sábado, 1 de setembro de 2012

MÓDULO 8: RESUMOS


A 2.ª Guerra Mundial – consequências – as áreas de influência 
Em Ialta e Postdam, Roosevelt, Estaline e Churchill reuniram-se com o objectivo de estabelecer as regras da nova ordem internacional do pós-guerra.
Nesta conferência ficaram acordadas algumas questões importantes, designadamente, a definição de novas fronteiras da Polónia; divisão provisória da Alemanha em quatro áreas de ocupação; reunião da conferência preparatória da Organização das Nações Unidas; supervisionamento dos “três grandes” na futura constituição dos governos dos países de Leste; e o pagamento, por parte de Alemanha, de 20 000 milhões de dólares referentes às reparações da guerra.
A conferência de Postdam encerrou sem uma solução definitiva para os países vencidos, limitando-se a ratificar e a pormenorizar os aspectos já acordados em Ialta, como foram a perda provisória de soberania da Alemanha e a sua divisão em quatro áreas de ocupação; a administração conjunta da cidade de Berlim, igualmente dividida em quatro sectores de ocupação; o montante e o tipo de indemnizações a pagar pela Alemanha; o julgamento dos criminosos de guerra por um tribunal internacional (Nuremberga); e a divisão, ocupação e desnazificação da Áustria em moldes semelhantes aos estabelecidos para a Alemanha.
A União Soviética participava na definição das novas coordenadas geopolíticas e detinha uma clara vantagem estratégia no leste europeu, visto que coube ao Exército Vermelho a libertação dos países da Europa Oriental.
A hegemonia Soviética, que não tardou em impor-se, tornava-se impossível de contrariar: em pouco tempo, a vida política, social e económica dos países de Leste foi reorganizada em moldes semelhantes aos da União Soviética.
Este rápido processo de sovietização foi contestado pelos ocidentais. Churchill denunciou a criação, por parte da URSS, de uma área de influência impenetrável, isolada do ocidente por uma “cortina de ferro”.
 A ONU (Organização das Nações Unidas)
Segundo a Carta das Nações Unidas, a Organização foi criada com os propósitos de manter a paz e reprimir os actos de agressão, utilizando meios pacíficos, de acordo com os princípios da justiça e o direito internacional; desenvolver relações de amizade entre os países do mundo, baseadas na igualdade entre os povos e no seu direito à autodeterminação; desenvolver a cooperação internacional no âmbito económico, social e cultural e promover a defesa dos Direitos Humanos; funcionar como centro harmonizador das acções tomadas para alcançar estes propósitos.
A ONU tomou um carácter profundamente humanista, que foi reforçado pela aprovação da Declaração Universal dos Direitos do Homem.
A nova declaração não se limitava a definir os direitos e as liberdades fundamentais, mas atribuiu, também, importância às questões económico-sociais, por as considerarem imprescindíveis a uma vida digna e verdadeiramente livre.
Os órgãos de funcionamento da instituição são: a Assembleia-geral, formada por todos os Estados-membros, funciona como um parlamento; o Conselho de Segurança, formado por 15 membros (cinco dos quais permanentes e com direito de veto – EUA, URSS, Reino Unido, França e China), é o órgão directamente responsável pela manutenção da paz e da segurança; o Secretariado-Geral representa a ONU e, com ela, praticamente todos os povos do mundo; o Conselho Económico-social está encarregado de promover a cooperação a nível económico, social e cultural entre as Nações; oTribunal Internacional de Justiça é o órgão máximo da justiça internacional; e o Conselho de Tutela é o órgão que foi criado para administrar os territórios que outrora se encontravam sob a alçada da SDN.
 As novas regras da economia internacional 
Finda a guerra tornava-se premente regularizar o comércio mundial, os pagamentos e a circulação de capitais, evitando o círculo vicioso de desvalorizações monetárias e a instabilidade das taxas de câmbio dos anos 1920 e 1930.
