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quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Módulo 9 — ALTERAÇÕES GEOESTRATÉGICAS, TENSÕES POLÍTICAS E TRANSFORMAÇÕES SOCIOCULTURAIS NO MUNDO ACTUAL

Módulo 9 — ALTERAÇÕES GEOESTRATÉGICAS, TENSÕES POLÍTICAS E TRANSFORMAÇÕES SOCIOCULTURAIS NO MUNDO ACTUAL
1. O fim do sistema internacional da Guerra Fria e a persistência da dicotomia Norte-Sul
1.1. O colapso do bloco soviético e a reorganização do mapa político da Europa de Leste. Os problemas da transição para a economia de mercado.
1.2. Os pólos do desenvolvimento económico
• Hegemonia dos Estados Unidos: supremacia militar, prosperidade económica, dinamismo científico e tecnológico.
• Consolidação da comunidade europeia; integração das novas democracias da Europa do Sul; a União Europeia e as difi culdades na constituição de uma Europa política.
• Afirmação do espaço económico da Ásia-Pacífico; a questão de Timor.
• Modernização e abertura da China à economia de mercado; a integração de Hong-Kong e de Macau.
1.3. Permanência de focos de tensão em regiões periféricas
• Degradação das condições de existência na África subsaariana; etnias e Estados.
• Descolagem contida e endividamento externo na América latina; ditaduras e movimentos de guerrilha; a expansão das democracias.
• Nacionalismo e confrontos políticos e religiosos no Médio Oriente e nos Balcãs.
2. A viragem para uma outra era
2.1. Mutações sociopolíticas e novo modelo económico
• O debate do Estado-Nação; a explosão das realidades étnicas; as questões transnacionais: migrações, segurança, ambiente.
• Afirmação do neoliberalismo e globalização da economia. Rarefacção da classe operária; declínio da militância política e do sindicalismo.
2.2. Dimensões da ciência e da cultura no contexto da globalização
• Primado da ciência e da inovação tecnológica; revolução da informação; ciência e desafios éticos; declínio das vanguardas e pós-modernismo.
• Dinamismos socioculturais: revivescência do fervor religioso e perda de autoridade das Igrejas; individualismo moral e novas formas de associativismo; hegemonia da cultura urbana.
3. Portugal no novo quadro internacional
• A integração europeia e as suas implicações. As relações com os países lusófonos e com a área iberoamericana.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Modulo 9 - ALTERAÇÕES GEOESTRATÉGICAS, TENSÕES POLÍTICAS E TRANSFORMAÇÕES SOCIOCULTURAIS NO MUNDO ACTUAL

Modulo 9 - ALTERAÇÕES GEOESTRATÉGICAS, TENSÕES POLÍTICAS E TRANSFORMAÇÕES SOCIOCULTURAIS NO MUNDO ACTUAL
Orientação Geral:
O módulo 9 centra-se no estudo da evolução ocorrida nas sociedades contemporâneas, na viragem do século XX para o século XXI, devendo ser desenvolvido de acordo com a seguinte orientação:
 - proporcionar uma visão do novo quadro internacional decorrente das transformações dos anos 80, evidenciando a diversidade de situações no mundo contemporâneo;
- destacar as alterações decorrentes da sociedade da informação e das novas perspectivas de globalização;
 - reflectir sobre a especificidade do percurso português no último quartel do século XX.
Tempo previsto: 26 aulas, sendo de aprofundamento os pontos 1.2., 2.1. e 3., para os quais serão reservadas 18 aulas.
Aprendizagens do Ensino Básico consideradas como suporte: As transformações do mundo contemporâneo.
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Na sequência da actividade desenvolvida, relevam-se as seguintes aprendizagens:
- compreender o impacto da desagregação do bloco soviético na evolução geopolítica internacional;
- **caracterizar pólos de desenvolvimento económico uniformizados pela economia de mercado e diferenciados pelas áreas culturais de pertença;
 - **analisar as dinâmicas de transformação da Europa, identificando a sua importância no sistema mundial e perspectivando nesse processo a situação de Portugal;
- **reconhecer a crise das sociedades do “Terceiro Mundo” e o papel da Guerra Fria e do seu desfecho na persistência de tensões pluriétnicas ou nacionalistas em regiões periféricas;
 - **analisar elementos definidores do tempo presente – fenómeno da massificação; hegemonia da cultura urbana; triunfo da electrónica; ideologia dos direitos humanos; consciência ecológica;
- **valorizar uma nova cidadania de envolvimento em causas universais de dimensão ética. *Conceitos/**Aprendizagens estruturantes

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Organização Mundial do Comércio (OMC)

Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT)

 Conjunto de acordos de comércio internacional que têm como fim a abolição das tarifas e das taxas aduaneiras entre os países signatários.
O primeiro acordo foi estabelecido em 1947, em Genebra, sob os auspícios da Organização das Nações Unidas, por 23 países, e tinha como fim harmonizar as políticas aduaneiras dos estados signatários.
As rondas de negociações mais importantes foram as chamadas "Kennedy Round" (1964-1967), "Tóquio Round" (1973-1979) e "Uruguai Round" (1886-1993).
Este último acordo foi assinado por 117 países e teve como objetivo reduzir os entraves ao comércio mundial, tornando-o mais interdependente pelas sucessivas reduções das pautas aduaneiras.
Pela primeira vez, este importante programa de liberalização do comércio mundial incluiu produtos agrícolas e serviços.
Os acordos sucessivos permitiram baixar a média das percentagens das tarifas mundiais aplicadas às mercadorias industriais de 40% em 1947 para 5% em 1993. Estes acordos tornaram-se uma espécie de código de conduta dos governos em matéria de comércio internacional.
Enquanto organização internacional, o GATT tem sede em Genebra, na Suíça, onde funcionava inicialmente o Secretariado, um Conselho de Representantes e uma Assembleia anual.
Estes órgãos foram substituídos nos anos 90 por uma única instituição, denominada Organização Internacional do Comércio.Portugal aderiu em 1962, sendo o 44.o subscritor do GATT
Organização Mundial do Comércio (OMC)

Organismo fundado a 1 de janeiro de 1995 com o objetivo de fazer cumprir as regras estabelecidas pelo GATT, nomeadamente no que respeita ao aumento do nível de vida e do rendimento real, à realização do pleno emprego, à otimização dos recursos mundiais e à preservação do ambiente.


