados investimentos para a criação de infraestruturas, sobretudo ligadas aos transportes, à produção de energia e de cimento para a construção urbana.
A modernização do sector agrícola, tendo em vista a grande produção de produtos tropicais e a extracção de matérias-primas do rico subsolo angolano, tendo em vista o mercado internacional que foram também preocupações do I Plano de Fomento.
Associado a este fomento económico esteve o lançamento de projectos de colonização intensiva com população branca, sobretudo após o início da guerra.
A consolidação da presença portuguesa em áreas onde era pouco notada a influência branca era também uma forma de evidenciar a particularidade das relações de Portugal com as suas colónias e, por outro lado, constituía uma forma de atrair as populações locais para o lado português e suster o avanço dos guerrilheiros.
O fomento económico das colónias intensificou-se, com efeito, em consequência da eclosão da guerra na sequência do lançamento da ideia de Salazar em construir um Espaço Económico Português (EEP).
É no âmbito deste objectivo que se assiste à beneficiação de vias de comunicação, à construção de escolas, hospitais e, sobretudo, ao lançamento de obras grandiosas.
 A radicalização das oposições
Em Maio de 1945, grandes manifestações celebraram, nas ruas da capital, a derrota da Alemanha.
As democracias, aliadas à União Soviética, tinham vencido a guerra e mostrado assim, a sua superioridade face aos regimes repressivos de direita. Salazar, tirou deste facto, a ideia de que o seu regime deveria democratizar-se ou corria o risco de cair.
É neste contexto que, o Governo toma a iniciativa de antecipar a revisão constitucional (Constituição de 1933 que consagra a ideologia do Estado Novo), dissolver a Assembleia Nacional e convocar eleições antecipadas, que Salazar anuncia «tão livres como na livre Inglaterra».
Um clima de optimismo instala-se entre aqueles que viam com maus olhos o Estado Novo; nasce a MUD (Movimento de Unidade Democrática), que congregou a força da oposição. O impacto deste movimento dá início à chamada oposição democrática.
O MUD formula algumas exigências, tais como: o adiamento das eleições, a reformulação dos cadernos eleitorais, a imprescindível liberdade de expressão, de reunião e de informação.
Nenhuma das reivindicações do Movimento foi satisfeita, pelo que o acto eleitoral não passou de uma farsa. As listas de adesão ao MUD, que o Governo requereu a fim de «examinar a autenticidade das assinaturas», forneceram à polícia política as informações necessárias para uma repressão eficaz, tendo muitos aderentes ao MUD sido interrogados, presos e despedidos do seu trabalho.
Em 1949, a oposição volta a ter uma nova oportunidade de mobilização, desta vez em torno da candidatura de Norton de Matos às eleições presidenciais, sendo a primeira vez que um candidato da oposição concorria à Presidência.
A sua concorrência entusiasmou o país, da mesma forma que o desiludiu com a sua desistência, enfraquecendo assim a oposição democrática.
O Governo pensou ter controlado a situação até que, em 1958, a candidatura de Humberto Delgado a novas eleições presidenciais desencadeou um autêntico terramoto político.
Conhecido como o «General Sem Medo», anunciou o seu propósito de não desistir das eleições e anunciou a sua intenção de demitir Salazar:
Contra a sua campanha, o Governo tentou de todas as formas limitar os seus movimentos, acusando-o de provocar «agitação social».
 Concluídas as eleições presidenciais, o resultado revelou mais uma vitória esmagadora do candidato do regime, Américo Tomás, mas desta vez, a credibilidade do Governo ficou indelevelmente abalada.
Salazar teve consciência de que outro terramoto político podia acontecer e que começava a ser difícil para o regime continuar a enganar a opinião pública e subtrair-se às opressões da comunidade internacional.
Por isso, Salazar introduziu mais uma alteração à Constituição, segundo a qual era anulada eleição por sufrágio directo do Presidente da Republica que passava a ser eleito por um colégio eleitoral restrito.
A necessidade de divulgar internacionalmente a natureza antidemocrática do regime levou a oposição a intensificar a sua acção de contestação, recorrendo a actos de maior impacto, pela relevância das personagens intervenientes e pela espectacularidade das acções, como são os casos da famosa carta do bispo do Porto (contém criticas contundentes relativas à situação político-social e religiosa do país); o exílio e assassinato de Humberto Delgado (acabou destituído das suas funções militares e, para poder continuar a desenvolver a sua acção em prol da democracia, retirou-se para o Brasil.
Em 1963, fixa-se na Argélia, onde passa a dirigir a Frente Patriótica de Libertação Nacional.