Assim, procedeu-se à criação de um novo sistema monetário internacional que garantisse a estabilidade das moedas indispensável ao incremento das trocas.
O sistema assentou no dólar como moeda-chave.
Com o objectivo de operacionalizar o sistema, criaram-se dois importantes organismos: o Fundo Monetário Internacional (FMI), ao qual recorriam os bancos centrais dos países com dificuldades em manter a paridade fixa da moeda ou equilibrar a sua balança de pagamentos; e o Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BIRD).
Em 1947, na Conferência Internacional de Genebra, foi assinado um Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT), onde 23 países signatários se comprometeram a negociar a redução dos direitos alfandegários e outras restrições comerciais.
Apesar das medidas tomadas para a reconstrução do pós-guerra, a Europa viu-se incapaz de reerguer, sozinha, a sua economia.
A somar às perdas humanas e matérias, o rigoroso Inverno de 1946-1947 agravara ainda mais as situações de miséria da Europa.
É neste contexto que o secretário de Estado americano George Marshall anuncia um gigantesco plano de ajuda económica à Europa, convidando-a a resolver em comum os seus problemas.
O Plano Marshall foi oferecido a toda a Europa, incluindo os países que se encontravam já sob influência soviética.
A URSS classificou esta ajuda como uma “manobra imperialista” e aconselhou os países de Leste a retirar a sua adesão.
Como resposta ao Plano Marshall, Moscovo entrou com o Plano Molotov, que estabelece as estruturas de cooperação económica da Europa Oriental.
Foi no âmbito deste plano que se criou o COMECON, instituição destinada a promover o desenvolvimento integrado dos países comunistas, sob a égide de União Soviética.
 A primeira vaga de descolonizações
O processo de descolonização inicia-se no continente asiático.
No Médio Oriente tornaram-se independentes a Síria, o Líbano, a Jordânia e a Palestina.
A Índia (a “jóia da coroa” britânica), a pretexto do violento antagonismo entre as comunidades hindu e muçulmana, ficou dividida em dois Estados: a União Indiana, maioritariamente hindu, e o Paquistão, de maioria muçulmana.
Outros territórios do Império Inglês do Oriente também reclamaram a sua independência: Ceilão, Birmânia e Malásia.
Também os Holandeses e Franceses são forçados a abrir mão dos seus territórios: Indonésia, Indochina, Vietname, Laos e Camboja.
Tendo começado na Ásia, a descolonização estendeu-se à Africa.
O fim dos impérios europeus pode considerar-se o fenómeno político mais relevante da segunda metade do século XX.
 Efectivamente, o impacto da guerra levou ao desaparecimento de extensos impérios coloniais, com séculos de existência. Para a descolonização também foram importantes as pressões exercidas pelas duas superpotências, que apoiaram os esforços de libertação dos povos colonizados.
Os EUA sempre se mostraram adversos à manutenção do sistema colonial; a URSS actua em nome da ideologia marxista e não desperdiça a possibilidade de estender o modelo soviético aos países recém-formados.
 Também a ONU se constituirá como um suporte internacional da descolonização, compelindo os Estados-membros ao cumprimento do estipulado pela Carta, que condenava a manutenção do domínio colonial.
 A Guerra-fria – a Bipolarização – caracterização
A partir de 1947, pode constatar-se que os aliados de ontem se apresentam divididos em dois blocos hostis, separados por uma “cortina de ferro”:
o bloco capitalista liderado pelos EUA e com a sua organização militar, a NATO;
 e o bloco socialista, liderado pela URSS e com a respectiva aliança militar em torno do Pacto de Varsóvia. As duas grandes super-potências não chegam a entrar em confronto directo, pois ambas temem as armas do adversário.
Este desacordo ideológico é notório: os vencedores divergem em relação ao regime político que deve permanecer na Europa e aos métodos utilizados para a reconstrução europeia.