A OMC integra 127 países e funciona através de uma Conferência Internacional Permanente e de uma Conferência Ministerial, o seu órgão máximo, onde cada país é representado por um ministro.
As decisões mais importantes são tomadas por unanimidade; os pormenores da aplicação das medidas são aprovados por maioria.

ASEAN

A Associação de Nações do Sudeste Asiático,
fundada em 1967,
foi uma forma que os cinco países fundadores
 
(Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura e Tailândia)
A Associação das Nações do Sudeste Asiático, conhecida pela sigla ASEAN (Association of Southeast Asian Nations), foi fundada a 8 de agosto de 1967, em Banguecoque, na Tailândia, pela Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura e Tailândia.
Em janeiro de 1984 juntou-se o Brunei, em julho de 1995 o Vietname, em julho de 1997 Laos e Myanmar e em abril de 1999 o Camboja.
Reunidos, os países que formam a ASEAN têm uma população de cerca de 500 milhões de habitantes e uma área de 4,5 milhões de quilómetros quadrados.
A fundação da ASEAN surgiu por iniciativa da Tailândia, quando este país pretendeu solucionar conflitos de interesses até aí existentes entre Indonésia, Filipinas e Malásia.
Os objetivos da ASEAN, expressos na sua declaração, são acelerar o crescimento económico, o progresso social e o desenvolvimento cultural e promover a paz e a estabilidade na região do sudeste asiático.
Aquando da primeira conferência da ASEAN, em fevereiro de 1976, foi assinado o Tratado de Amizade e Cooperação, onde vinham descritos os princípios a ser seguidos pelas nações aderentes.
 Entre eles constam o respeito mútuo pela independência, soberania, igualdade, integridade territorial e identidade nacional e o direito de cada nação de se guiar livre de interferência, subversão ou coerção exterior.
Ficou também definido nesse tratado que nenhuma nação deve interferir nos assuntos internos dos restantes, que os desentendimentos devem ser resolvidos de forma pacífica, que deve haver uma renúncia ao uso da força e uma efetiva cooperação entre todos.
Em 1992, os chefes de Estado dos países da ASEAN decidiram intensificar o diálogo sobre política e segurança de maneira a fomentar laços de cooperação, alargando essa medida aos restantes países da região Ásia-Pacífico. Desde então nunca houve conflitos armados entre países membros na região.
A nível económico, desde a fundação da ASEAN e através de vários tratados, cresceram bastante as trocas comerciais entre os estados membros. Em 1992 foi criada a uma zona de comércio livre de modo a desenvolver a competitividade da região, que assim passou a funcionar como um bloco unido.
O objetivo foi o de promover uma maior produtividade e competitividade. A nível de relações externas, a prioridade da ASEAN é fomentar o contacto com os países da região Ásia-Pacífico, mas foram também estabelecidos acordos de cooperação com o Japão, China e Coreia do Sul.
 Há também contactos regulares, anuais, com a União Europeia e Nações Unidas e com países como os Estados Unidos da América, Canadá e Rússia.
 O órgão decisivo mais poderoso da ASEAN é o Conselho Anual de Chefes de Estado. Também decorre anualmente um conselho de ministros dos Negócios Estrangeiros. Os outros setores, como a agricultura, energia, ambiente, legislação, trabalho, ciência, tecnologia, crime, turismo, transportes, juventude e economia são, também, discutidos com frequência. A ASEAN está representada através de delegações na Europa, Estados Unidos da América, Canadá, Japão, Austrália, Índia, China, Coreia do Sul, Paquistão e Rússia.
A ASEAN tem um secretário-geral com um mandato de cinco anos para coordenar e implementar as atividades da instituição.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

1989 Tiananmen

Protesto na Praça da Paz Celestial em 1989
Protesto na Praça da Paz Celestial em 1989
 Praça Tian'anmen, onde ocorreram os principais protestos.
O Protesto na Praça da Paz Celestial (Tian'anmen) em 1989, mais conhecido como Massacre da Praça da Paz Celestial, ou ainda Massacre de 4 de Junho consistiu em uma série de manifestações lideradas por estudantes na República Popular da China, que ocorreram entre os dias 15 de abril e 4 de junho de 1989.
O protesto recebeu o nome do lugar em que o Exército Popular de Libertação suprimiu a mobilização: a praça Tian'anmen, em Pequim, capital do país. Os manifestantes (em torno de cem mil) eram oriundos de diferentes grupos, desde intelectuais que acreditavam que o governo do Partido Comunista era demasiado repressivo e corrupto, a trabalhadores da cidade, que acreditavam que as reformas económicas na China haviam sido lentas e que a inflação e o desemprego estavam dificultando suas vidas.
O acontecimento que iniciou os protestos foi o falecimento de Hu Yaobang.
Os protestos consistiam em marchas (caminhadas) pacíficas nas ruas de Pequim.
 Devido aos protestos e às ordens do governo pedindo o encerramento dos mesmos, se produziu no Partido Comunista uma divisão de critérios (opiniões) sobre como se deveria responder aos manifestantes. A decisão tomada foi suprimir os protestos pela força, no lugar de atenderem suas reivindicações.
Em 20 de maio, o governo declarou a lei marcial e, na noite de 3 de junho, enviou os tanques e a infantaria do exército à praça de Tian'anmen para dissolver o protesto.
As estimativas das mortes civis variam: 400 a 800 e sete mil (segundo os manifestantes [carece de fontes]). O número de feridos é estimado em torno de sete mil e dez mil, de acordo com a Cruz Vermelha .
Diante da violência, o governo empreendeu um grande número de arrestos para suprimir os líderes do movimento, expulsou a imprensa estrangeira e controlou completamente a cobertura dos acontecimentos na imprensa chinesa. A repressão do protesto pelo governo da República Popular da China foi condenada pela comunidade internacional. No dia 4 os protestos estudantis se intensificam muito.
No dia 5 de junho, um jovem solitário e desarmado invade a Praça da Paz Celestial e anonimamente faz parar uma fileira de tanques de guerra.
O fotógrafo Jeff Widener, da Associated Press, registou o momento e a imagem ganhou os principais jornais do mundo.
O rapaz, que ficou conhecido como "o rebelde desconhecido" ou o homem dos tanques" foi eleito pela revista Time como uma das pessoas mais influentes do século XX.
 Sua identidade e seu paradeiro são desconhecidos até hoje.