A sua acção era de tal modo influente que acabou por ordem de Salazar a ser assassinado); e o assalto ao “Santa Maria” (em pleno mar das Caraíbas, o navio português “Santa Maria” é assaltado e ocupado pelo comandante Henrique Galvão, como forma de protesto contra a falta de liberdade cívica e política em Portugal.
Apesar da tentativa por parte do Governo em evitar a compreensão deste acto, as instâncias internacionais souberam-no e entenderam-no como um verdadeiro acto de protesto legítimo.
Para além destes actos oposicionistas, a eclosão da guerra colonial traz ao regime a sua maior e derradeira prova.
 A questão colonial 
A Partir de 1945, a questão colonial passa a constituir mais um sério problema para Portugal.
A nova ordem internacional instituída pela Carta das Nações Unidas e a primeira vaga de descolonizações tiveram importantes repercussões na política colonial do Estado Novo.
Com efeito, a partir do momento em que a ONU reconhece o direito à autodeterminação dos povos e em que as grandes potências coloniais começam a negociar a independência das suas possessões ultramarinas, torna-se difícil para o Governo português manter a política colonial instituída com a publicação do Acto Colonial, em 1930.
A simples mística imperial começava a revelar-se ultrapassada para explicar as posições coloniais do Estado Novo.
Salazar teve de procurar soluções para afirmar a vocação colonial de Portugal e para recusar qualquer cedência às crescentes pressões internacionais.
As soluções implementadas passaram pela adaptação aos novos tempos.
Numa 1.ª fase, apostou-se em duas vertentes complementares: uma ideológica e outra jurídica.
Em termos ideológicos, era a mística do império, inspirada na teoria do sociólogo Gilberto Freire, designada como teoria luso-tropicalismo, que serviu para retirar o carácter opressivo nas colónias.
Esta teoria garantia ainda o não interesse económico dos Portugueses sobre as colónias, e que a presença destes em África era uma manifestação de extensão, a outros continentes, da histórica missão civilizadora de Portugal, explicada, por exemplo, pela falta de contestação à presença portuguesa.
Em termos jurídicos, procede-se à revisão constitucional de 1951, em pleno processo internacional de descolonização, Salazar revoga o Acto Colonial e insere o estatuto de colónias por ele abrangido na Constituição.
Todo o território português ficava abrangido pela mesma lei fundamental.
Para melhor concretizar esta integração, desaparece o conceito de colónia que é substituído pelo de província, desaparecendo o conceito de Império Português, que é substituído pelo conceito de Ultramar Português.
 Embora externamente a manutenção do colonialismo português cedo fosse posta em causa, a nível interno, a presença portuguesa em África quase não sofreu contestação até ao início da guerra colonial.
Sobre a "Guerra Colonial Portuguesa", consulte, neste blog, o link: http://viajandonotempo.blogs.sapo.pt/6583.html
 A “Primavera Marcelista”
Em, 1968, perante a intensificação da oposição interna e das denúncias internacionais do colonialismo português, o afastamento de Salazar por doença, parecia finalmente abrir as portas do regime à liberalização democrática.
A presidência do Conselho de Ministros foi entregue a Marcello Caetano que subordinou a sua acção política a um princípio original de renovação na continuidade.
Pretendia o novo governante conciliar os interesses políticos dos sectores conservadores com as crescentes exigências de democratização do regime.
Continuidade para uns, renovação para outros.
Numa primeira fase da sua acção governativa, empreendeu alguma dinâmica reformista ao regime: permitindo o regresso de alguns exilados, como o Bispo do Porto e Mário Soares; abrandando a repressão policial e a censura; concedendo alguma abertura à União Nacional (rebaptizada, na década de 1970, Acção Nacional Popular – ANP); mudando o nome à PIDE para Direcção-Geral de Segurança - DGS; concedendo o direito ao voto da mulher alfabetizada; legalizando movimentos políticos opositores ao regime; permitindo a consulta dos cadernos eleitorais e fiscalização das mesas de voto; e proporcionando a reforma democrática do ensino.
Foi neste clima de mudança, que ficou conhecido como «Primavera Marcelista», que se prepararam as eleições legislativas de 1969, onde a oposição pura e simplesmente não elegeu qualquer deputado. As eleições acabaram por constituir mais uma fraude.
A Assembleia Nacional continuava dominada pelos eleitos na lista do regime, incluindo apenas uma ala liberal de jovens deputados cuja voz era abafada pelas forças conservadoras.
Acabadas as esperanças de uma real democratização do regime, Marcello Caetano viu-se sem o apoio dos liberais, e alvo da hostilidade dos núcleos mais conservadores, que imputavam à política liberalizadora a onda de instabilidade que, entretanto, tinha assolado o País.