No final da guerra, formaram-se nos países ocupados, governos de unidade nacional anti-fascistas, que dois anos depois, polarizados e controlados pelas duas super-potências se dividiram em anti-comunistas e pró comunistas.
Nos países de leste, os partidos comunistas governam as democracias populares, sendo excluídos todos aqueles que não perfilhem a ideologia comunista.
Do lado oposto, os comunistas são afastados do governo e progressivamente marginalizados da vida política.
O clima de desconfiança e de competição entre os dois blocos provocou ataques de propaganda e espionagem, pois ambos os sistemas acreditavam que o adversário pretendia dominar o mundo.
A guerra-fria durou na Europa e no mundo entre 1947 e 1989.
 A Coexistência pacífica – caracterização
Depois de 1955, dá-se início a uma política de entendimento ou de coexistência pacífica, que provoca a diminuição de tensão e leva ao degelo e à cooperação entre os EUA e a URSS.
Com o fim da Guerra da Coreia, passou a existir um maior equilíbrio das forças militares das duas grandes potências.
A morte de Estaline possibilitou a ascensão de Nikita Krutchev na URSS, que, juntamente com Eisenhower (e, posteriormente, Kennedy) nos EUA, fez com que os 2 blocos adoptassem uma nova política, mais direccionada no sentido do diálogo.
Ambas as potências, adoptam então uma política de não interferência nos conflitos em zonas sob influência de cada uma delas, sendo isto visível nos acontecimentos ocorridos na Hungria, na Polónia e na Questão do Canal do Suez.
Outra das razões para esta diminuição de tensão, foi o facto de cada um dos Blocos enfrentar problemas internos.
Os EUA são abalados pela França de De Gaulle, que abandona a NATO; na América Latina, focos de guerrilha revolucionária surgem; e no Vietname, a resistência do inimigo, juntamente com a pressão tanto internacional como interna, obrigam os EUA a retirar.
Por sua vez, a URSS debate-se também com vários problemas: dá-se a cisão do Bloco Comunista, devido à ruptura da China, que segue o seu próprio rumo – maoismo; surgem também problemas na Europa, nomeadamente na Hungria, na Polónia, na Roménia e na Checoslováquia, pondo, esta última, em causa o estalinismo (as forças do Pacto de Varsóvia põem fim à “Primavera de Praga”).
Acontecem, porém, alguns conflitos localizados em certas zonas do globo, tais como o levantamento do Muro de Berlim, a Crise dos Mísseis de Cuba e, a já referida, Guerra do Vietname, que mostraram as bases frágeis da coexistência pacífica.
Em 1963, os EUA e a URSS retomam a política da coexistência pacífica. Foram tomadas várias medidas, entre as quais, o estabelecimento de um telefone vermelho entre a Casa Branca e o Kremlin, a proibição das experiências nucleares na atmosfera, a realização de tratados de não proliferação de armas nucleares, a realização de negociações sobre a limitação do armamento (SALT) e a realização da Conferência para a Segurança e Cooperação na Europa, na qual é afirmado o respeito pelos direitos do homem, a inviolabilidade das fronteiras europeias, a cooperação científica, técnica e económica e o princípio da não ingerência.
 O progressivo apaziguamento a partir dos anos 1970
 Já antes, na Reunião do XXIII Congresso do Partido Comunista da URSS, em 1966, se reafirmaram os princípios da “coexistência pacífica”: recurso a negociações para solucionar divergências; recusa da guerra, desenvolvimento da cooperação económica e cultural em pé de igualdade e proveito mútuo.
Posteriormente, a Conferência sobre a Segurança e a Cooperação na Europa (1975), enumera um conjunto de princípios com vista à paz: igualdade soberana entre os Estados; não recurso à ameaça ou ao emprego da força; inviolabilidade das fronteiras; integridade territorial dos Estados; regulação pacífica dos diferendos; não intervenção nas questões internas; respeito pelos direitos humanos e liberdades fundamentais: de pensamento, consciência, religião ou convicção; igualdade de direitos dos povos e direito dos povos a disporem de si mesmos; e cooperação entre os Estados.