domingo, 11 de maio de 2014

Adesão de Portugal à CEE

Portugal é membro de facto da União Europeia desde 1 de janeiro de 1986, após ter apresentado a sua candidatura de adesão a 28 de março de 1977 e ter assinado o acordo de pré-adesão a 3 de dezembro de 1980.
A adesão de Portugal à CEE é uma das consequências do 25 de abril de 1974 e das subsequentes alterações que esta resolução provocou nos aspetos económicos, político e social.
O 25 de abril vem pôr fim a uma política económica em desagregação, com enorme dependência externa, e a um poder político contestado por uma população com más condições de vida e fraco poder de compra. Com ele, Portugal perdeu o mercado colonial e vê-se obrigado a centrar mais a sua atenção no mercado europeu.
Para isso foi necessária uma grande transformação a todos os níveis. Após certa agitação e grandes dificuldades na nossa economia, acentuada pela recessão da economia mundial, em 1977 é feito o pedido de adesão à CEE.
A CEE vê com apreensão a adesão de Portugal, que terá de enfrentar enormes dificuldades face à sua situação económica.
Mas, a partir de 1980, a economia portuguesa e o poder político vão ter como primeira prioridade de política externa a adesão à CEE, verificando-se a partir de 1985 um período de expansão da atividade económica. Em 1 de janeiro de 1986 Portugal é formalmente membro da CEE, um marco importante para a situação atual de evolução da economia portuguesa.
 De 1986 a 1991 temos um período transitório de adesão à CEE, já que o nível de desenvolvimento de Portugal é inferior ao dos outros estados membros.
Para que Portugal possa vencer essa desigualdade, vai receber da CEE fundos estruturais que visam a modernização do setor produtivo. Mas a CEE também impõe certas diretivas no domínio legislativo que abrangem vários setores além do económico, como fiscalidade, energia, ambiente.
Portugal tem de adaptar gradualmente a sua legislação às normas comunitárias.
Neste período, a evolução da economia portuguesa é positiva, verificando-se um efetivo desenvolvimento económico. No entanto, ainda está longe o nivelamento da economia portuguesa pela dos outros estados membros.
E hoje põem-se os problemas da concretização da União Económica e Monetária, o que obriga Portugal a ter um desenvolvimento económico superior ao dos outros países da comunidade, para que não se mantenha este desnivelamento e possa cumprir os objetivos da União Europeia.

sábado, 10 de maio de 2014

Zonas Económicas Especiais na China


Zonas Económicas Especiais na China
As ZEEs (Zonas Económicas Especiais) foram idealizadas na China no governo Deng Xiaoping e implantadas a partir de 1980. Nelas, é permitido o funcionamento de uma economia capitalista. Através delas a China encontrou a solução para a sua estagnação económica, que naquele momento atingia todos os países socialistas e os afastava cada vez mais do desenvolvido mundo capitalista, em termos de produção de bens e geração de serviços. Implantou as ZCA (Zonas de Comercio Aberto) regiões abertas ao comercio exterior e também a entrada de multinacionais, desde que repeitadas as restrições e que se associem ao governo ou aos empresários chineses por meio de joint ventures (parceria). Em geral, a parceria vai dar 50% do lucro ao governo chinês e mesmo assim vale a pena investir por lá pois são inúmeras as vantagens de montar uma empresa numa ZEE chinesa. A localização das ZEE´s é estrategicamente favorável, pois: - ficam perto do litoral; - próximas de outros centros econômicos regionais, como a Coréia do Sul, Japão e Taiwan. Entre as vantagens oferecidas pelo estado chinês aos empreendimentos estrangeiros, encontram-se: - rendimentos livres de impostos (mas lembrando que o Estado chinês se torna sócio); - edificação em terrenos públicos; - infraestrutura de qualidade/eficiente (energia, estradas, portos,construções...); - baixo custo, em geral devido à mão de obra barata; - liberdade para remessa de lucros para o exterior; - facilidades para associação entre o capital estatal e os investimentos privados globais. Atualmente, a China é praticamente imbatível no comercio exterior assim conseguindo manter um crescimento próximo de 10% nos últimos anos e ser a 2ª economia mundial, superando o Japão e atrás somente da economia dos EUA. O Brasil é um grande parceiro da China; no Brasil os chineses têm negócios principalmente relacionados com o petróleo, têxteis e eletrônicos. Para a China vendemos, minério de ferro e soja em grãos.
 Observe também na figura abaixo que a concentração industrial chinesa é bastante próxima das ZEE´s e de seus principais rios.
Concentração industrial chinesa