Desta forma, Marcello Caetano começa a dar sinais de esquecer a evolução e privilegia a continuidade: o movimento de contestação estudantil é repreendido pelo regime; intensifica-se a censura e repressão policial (nova vaga de prisões); alguns opositores, como Mário Soares, são novamente remetidos a exílio; Américo Tomás (77 anos e conotado com a ala ultra-conservadora) é reconduzido novamente ao cargo de presidente da Republica, por um colégio eleitoral restrito.
Alvo de todas as criticas, incapaz de evoluir para um sistema mais democrático, o regime continua, ainda, a debater-se com o grave problema da guerra colonial.
 A Revolução de 25 de Abril de 1974 
 Em 1974, enquanto o regime agonizava, o problema da guerra colonial continuava por resolver.
Na Guine, onde a PAIGC ocupava parte significativa do território e já tinha declarado a independência unilateral, a guerra estava perdida.
A situação em Angola e Moçambique, continuava num impasse.
Entretanto, intensificava-se a condenação internacional da política colonial do regime à medida que cresciam os apoios políticos e militares aos movimentos independentistas.
Perante a recusa de uma solução política pelo Governo marcelista, os militares entenderam que se tornava urgente pôr fim à ditadura e abrir o caminho para a democratização do país.
A esta conjuntura política, de manutenção da guerra colonial, há que juntar a publicação do livro “Portugal e o Futuro”, de Spínola que influencia os jovens oficiais (contestava a política colonial, defendia a liberalização do regime, a adesão de Portugal à CEE e o fim da guerra colonial, com a constituição de uma federação de Estados) e a formação do movimento dos capitães (1973).
São as Forças Armadas, assim organizadas, que vêm para a rua na madrugada de 25 de Abril de 1974 e conseguem levar a cabo uma acção revolucionária que pôs fim ao regime de ditadura que vigorava desde 1926.
A acção militar, sob coordenação do major Otelo Saraiva de Carvalho, teve início cerca das 23 horas do dia 24 com a transmissão, pela rádio, da canção “E Depois do Adeus”, de Paulo de Carvalho.
Era a primeira indicação aos envolvidos no processo de que as operações estavam a decorrer com normalidade.
Às 0:20 do dia 25 de Abril, era transmitida a canção “Grândola, Vila Morena”, de José Afonso.
Estava dado o sinal de que as unidades militares podiam avançar para a ocupação dos pontos considerados estratégicos para o sucesso do acto revolucionário, como as estações de rádio e da RTP, os aeroportos civis e militares, as principais instituições de direcção político-militar, entre outros.
Com o fim da resistência do Regimento de Cavalaria 7, a única força que saiu em defesa do regime em confronto com o destacamento da Escola Prática de Cavalaria de Santarém comandado pelo capitão Salgueiro Maia, no Terreiro do Paço, e com a rendição pacífica de Caetano, que dignamente entregou o poder ao general Spínola, terminava, ao fim da tarde, o cerco ao quartel da GNR, no Carmo, e terminava, com êxito, a operação “Fim do Regime”.
Entretanto, já o golpe militar era aclamado nas ruas pela população portuguesa, cansada da guerra e da ditadura, transformando os acontecimentos de Lisboa numa explosão social por todo o país, uma autêntica revolução nacional que, pelo seu carácter pacífico, ficou conhecida como a “Revolução dos Cravos”.
 O “25 de Abril” – caracterização
 A adesão pacífica da população ao acto revolucionário dos agora chamados “Capitães de Abril” constituiu um poderoso estímulo para que, imediatamente e sem quaisquer reservas, se desse início ao processo de desmantelamento do regime deposto.
Para garantir a normalidade governativa foi prontamente nomeada uma Junta de Salvação Nacional, com António Spínola, na qualidade de representante do MFA, na presidência, a quem foram entregues os principais poderes do Estado, até à formação de um Governo Provisório civil.
A esta instituição coube levar a cabo o processo de desmantelamento do regime, previsto no programa do FMA: exílio do Presidente da República e Presidente do Conselho de Ministros; desmantelamento da PIDE, DGS, Legião Portuguesa, Censura; amnistias aos presos políticos, bem como aos exilados políticos; formação de partidos políticos e sindicatos livres (direito à greve); promessa de eleições constituintes no prazo mínimo de um ano, bem como passar o poder para as mãos dos civis.
A 15 de Maio, para normalizar a situação politica, António de Spínola é nomeado Presidente da República e o advogado Adelino da Palma Carlos é convidado para presidir à formação do I Governo Provisório.