 Portugal: a estagnação do mundo rural 
Em 1945, Portugal era um dos países menos desenvolvidos da Europa.
Mais de metade da população trabalhava no sector primário, o que revelava o atraso da economia portuguesa, nomeadamente da agricultura.
Apesar das campanhas de produção das décadas de 1930 e 1940, o país agrário continuava um mundo sobrepovoado e pobre, com índices de produtividade que, em geral, não atingiam sequer a metade da média europeia.
Os estudos apontavam como essencial o redimensionamento da produtividade, que apresentava uma profunda assimetria Norte-Sul: no sul do país (onde predominavam os latifúndios), prevalecia a escassa mecanização e o absentismo dos proprietários que mantinham a produtividade muito baixa; no norte, constituído maioritariamente por zonas de pequena propriedade, continuava a praticar-se uma agricultura tradicional, pouco produtiva.
Portugal importava, por isso, grandes quantidades de produtos agrícolas.
A partir do início da década de 1950, alguns capitalistas e alguns responsáveis governamentais passaram a defender que o crescimento industrial deveria ser o verdadeiro motor de todo o sistema económico nacional. Assim, elaboraram-seplanos, que tornaram como referência a exploração agrícola média, fortemente mecanizada, capaz de assegurar um rendimento confortável aos seus proprietários e, assim, contribuir também para a elevação do consumo de produtos industriais.
Tal como já tinha acontecido no passado, ergueu-se no contra estas novas medidas, a cerrada oposição dos latifundiários do Sul, que utilizaram a sua grande influência política as inviabilizarem.
 Desta forma, as alterações na estrutura fundiária acabaram por nunca se fazer e a politica agrária esgotou-se em subsídios e incentivos que pouco efeito tiveram e beneficiaram os grandes proprietários do Sul e os grandes vinhateiros.
Na década de 1960, quando o país enveredou decididamente pela via industrializadora e concentração urbana, a agricultura viu-se relegada para o segundo plano.
Esta década saldou-se por um decréscimo brutal da taxa de crescimento do Produto Agrícola Nacional.
E por um êxodo rural maciço, que esvaziou as aldeias do interior.
 O surto industrial e urbano 
A política de autarcia empreendida pelo Estado Novo não atingiu os seus objectivos.
 Portugal continuou dependente da importação de matérias-primas, energia, bens de equipamento e outros produtos industriais, adubos e alimentos.
Quando os países que tradicionalmente nos forneciam se envolveram na guerra, os abastecimentos tornaram-se precários e grassou a penúria e a carestia.
Assim, em 1945, a Lei do Fomento e Reorganização Industrial estabelece as linhas mestres da política industrializadora dos anos seguintes.
Entretanto, Portugal assinou em 1948, o pacto fundador da OECE, integrando-se nas estruturas de cooperação previstas no Plano Marshall, e embora pouco tenhamos beneficiado da ajuda americana, a participação na OECE reforçou a necessidade de um planeamento económico, conduzindo então à elaboração dos Planos de Fomento, que caracterizaram a política de desenvolvimento do Estado Novo.
O 1.º Plano de Fomento (1953-58) não rejeitou a agricultura, embora tenha reconhecido a importância da industrialização para a melhoria do nível de vida.
O plano baseou-se ainda num conjunto de investimentos públicos que se distribuía por vários sectores, com prioridade para a criação de infraestruturas.
No 2.º Plano de Fomento (1959-64) alargou-se o montante investido e elegeu-se a indústria transformadora de base como sector a privilegiar (siderurgia, refinação de petróleos, adubos, químicos).
Pela primeira vez, a política industrializadora é assumida sem ambiguidades, subordinando-se a agricultura que sofreria os efeitos positivos da industrialização.
Os anos 60 trouxeram, porém, alterações significativas à política económica portuguesa.