China: Modernização e Abertura à Economia de Mercado

Depois da Revolução Cultural de 1966-69, idealizada e protagonizada por Mao Zedong, com o objetivo de mobilizar a China para a pureza ideológica e revolucionária empreendida na década de 50 do século XX. Brutal e purgatória, reforçou a ortodoxia do regime, que se manteve intocável até 1976, quando Mao morre, abrindo a luta pela liderança da China.
 É então que surge a linha dura da herança maoísta, da ortodoxia, corporizada no chamado "Bando dos Quatro" - no qual se destacava Chiang Ching, viúva de Mao - em oposição a uma corrente mais modernista e reformista, principalmente no aspeto económico, personificada por Deng Xiaoping, que se viu, entretanto, afastado até 1978.
 A Mao sucedeu um líder de transição, sem capacidade política, porém, Hua Kuo-Feng, controlado pela burocracia do PC Chinês e pelo exército, os quais recuperaram o poder perdido durante a Revolução Cultural. Hua conseguiu, no entanto, lançar algumas bases de modernização económica e algumas reformas. Depois, em 1978, começou a revolta palaciana de Deng Xiaoping, que dará novo ânimo às correntes reformistas e modernistas chinesas, aproximando o país da economia de mercado e eliminando os últimos núcleos maoístas do governo e do partido.
Deng Xiaoping
O intocável princípio socialista da propriedade estatal dos meios de produção não foi no entanto alterado por Deng, apesar da rápida abertura da China às empresas estrangeiras e ao diálogo com os EUA, iniciados em 1979, um ano antes do processo que o governo interpôs ao "Bando dos Quatro".
 De uma forma repentina, o "Grande Timoneiro" Mao praticamente desaparecia da sociedade e da política chinesas. O igualitarismo maoísta era já uma recordação, suplantado que era cada vez mais pela iniciativa e sucesso individuais entre os chineses, tutelados pelo reformista Zhao Ziyang, que em menos de uma década guindou a China a potência da economia de mercado.
As chamadas "quatro modernizações" (agricultura, indústria, defesa nacional, ciência/tecnologia) guindaram a China para esse estatuto, embora sem alterações de natureza política e ideológica, a chamada "quinta modernização" reivindicada por
setores do PC Chinês e da sociedade, como o astrofísico Fang Zhi-Li. Depois da explosão económica da primeira metade dos anos 80, chegariam os problemas da economia de mercado: inflação, desemprego, greves, tensão política, corrupção, êxodo rural, desigualdades sociais crescentes. A organização central chinesa conhecia os primeiros abalos desde a abertura ao capitalismo, o que reforçou a política de férreo controlo do poder por parte do governo de Pequim.
Hu Yaobang, delfim de Deng e reformista, foi afastado do poder em 1987, substituído por Zhao Ziyang, que salvou as reformas económicas.
 Todavia, a chegada do conservador Li Peng à chefia do governo trouxe ventos de imobilismo político, aos que somou o congelamento da maior parte das reformas económicas de Deng.
Clamavam-se reformas políticas, democráticas, principalmente entre os intelectuais e meios estudantis, mas Pequim não cedia: neste contexto, explodiu a repressão governamental aos estudantes em Tiananmen, na primavera de Pequim de 1989, depois da misteriosa morte do ícone reformista chinês, Hu Yaobang.
Mil mortos e dezenas de milhares de feridos, a lei marcial e as execuções sem fim foram o resultado do medo de Deng em perigar o regime e as reformas por si iniciadas, mantendo a contradição chinesa entre dogmatismo político e abertura económica em aceso antagonismo.
Deng responderia em 1992 com a "economia socialista de mercado da China".
Um país, dois sistemas, amplas contradições, um caldo chinês que foi acentuado ainda mais nos anos 90, depois do fim da URSS e a falência dos regimes comunistas e a imparável globalização económica mundial. Mas o boom chinês ainda estava para vir: entre 1993 e 1994, o socialismo capitalista da China produziu o maior crescimento económico jamais visto, 13%!
O maior PIB do mundo registado na época.
 Suplantando o Japão, a China tornou-se na maior potência económica da Ásia e uma das maiores do mundo.
 Um mundo que pressiona cada vez mais a China a obter iguais resultados em termos de evolução democrática, sem que se consiga derreter o gelo de Pequim.
Mas a inflação atingiria também cifras incríveis, como a de 25% em 1994. Deng morreria em 1997, quando o mundo hesitava, como hoje, em afrontar politicamente a China ou unir-se-lhe economicamente.
Sucedeu-lhe um seu discípulo, Jiang Zemin, adepto também da transição chinesa para o capitalismo, mas sem propósito modernistas do ponto de vista político.
 Deng morreu sem ver cumprido um dos desígnios do socialismo capitalista chinês: a incorporação de Hong Kong na República Popular da China (que ocorreria a 1 de julho de 1997), bem como de Macau (18 de dezembro de 1999), reforçando a modernidade socialista da China.
O capitalismo era a partir dessas incorporações territoriais parte integrante do país.
Na China passa a mandar cada vez mais o dinheiro, já não a honra, a dignidade e a virtudes (jen) confucianas, símbolos da respeitabilidade e honorabilidade dos chineses desde havia mais de 2500 anos.
O século XXI tornou-se na centúria da abertura total da economia da China e da sua modernização, a baixo custo de produção e crescente exportação e investimento no exterior.
Muitas empresas públicas chinesas foram transformadas em sociedades por ações, alvos de exponencial investimento estrangeiro.
Oficialmente, porém, os princípios socialistas do marxismo-leninismo em versão chinesa mantêm-se monolíticos, apesar de algumas tímidas reformas.
 Em 2015, porém, prevê-se, ao ritmo atual, que a China seja já a maior economia do mundo, poucas dezenas de anos depois da morte do Grande Timoneiro, Mao Zedong.