Os tempos, no entanto, não foram fáceis para as novas instituições democráticas.
Passados os primeiros momentos de entusiasmo popular na aclamação da liberdade conseguida, seguiram-se dois anos politicamente muito conturbados.
Com efeito, vieram ao de cima profundas divergências ideológicas que conduziram a graves confrontações sociais e políticas e chegaram a provocar situações de iminente conflito militar interno.
A 2 de Junho de 1975 abriu, em sessão solene, a Assembleia Constituinte.
Era a primeira que se reunia desde a elaboração da Constituição de 1911 e, tal como acontecera, os seus trabalhos decorreram num ambiente pós-revolucionário. A nova constituição entrou em vigor no dia 25 de Abril de 1976, exactamente dois anos após a «Revolução dos Cravos».
O seu texto resultou do compromisso das diferentes concepções ideológicas defendidas pelos partidos da Assembleia e congregou ainda medidas de excepção revolucionária.
No entanto, e apesar de todas as críticas e alterações de quer foi alvo, a Constituição de 1976 foi, sem dúvida, o documento fundador da democracia portuguesa.
Sobre o "25 de Abril" consulte neste blog, os links: http://viajandonotempo.blogs.sapo.pt/5913.html http://viajandonotempo.blogs.sapo.pt/5754.html
 A revisão constitucional de 1982 e o significado internacional da revolução portuguesa
 Seis anos após a entrada em vigor, foi efectuada a primeira revisão constitucional.
As principais alterações ocorreram na organização do poder político, uma vez que se conservaram as disposições de carácter económico (nacionalizações, intervencionismo do Estado, planificação, reforma agrária).
Foi abolido o Conselho da Revolução como órgão coadjuvante da Presidência da República.
Na mesma linha, limitaram-se os poderes do presidente e aumentaram-se os da instituição parlamentar.
O regime viu, assim, reforçado o seu cariz democrático-liberal, assente no sufrágio popular e no equilíbrio entre órgãos de soberania.
 O derrube da mais velha ditadura da Europa mereceu, na comunidade internacional, rasgados elogios, quer pela forma contida e não-violenta como foi conduzida a Revolução, quer pelo programa liberalizador que lhe esteve subjacente.
A revolução de Abril contribuiu, pois, para quebrar o isolamento e a hostilidade de que Portugal tinha sido alvo, recuperando o País a sua dignidade e a aceitação nas instâncias internacionais.
Para além desse reencontro de Portugal com o Mundo, o fim do Governo marcelista teve uma influência apreciável na evolução política espanhola.
Os ventos democráticos que, na Primavera de 1974, sopraram de Portugal, alimentaram os desejos de mudança e permitiram algumas reformas no seio do próprio regime, contribuindo para endurecer o último ano do franquismo.
No entanto, os espanhóis retiraram dela proveitosos ensinamentos, que os ajudaram a evitar o défice de autoridade e a desorientação que se verificou no nosso país.
A influência da revolução portuguesa estendeu-se também a África, onde a independência das nossas colónias contribuiu para o enfraquecimento dos últimos bastiões brancos da região, como a Rodésia e a África do Sul.
A descolonização portuguesa e a viragem política na Rodésia puseram em maior evidência a desumanidade do regime sul-africano, que, no entanto, em 1994, com as primeiras eleições, fizeram um homem negro como primeiro presidente de África do Sul.
 As transformações sociais e culturais do terceiro quartel do séc. XX.
A hegemonia dos EUA na cultura e a generalização da cultura de massas 
Os “media” e os tempos impuseram novos hábitos socioculturais.
O cinema converteu-se num grande espectáculo de massas, após 1945. A sua magia viu-se perpetuada no esplendor dos filmes a cor, projectados em ecrãs panorâmicos.
Surgem superproduções musicais que atraíram multidões e evitaram a decadência dos estúdios.
Ao mesmo tempo, Hollywood investia em temáticas socioculturais mais próximas do novo público que frequentava os cinemas. Entretanto, novos centros de produção cinematográfica irrompiam no Mundo. Apesar do seu poder apelativo, que retira espectadores às salas de cinema, a televisão não “mata” a magia do grande ecrã e o cinema, seja espectáculo de entretenimento ou obra séria, preserva o estatuto digno de Sétima Arte.
Os EUA assumem a dianteira no que toca a progressos tecnológicos que embaratecem a televisão e a tornam mais atractiva.
Bem cedo, a televisão se assumiu como um veículo privilegiado de entretenimento.
Ao entretenimento, a televisão associou o papel de fonte de informação e de conhecimento dos grandes acontecimentos internacionais.