No decurso do II Plano, Portugal integrou-se na economia europeia e mundial: tornou-se um dos países fundadores da EFTA (ou AECL – Associação Europeia de Comercio Livre), e mais tarde dois decretos-lei que aprovam o acordo do BIRD e do FMI, e por último um protocolo com o GATT. A adesão a estas organizações marca a inversão da política da autarcia do Estado Novo.
O Plano Intercalar de Fomento (1965-67) enfatiza já as exigências da concorrência externa inerentes aos acordos assinados, e a necessidade de rever o condicionamento industrial, que se considerava desadequado às novas realidades.
O grande ciclo salazarista aproximava-se do fim.
Em 1968, a nomeação de Marcelo Caetano para o cargo de Presidente de Conselho inaugura, com o 3.º Plano de Fomento (1968-73), uma orientação completamente nova.
A implementação deste novo plano veio confirmar a internacionalização da economia portuguesa, o desenvolvimento da indústria privada como sector dominante da economia nacional, o crescimento do sector terciário e consequente incremento urbano.
 No que concerne à internacionalização da economia, assistiu-se ao fomento da exportação de produtos nacionais, num quadro de afirmação cada vez mais consistente da livre concorrência, e à abertura do país aos investimentos estrangeiros, em especial quando geradores de emprego e portadores de tecnologias avançadas.
Esta política conduziu à consolidação dos grandes grupos económico-financeiros e ao acelerar do crescimento nacional, que atingiu, então, o seu pico.
No entanto, o país continuou a sentir as exigências da guerra colonial e o seu enorme atraso face à Europa desenvolvida.
Este surto industrial traduziu-se inevitavelmente no crescimento no sector terciário e progressiva urbanização do país.
Em 1970, 75% da população portuguesa vivia em cidades e cerca de metade desta população urbana vivia em cidades com mais de 10 000 habitantes.
Viveu-se em Portugal, no terceiro quartel do século XX, o fenómeno urbano que caracterizou a Europa no século anterior.
Com efeito, sobretudo as cidades do litoral, onde se onde se concentravam as grandes industrias e os serviços, viram a aumentar os seus efectivos populacionais, concentrados nas áreas periféricas.
É o tempo da formação, em torno das grandes cidades, dos “dormitórios” de populações que, diariamente, passaram a dirigir-se para os locais de trabalho, tornando obsoleto o sistema de transportes públicos.
Quer dizer que, à semelhança do que ocorreu na Europa industrializada, também em Portugal se fizeram sentir os efeitos da falta de estruturas habitacionais, de transportes, de saúde, de educação, de abastecimento, tal como os mesmos problemas de degradação da qualidade de vida, de marginalidade e de clandestinidade a que os poderes públicos tiveram de passar a dar resposta.
 A emigração portuguesa 
Fenómeno persistente da história portuguesa, a emigração reduziu-se drasticamente nas décadas de 1930 e 1940, devido, primeiro, à Grande Depressão e, em seguida, à Segunda Guerra Mundial.
 O crescimento económico proporcionado pela industrialização das décadas seguintes, embora significativo, era insuficiente para que Portugal recuperasse do atraso que o separava dos países mais desenvolvidos.
Esta situação de atraso afectava sobretudo as populações rurais, cujas condições de vida eram particularmente difíceis: a produtividade agrícola era baixíssima.
A pobreza do campesinato deu origem a um excepcional movimento migratório, quer para os principais centros urbanos portugueses, quer para o estrangeiro, visto que nesta época, para além da atracção pelos altos salários do mundo industrializado, há que ter em conta os efeitos da guerra colonial (a perspectiva do recrutamento compulsivo para a guerra de África foi um dos motivos que também pesou na fuga para o estrangeiro).
Foi nos anos 1960 que as periferias de Lisboa e do Porto cresceram rápida e desordenadamente, e aqueles que migravam para estas cidades, nem sempre mudavam para melhor, muitos deles passavam a viver em bairros de lata ou bairros clandestinos.