China - Um País e Dois Sistemas

As reformas de Deng XiaoPing 
 Deng Xiao Ping começou pela agricultura, transformando o mercado de produtos agrícolas no país:
- Foram extintas as comunas populares,fazendas coletivas da época de Mão Tse-tung.
 - Os agricultores receberam permissão para vender a produção após entregar a parte que cabia ao Estado, criando um pequeno mercado consumidor.
- O povo recebeu subsídios para comprar produtos agrícolas e ativar o mercado desses produtos.
- Criou-se o trabalho assalariado no campo, dando condições ao camponês de tornar-se consumidor.
 Essas medidas trouxeram como consequência o aumento da produtividade e o surgimento de uma abastada classe de agricultores.
A abertura no setor industrial, porém, só começou na década de 1980. Ao permitir a entrada de capital estrangeiro, o governo possibilitou a instalação de empresas de capital misto. As empresas estatais enfrentaram, pela primeira vez, o peso da concorrência.
Foram criadas as Zonas Económicas Especiais (ZEEs), verdadeiros "oásis capitalistas", onde capital, experiência e tecnologia estrangeiros eram muito bem-vindos.
As exportações tornaram-se prioridade do governo.
No entanto, a principal atração para os capitais estrangeiros era a barata e disciplinada mão-de-obra chinesa.
Em 1997,a China recebeu Hong Kong,que desde 1842 pertencia ao Reino Unido, aumentando ainda mais seu poder econômico, que desde a década de 1980 já vinha crescendo cerca de 10% ao ano.
 Nesse mesmo ano, morria o artífice da modernização da China, Deng Xiao Ping.
Seu substituto, Jiang Zemin, começou as negociações para o ingresso da China na Organização Mundial do Comércio (OMC}, o que se concretizou em 2001.
Em 1998, a China sofreu com a crise que afetou todo o mercado do Pacífico, do qual ela faz parte. Recuperou-se em 1999, alcançando um crescimento econômico de 1% nesse ano.
Desde então a economia chinesa se mantém estável.
 O outro lado do dragão
 Terceiro país do mundo em extensão (9 536 499 km2) e campeão absoluto em população (1,3 bilhão de habitantes em 2001), a China é um país de muitas faces.
As mudanças económicas que levantaram a economia chinesa também trouxeram alguns problemas.
As Zonas Económicas Especiais, beneficiadas por essa abertura, ocupam uma pequena parcela do litoral do território chinês, ao passo que a maior parte da população está concentrada nas áreas rurais do interior do país. Esse fato fez com que a riqueza se localizasse em alguns pontos, o que aumentou as desigualdades regionais já existentes e as migrações internas. O desemprego, que não era motivo de preocupação na economia planificada, passou a ser um problema crescente nessa nova fase, pois as indústrias localizadas nas ZEEs não conseguiam absorver toda a mão-de-obra disponível no país.
Os direitos humanos não são respeitados na China.
Prisões de dissidentes, perseguições a religiosos, execuções sem julgamento adequado de presos políticos e criminosos comuns são frequentes no país.
Além disso, a China desde 1950 domina politicamente o Tibete e reprime duramente o movimento separatista da província muçulmana de Xinjiang, no oeste do país.
Potência nuclear, a China tem atualmente como principal ponto de tensão as relações com Taiwan, que os chineses pretendem reintegrar como província ao seu território.
 Principais regiões naturais chinesas
 China ocidental, onde estão as províncias de Sin-kiang, a Mongólia Interior e o Tibete. Marcada por climas desérticos, semi desérticos e montanhosos, é a parte menos populosa e menos industrializada do país.
Além de ser rica em recursos minerais, a China ocidental possui áreas irrigadas para a agricultura. China oriental, que compreende a Mancharia e as Planícies Orientais.
O clima nessa região varia de norte para sul, de temperado continental a temperado oceânico, subtropical e de monções. As Planícies Orientais são formadas por terras férteis, compostas de sedimentos amarelos denominados loess, e atravessadas pêlos principais rios chineses - o Yang-tse-kiang e o Huang-ho. Rica em recursos minerais é a parte mais desenvolvida do país.
Aí se concentram as áreas industrializadas e estão localizadas as Zonas Econômicas Especiais.
A China oriental abriga 90% da população chinesa.

domingo, 4 de maio de 2014

NEOLIBERALISMO

Sobre as origens do neoliberalismo


A recente e aguda crise europeia tem levantado algumas questões a respeito do papel do Estado sobre a economia. As tais “medidas de austeridade” remontam às políticas neoliberais que tanto oneraram o mundo, principalmente em termos sociais, nas últimas décadas. Neste texto, vamos nos atentar às origens do neoliberalismo, para podermos entender melhor seus efeitos e resultados na atualidade. Para tanto, nos basearemos no texto Balanço do Neoliberalismo, de Perry Anderson (1995). O liberalismo clássico caminhou, aos trancos e barrancos, até o início do século passado, quando faliu junto com a quebra da bolsa de Nova York, culminando na crise de 1929. A partir de então, a política mundial passou a ser orientada pelo keynesianismo; um exemplo é o pacote do New Deal, do presidente estadunidense Franklin Roosevelt.

 Em 1944, é lançada a obra – considerada o “manifesto do neoliberalismo” – O caminho da servidão, do austríaco Friedrich Hayek.
Fazendo uma analogia entre a social-democracia inglesa e o nazismo alemão, Hayek defendia que limitações aos mecanismos de mercado por parte do Estado levavam ao cerceamento de liberdades, não só económicas como também políticas. Três anos depois, Hayek convocou uma reunião em Mont Pèlerin (Suíça), na qual participaram intelectuais contrários ao Estado de bem-estar europeu e também os inimigos do New Deal, entre eles o importante economista Milton Friedman.