Cientes do poder da TV, os políticos não a negligenciam.
Desde a campanha presidencial americana de 1960, ficou provado o impacto da televisão nos comportamentos eleitorais. A guerra passou a travar-se também como a opinião pública.
Poderosa e manipuladora a TV permanece o “media” que mais necessidades satisfaz.
O crescente protagonismo dos jovens nas sociedades ocidentais do pós-guerra e as maravilhas da electrónica contribuíram de forma decisiva para a popularidade da música ligeira a partir dos anos 50.
Muito em particularmente o rock and roll parecia ser a música que melhor exprimia a rebeldia e o anticonformismo de uma nova juventude.
Foi ainda em 1956 que, na cena nacional dos EUA, emergiu a primeira super-estrela do rock and roll: Elvis Presley.
Em 1962 surgem os Beatles, um grupo britânico de Liverpool que construiu uma das mais fulgurantes carreiras de que há memória na música ligeira.
Os Rolling Stones constituíram outro êxito da música britânica. Criaram, no entanto, uma imagem de “perigosos degenerados” A canção converteu-se em instrumento de crítica social e política.
O rock continuava a assumir-se como um dos pilares da contestação juvenil, que marcou profundamente o final dos anos 60.
A terciarização da sociedade.
Os 30 anos de expansão económica até 1973 acentuaram tendências anteriores ao nível da estrutura da população activa.
Assim, a mecanização da agricultura continuou a fazer regredir a percentagem da população camponesa.
Relativamente à indústria, os avanços tecnológicos ocorridos contribuíram para a estabilização da respectiva mão-de-obra.
Foi ao nível do sector terciário que se verificou um forte crescimento, motivando a terciarização da sociedade, devido ao incremento das funções sociais do Estado, à complexificação da actividade económica, ao desenvolvimento dos meios de comunicação social e dos transportes.
 A oposição à homogeneização da sociedade de consumo e afirmação dos direitos da mulher 
Depressa a comunidade científica e os leigos se aperceberam do alto preço a pagar pelos progressos tecnológicos e pela sociedade de consumo.
Era necessário reduzir as experiências nucleares e dar mais atenção ao problema da poluição e do esgotamento dos recursos naturais.
Um conjunto de organizações e de iniciativas se sucederam, desde os anos 60, com o objectivo de controlar o crescimento económico e de garantir a protecção ambiental.
Nascia a ecologia.
O baby-boom do pós-guerra determina, nos anos 60, a existência de um excedente considerável de jovens. Procurando um estilo de vida alternativo ao dos progenitores, os jovens protagonizaram um poderoso movimento de contestação.
Nos EUA, as universidades de Berkeley e de Columbia, foram ocupadas (1964) pelos estudantes que exigiam mudanças radicais no funcionamento dos cursos.
Para além das suas reivindicações específicas, os estudantes americanos mostravam-se atentos aos grandes problemas que os cercavam, o que os fez envolverem-se no movimento pacifista que se insurgiu contra a participação dos EUA na guerra do Vietname.
Em 1968, Paris tornou-se o epicentro de uma revolta estudantil sem precedentes que atingiu a Europa. Ficou conhecida pelo nome de “Maio de 68”, a revolta estudantil parisiense.
A crise, que começou por ser um problema estudantil, ganhou rapidamente foros de sublevação social e política.
Apesar de fracassado, pela reposição pronta da ordem, o “Maio de 68” tornar-se-ia o símbolo de um combate em que se viveu um conflito de gerações, o descontentamento social e a reacção ao autoritarismo. Uma outra faceta da contestação juvenil fez-se sentir na revolução dos costumes desencadeada pelo movimento hippie.
Iniciado nos EUA, caracterizou-se pelo facto de os jovens assumirem atitudes de contracultura (estilo de vida juvenil que denuncia os valores materialistas da sociedade capitalista, aos quais contrapõe a ausência de regras sociais e morais, o espiritualismo, o pacifismo e o regresso à Natureza) em oposição às práticas sociais e à moral tradicional: uso de drogas, despojamento de bens, amor livre, grandes confraternizações. Ao longo da década de 1960, os movimentos feministas receberam um impulso notável, convertendo-se em instrumento de emancipação das mulheres.
O feminismo dos anos 60 tornou-se particularmente activo na luta pela igualdade de direitos da mulher.
Essa igualdade pretendeu-se civil, no trabalho e na vida afectiva.
Citam-se as campanhas pela contracepção, pelo direito ao divórcio e ao aborto, que mobilizaram a opinião pública, adquirindo um cariz de “revolução sexual” efectuada no feminino.