No entanto, o maior destino da população rural portuguesa seria, porém, a emigração para os países desenvolvidos.
 Embora a emigração fosse uma constante de longa data na sociedade portuguesa, sofreu, a partir da década de 60, um dramático aumento.
O destino principal deste novo surto migratório foi sobretudo a França, seguido em menor escala pela América do Norte e do Sul.
O Brasil que até à década de 50 era o principal destino, perde gradualmente o seu poder de atracção. Metade desta emigração fez-se clandestinamente.
A legislação portuguesa subordinava o direito de emigrar, colocando-lhe restrições, como a exigência de um certificado de habilitações mínimas a todos os que tivessem mais de 14 anos.
Com o deflagrar da guerra colonial, juntou-se a estes requisitos a exigência do serviço militar cumprido, obrigação a que muitos se pretendiam eximir.
Sair a «salto», como então se dizia, tornou-se a opção de muitos portugueses.
 Não obstante esta política restritiva, o Estado procurou salvaguardar os interesses dos nossos emigrantes, celebrando, no início da década de 1960, acordos com os principais países de acolhimento.
Estes acordos permitiram ao país, receber um montante muito considerável de divisas: as remessas dos emigrantes.
Em consequência deste surto emigratório, a população estagnou.
Certas regiões, em especial no interior, quase se despovoaram.
O resultado deste abandono dos campos foi a diminuição da produção agrícola e o aumento da importação de bens alimentares.
Apesar de tudo, a emigração trouxe também benefícios ao país.
As remessas em divisas estrangeiras contribuíram, juntamente com as receitas do turismo, para atenuar o desequilíbrio das contas com o exterior.
 O fomento económico nas colónias 
No pós-guerra o fomento económico das colónias passou também a constituir uma preocupação do Governo.
Com efeito, nos inícios dos anos 50, o conceito de província ultramarina não se coadunava com as formas tipicamente coloniais de exploração dos territórios africanos.
O entendimento das colónias como extensões naturais do território metropolitano tinha, forçosamente, de levar o Governo de Salazar a autorizar a instalação das primeiras indústrias como alternativa económica à exploração do trabalho negro nas grandes fazendas agrícolas.
Havia necessidade de demonstrar à comunidade internacional que o Governo Central se empenhava no fomento económico das suas “províncias ultramarinas” como forma de legitimar este novo conceito de colónias.
Acrescia que a industrialização dos territórios ultramarinos era cada vez mais entendida como um factor determinante do desenvolvimento da economia metropolitana.
Os sucessivos planos de fomento previam, também, para os territórios africanos, em especial para Angola e Moçambique, medidas impulsionadoras do seu desenvolvimento como as implementadas na metrópole. Logo em 1953, Angola e Moçambique foram contempladas com avultados investimentos para a criação de infraestruturas, sobretudo ligadas aos transportes, à produção de energia e de cimento para a construção urbana.
A modernização do sector agrícola, tendo em vista a grande produção de produtos tropicais e a extracção de matérias-primas do rico subsolo angolano, tendo em vista o mercado internacional que foram também preocupações do I Plano de Fomento.
Associado a este fomento económico esteve o lançamento de projectos de colonização intensiva com população branca, sobretudo após o início da guerra.
A consolidação da presença portuguesa em áreas onde era pouco notada a influência branca era também uma forma de evidenciar a particularidade das relações de Portugal com as suas colónias e, por outro lado, constituía uma forma de atrair as populações locais para o lado português e suster o avanço dos guerrilheiros.
O fomento económico das colónias intensificou-se, com efeito, em consequência da eclosão da guerra na sequência do lançamento da ideia de Salazar em construir um Espaço Económico Português (EEP).
É no âmbito deste objectivo que se assiste à beneficiação de vias de comunicação, à construção de escolas, hospitais e, sobretudo, ao lançamento de obras grandiosas.