Da reunião, fundou-se a Sociedade de Mont Pèlerin, com o objetivo de difundir ideias que preparassem para um novo capitalismo, duro e livre de regras para o futuro.
De início, os ideais neoliberais tiveram pouca repercussão, pois o capitalismo mundial vivia uma fase de auge sem precedentes, entre as décadas de 50 e 60.
 Foi a partir da Crise do Petróleo, em 1973, que o jogo virou.
 Milton Friedman (1912-2006): um dos grandes nomes do neoliberalismo, assessorou as reformas neoliberais do Chile e Estados Unidos.
Milton Friedman - O mito do almoço grátis
A cartilha neoliberal, pautada economicamente pela redução da participação do Estado, aumento do livre mercado e da concorrência, e socialmente pelo corte de gastos sociais, repressão às greves e sindicatos, aumento da desigualdade e do desemprego (entendidos como valores imprescindíveis), passou a ser aplicada no final dos anos 70, quando os governos europeus deixaram de tentar remediar a crise económica por remédios keynesianos.
 Os governos pioneiros foram, na Europa, Margaret Thatcher (Inglaterra),Helmut Khol (Alemanha) e Poul Schlüter (Dinamarca). Nas Américas,Augusto Pinochet (Chile) e Ronald Reagan (EUA).

Em contextos de Guerra Fria, na qual o neoliberalismo trouxe também uma versão intransigente de anticomunismo, “a onda de direitização desses anos tinha um fundo político para além da crise económica do período.”
(ANDERSON, 1995, p. 11).

O que fizeram, na prática, esses governos neoliberais?
O exemplo de Thatcher, além de pioneiro, é absolutamente didático.
A chefa de Estado britânica contraiu a emissão monetária, elevou a taxa de juros, baixou os impostos sobre os mais ricos, aboliu controles sobre os fluxos financeiros, criou altos índices de desemprego, reprimiu greves trabalhistas, impôs uma nova legislação anti-sindical e cortou gastos sociais.
Ainda, lançou um amplo programa de privatização, que começou com a habitação pública e passou ao aço, eletricidade, petróleo, gás e água.
 A repressão às greves foi uma grande marca do governo inglês de Margaret Thatcher (1979-1990), que enfrentou ostensivamente o sindicato dos mineiros.
Nos Estados Unidos, onde não havia um Estado de bem-estar nos moldes europeus, Reagan (assessorado por Friedman) tomou como prioridade a competição com a União Soviética.
Apesar de ter reduzido impostos aos ricos e reprimido a única greve série de sua gestão, o presidente não seguiu a contenção do orçamento e aumentou intensamente os gastos militares, criando um déficit público sem precedentes na história norte-americana.
Nos demais governos de direita da Europa, o neoliberalismo foi menos marcado pelos deliberados cortes de gastos sociais ou enfrentamentos aos sindicatos e mais pela disciplina orçamentária e reformas fiscais. Outros governos da Europa, como o francês (Miterrand), espanhol (González), português (Soares) e grego (Papandreou), procuraram seguir uma linha mais progressista.
 A França, apesar de num primeiro momento ter mantido um projeto social-democrata, entre 1982-83 teve de reorientar sua política pelo neoliberalismo.
 Margaret Thatcher
 
Em terras mais remotas, na Austrália e Nova Zelândia o neoliberalismo tomou proporções dramáticas. Neste último, o desmonte do Estado de bem-estar foi ainda mais completo e feroz que o realizado por Thatcher na Inglaterra.
Na América Latina, tem-se o exemplo de Pinochet (também assessorado por Friedman), cujas políticas foram rapidamente mencionadas em outro texto. Além dessa distribuição global, o neoliberalismo tornou-se hegemônico enquanto um projeto político. Uma ideologia que se instalou na política mundial, cujas práticas eram aplicadas até pelos governos auto-proclamados de esquerda. Porém, nem todos os países aderiram completamente ao neoliberalismo: Suécia e Áustria, mesmo no final dos anos 1980, ainda resistiam, assim como o Japão.

Margaret Thatcher (1925-) e Ronald Reagan (1911-2004)
, à frente da Inglaterra e EUA (respectivamente),
 governaram de modo conservador pautados pela cartilha neoliberal.






Milton Friedman (1912-2006): um dos grandes nomes do neoliberalismo, 
assessorou as reformas neoliberais do Chile e Estados Unidos.
Friedrich Hayek (1899-1992): criticando o intervencionismo estatal
 e o Estado de bem-estar social, tornou-se um dos idealizadores do neoliberalismo.

















O neoliberalismo é bastante criticado pois muitos acreditam que a economia neoliberal só beneficia as grandes potências económicas e as empresas multinacionais, que países pobres ou em processo de desenvolvimento acabam sofrendo com os resultados de uma política neoliberal, causando o desemprego, baixos salários, aumento das diferenças sociais e dependência do capital internacional.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Módulo 7 Unidade 2: O agudizar das tensões políticas e sociais a partir dos anos 30

Crash (craque) bolsista: termo empregue nas operações financeiras de bolsas de ações para caracterizar a quebra dos valores dos papéis e títulos postos à venda. O maior crash conhecido foi o ocorrido em outubro de 1929, nos Estados Unidos. Deflação: situação económica, geralmente de crise, caracterizada por uma diminuição dos preços, do investimento e da procura, acompanhada de uma progressão do desemprego. Frequentemente, são os estados que originam essa situação no intuito de combater a inflação dos meios de pagamento, a especulação e a alta de preços. Para o efeito, diminuem a quantidade de papel-moeda, restringem o crédito e reduzem os gastos do Estado.
 Totalitarismo: sistema político, no qual o poder se concentra numa só pessoa ou no partido único, cabendo ao Estado o controlo da vida social e individual.
 Fascismo: sistema político instaurado por Mussolini na Itália, a partir de 1922. Profundamente ditatorial, totalitário e repressivo, o fascismo suprimiu as liberdades individuais e coletivas, defendeu a supremacia do Estado, o culto de chefe, o nacionalismo, o corporativismo, o militarismo e o imperialismo. Por extensão, o termo fascismo designa também todos os regimes totalitários de direita e até mesmo simples regimes autoritários.
 Nazismo: sistema político instaurado por Hitler na Alemanha a partir de 1933. Para além de perfilhar os princípios ideológicos do fascismo, distinguiu-se pelo racismo violento, fundamentando-o numa suposta superioridade biológica e espiritual do povo ariano, ao qual pertenceriam os alemães. Ao Estado nazi - erigido em Estado racial - incumbiria não só a preservação da raça superior, libertando-a do contacto com os elementos impuros - daí as perseguições aos judeus -, mas também a sua expansão - donde a teoria do "espaço vital" e o imperialismo alemão.
 Corporativismo: forma de organização socioeconómica que aceita a propriedade privada, mas estabelece como necessária a intervenção do Estado no sentido de tomar aquela socialmente útil. Para tal, defende a constituição de corpos profissionais (corporações) de trabalhadores, patrões e serviços, que conciliam os seus interesses de modo a promoverem a ordem, a paz e a prosperidade, ou seja, o bem-estar geral
 Propaganda: conjunto de meios destinados a influenciar a opinião pública. Nos estados totalitários, a propaganda procura inculcar nas massas a sua ideologia e os seus valores culturais e morais. Entre os meios utilizados, citam-se os discursos, a imprensa, panfletos, cartazes, a rádio, o cinema, a televisão, marchas, canções, uniformes, emblemas, manifestações.
 Antissemitismo: termo que, do ponto de vista linguístico, significa hostilidade aos judeus. Do ponto de vista histórico, as perseguições antissemitas relacionam-se com o triunfo da religião cristã (os judeus não reconheceram Cristo e pediram a Pilatos a sua morte) e atingiram as comunidades judaicas espalhadas pela Europa. Na altura da Peste Negra e de outras epidemias, os judeus eram vistos como as origens do mal, sendo acusados de envenenarem fontes. Na Península Ibérica, os judeus convertidos ("cristãos-novos") foram as grandes vítimas da Inquisição nos séculos XVI a XVIII. No século XIX, o antissemitismo assumiu, em alguns países europeus, o carácter de racismo, ao identificar o povo judeu com uma raça inferior e destruidora. Esta forma de antissemitismo atingiu o auge em pleno século XX, na Alemanha nazi, originando a morte de milhões de judeus.
 Genocídio: política praticada por um governo visando a eliminação em massa de grupos étnicos, religiosos, económicos ou políticos. Embora a História tenha registado uma grande quantidade de genocídios, foram os regimes totalitários que levaram a extremos indiscutíveis a prática do genocídio. O genocídio judaico durante a Segunda Guerra Mundial é também apelidado de Holocausto ou, em hebreu, de Shoah (catástrofe). Intervencionismo: papel ativo desempenhado pelo Estado no conjunto das atividades económicas a fim de corrigir os danos ou os inconvenientes sociais derivados da aplicação escrita do liberalismo económico. Concretizou-se no controlo dos preços, em leis sobre os salários, na legislação do trabalho e social. O intervencionismo esteve também na origem da participação do Estado como empresário e produtor de serviços públicos. Entre estes, contam-se a produção e a distribuição de energia, os caminhos de ferro, os correios, os telefones.
 New Deal: literalmente, significa nova distribuição e é a ex-pressão pela qual ficaram conhecidas as reformas e iniciativas económicas e sociais implementadas pelo presidente dos EUA Franklin Delano Roosevelt, a partir de 1933, para ultrapassar a Grande Depressão. O New Deal assentou numa forte intervenção na Banca e nos créditos, que foram incentivados, na atribuição de prémios de produção, no reajustamento entre o nível salarial e o dos preços, na desvalorização do dólar e numa política intensiva do comércio externo.
 Cultura de massas: conjunto de manifestações culturais partilhado pela maioria da população. A cultura de massas é difundida pelos mass media e típica das sociedades industriais do século XX. Media: palavra inglesa que designa os meios de comunicação de grande impacto. Os mass media (meios de comunicação de massas) dirigem-se a um público vasto, heterogéneo e disperso.
 Estandardização de comportamentos: uniformização das condutas individuais segundo um padrão socialmente aceite. Em termos sociológicos, este fenómeno é visto como um corolário da massificação social e cultural que caracteriza o século XX.
  Funcionalismo: conjunto de soluções arquitetónicas inovadoras que marca o início de uma arquitetura verdadeiramente moderna. O funcionalismo une estreitamente a forma e a função numa economia de custos e racionalidade de linhas, pondo em evidência a estrutura volumétrica dos edifícios.
 Realismo socialista: «Arte oficial» da União Soviética, estabelecida no período estalinista. Definida por Andrei Jdanov, em 1934, como a «descrição da realidade na sua dinâmica revolucionária», o realismo socialista dirige-se às massas, tendo como objetivo suscitar a sua adesão ao regime. Os temas remetem geralmente para o mundo proletário e a vida feliz dos trabalhadores na sociedade socialista.

Módulo 9 Unidade 1: O fim do sistema internacional da Guerra Fria e a persistência da dicotomia Norte-Sul


Perestroika: reestruturação profunda do funcionamento do modelo soviético empreendida por M. Gorbatchev, a partir de 1985. Tendo um carácter marcadamente económico, a perestroika assumiu também uma vertente política (a glasnost) que procurou reconciliar o socialismo e a democracia. Embora não pretendesse pôr em causa o regime, o fracasso económico da perestroika e a torrente de contestação interna que a acompanhou acabaram por conduzir ao colapso do bloco soviético e da própria URSS, no início dos anos 90.
 Cidadania europeia: criada pelo Tratado da União Europeia, a cidadania da União é cumulativa com a cidadania nacional e exprime-se pelo direito de voto nas eleições europeias e autárquicas na zona de residência do cidadão, independentemente desta se situar no seu país de origem. Estabelece ainda o direito de apresentar propostas (coletivas) à Comissão Europeia, endereçar petições ao Parlamento Europeu, apresentar queixas e beneficiar de proteção diplomática, nos países terceiros, por parte das embaixadas ou consulados de qualquer dos estados-membros, caso não existam delegações do país de origem.
 Tribalismo: apego forte a um grupo (étnico, cultural, familiar,...) que leva à rejeição dos outros grupos considerados estrangeiros e, muitas vezes, inimigos. O sentimento de pertença a um grupo particular e o acatamento das ordens dadas pelos seus líderes impede a formação da identidade nacional quando, num Estado, coexistem várias "tribos".
 Fundamentalismo islâmico: o fundamentalismo representa um reação extremista à ocidentalização sofrida pelas sociedades muçulmanas durante o domínio estrangeiro. Os fundamentalistas consideram-se os únicos depositários da verdadeira fé, que pretendem preservar, na íntegra, de acordo com os ditames do Corão, por cujas regras se orienta o poder civil e religioso, fundidos num só. A vaga de fundamentalismo que assola o mundo árabe teve o seu epicentro no Irão, onde os fundamentalistas tomaram o poder, em 1979. Na década seguinte alimentou-se da questão palestiniana e da luta afegã contra o invasor soviético. A partir dos 90, tem-se manifestado pela multiplicação de organizações de cariz terrorista, empenhadas na Jihad (Guerra Santa) contra o Ocidente ou contra dirigentes muçulmanos considerados traidores.
 Sionismo: movimento de cariz político-religioso fundado, no fim do século XIX, por Theodor Herzl com o objetivo de criar um Estado hebraico na Palestina (identificada pelo vocábulo "Sião"). O sionismo advoga o regresso dos judeus espalhados pelo Mundo à sua pátria original. Em função deste ideal, o Estado hebraico promulgou, em 1950, a "lei do regresso", que confere a nacionalidade israelita a qualquer parte do mundo, que pretenda habitar no território.

Módulo 9 Unidade 2: A viragem para uma outra era

Interculturalidade: processo de relações recíprocas que se estabelecem entre duas culturas distintas, que procuram conhecer-se, compreender-se e partilhar pontos de vista e experiências. Fruto das crescentes migrações, a interculturalidade aprofunda os laços entre a cultura do país de acolhimento e as novas culturas que nele se fixam. Ultrapassa, neste aspeto, a multiculturalidade, a qual, embora reconhecendo a diversidade cultural, não incrementa com ela contactos significativos.
 Ambientalismo: conjunto de teorias e práticas que visam a preservação do meio ambiente.
 Neoliberalismo: adaptação do liberalismo económico do século XIX pelo capitalismo dos anos 80 do século XX. Criticando a intervenção do Estado na vida económica e social, o neoliberalismo defende o respeito pelo livre jogo da oferta e da procura. O economista norte-americano Milton Friedman (1912-2006) foi um dos impulsionadores do neoliberalismo, ao defender a redução das emissões monetárias e das despesas do Estado.
 Globalização: vocábulo, de origem anglo-saxónica, que designa a organização à escala mundial da produção e da comercialização de bens e serviços, como se o Mundo constituísse um enorme mercado comum. Para além da dimensão económica, a globalização faz-se acompanhar da troca de conhecimentos e de informação à escala mundial. Por isso se fala, também, numa globalização mundial.
 Biotecnologia: aplicação tecnológica que utiliza sistemas biológicos, organismos vivos ou seus derivados para criar ou modificar produtos.
Pós-modernismo: conjunto de tendências em vigor na arte ocidental desde os anos 80, que se caracteriza pela abertura a diferentes repertórios estilísticos, sejam figurativos ou vanguardistas. O termo pós-modernismo teve a sua primeira aplicação, ainda nos anos 70, na arquitetura, sendo forjado pelo crítico norte-americano Charles Jenks.

Módulo 9 Unidade 3

PALOP: sigla que designa os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa: Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. Juntamente com Portugal, Brasil e Timor-Leste, fazem parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

domingo, 19 de janeiro de 2014

Integração de Portugal na União Europeia


NATO. Portugal, em 1949, foi um dos países fundadores desta organização de defesa. A manutenção das colónias exigia um reforço das alianças militares com as grandes potências mundiais do mundo ocidental. OECE/OCDE. Os países europeus que aceitaram a ajuda americana após a guerra, em 1948 criam a OECE, para coordenarem a aplicação deste auxílio. Países que participaram: Portugal, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, França, Itália, Alemanha Federal, Reino Unido, Áustria, Suíça, Dinamarca, Noruega, Suécia, Islândia, Grécia, Turquia, Irlanda e depois a Espanha (1959) EFTA. No final dos anos 50, os países que não haviam estado na criação da CEE, fundam a EFTA. Países que participam: Portugal, Reino Unido, Suécia, Noruega, Dinamarca, Suíça, Áustria e mais tarde a Finlândia e Islândia. CEE. A CEE foi formalmente criada, em 1957, por seis países (Benelux). Foi o culminar da cooperação económica que haviam desenvolvido após a guerra. O seu sucesso levou à adesão posterior de outros países, como a Grã-Bretanha. Portugal, seguiu de perto esta organização, reforçando no princípio dos anos 70 as suas ligações económicas. A adesão de Portugal estava posta de parte, devido ao facto do seu regime político ser uma ditadura.

Silicon Valley


A região de Silicon Valley, situada a sudeste de São Francisco, é considerada o expoente máximo da tecnologia, a imagem do triunfo da mesma. Na região situam-se empresas como a Philips, a Sony, a Apple, a Intel, entre outras. Podemos constatar a importância desta região na economia através de pequenas frases retiradas de um excerto de um artigo do New York Times, do ano de 2003:

“ (…) a Califórnia vive os anos 2000 ao ritmo da instrumentalização médica avançada, uma combinação do software e das biotecnologias. Só em Silicon Valley, 37 000 pessoas trabalham já neste sector, a maior de concentração de todos os Estados Unidos.”

Desmembramento da URSS e nova configuração política: a CEI (Comunidade dos Estados Independentes)

Alteração do mapa político da Europa Central e de Leste