 A radicalização das oposições
Em Maio de 1945, grandes manifestações celebraram, nas ruas da capital, a derrota da Alemanha.
As democracias, aliadas à União Soviética, tinham vencido a guerra e mostrado assim, a sua superioridade face aos regimes repressivos de direita. Salazar, tirou deste facto, a ideia de que o seu regime deveria democratizar-se ou corria o risco de cair.
É neste contexto que, o Governo toma a iniciativa de antecipar a revisão constitucional (Constituição de 1933 que consagra a ideologia do Estado Novo), dissolver a Assembleia Nacional e convocar eleições antecipadas, que Salazar anuncia «tão livres como na livre Inglaterra».
Um clima de optimismo instala-se entre aqueles que viam com maus olhos o Estado Novo; nasce a MUD (Movimento de Unidade Democrática), que congregou a força da oposição. O impacto deste movimento dá início à chamada oposição democrática.
O MUD formula algumas exigências, tais como: o adiamento das eleições, a reformulação dos cadernos eleitorais, a imprescindível liberdade de expressão, de reunião e de informação.
Nenhuma das reivindicações do Movimento foi satisfeita, pelo que o acto eleitoral não passou de uma farsa. As listas de adesão ao MUD, que o Governo requereu a fim de «examinar a autenticidade das assinaturas», forneceram à polícia política as informações necessárias para uma repressão eficaz, tendo muitos aderentes ao MUD sido interrogados, presos e despedidos do seu trabalho.
Em 1949, a oposição volta a ter uma nova oportunidade de mobilização, desta vez em torno da candidatura de Norton de Matos às eleições presidenciais, sendo a primeira vez que um candidato da oposição concorria à Presidência.
A sua concorrência entusiasmou o país, da mesma forma que o desiludiu com a sua desistência, enfraquecendo assim a oposição democrática.
O Governo pensou ter controlado a situação até que, em 1958, a candidatura de Humberto Delgado a novas eleições presidenciais desencadeou um autêntico terramoto político.
Conhecido como o «General Sem Medo», anunciou o seu propósito de não desistir das eleições e anunciou a sua intenção de demitir Salazar:
Contra a sua campanha, o Governo tentou de todas as formas limitar os seus movimentos, acusando-o de provocar «agitação social».
 Concluídas as eleições presidenciais, o resultado revelou mais uma vitória esmagadora do candidato do regime, Américo Tomás, mas desta vez, a credibilidade do Governo ficou indelevelmente abalada.
Salazar teve consciência de que outro terramoto político podia acontecer e que começava a ser difícil para o regime continuar a enganar a opinião pública e subtrair-se às opressões da comunidade internacional.
Por isso, Salazar introduziu mais uma alteração à Constituição, segundo a qual era anulada eleição por sufrágio directo do Presidente da Republica que passava a ser eleito por um colégio eleitoral restrito.
A necessidade de divulgar internacionalmente a natureza antidemocrática do regime levou a oposição a intensificar a sua acção de contestação, recorrendo a actos de maior impacto, pela relevância das personagens intervenientes e pela espectacularidade das acções, como são os casos da famosa carta do bispo do Porto (contém criticas contundentes relativas à situação político-social e religiosa do país); o exílio e assassinato de Humberto Delgado (acabou destituído das suas funções militares e, para poder continuar a desenvolver a sua acção em prol da democracia, retirou-se para o Brasil.
Em 1963, fixa-se na Argélia, onde passa a dirigir a Frente Patriótica de Libertação Nacional.
A sua acção era de tal modo influente que acabou por ordem de Salazar a ser assassinado); e o assalto ao “Santa Maria” (em pleno mar das Caraíbas, o navio português “Santa Maria” é assaltado e ocupado pelo comandante Henrique Galvão, como forma de protesto contra a falta de liberdade cívica e política em Portugal.
Apesar da tentativa por parte do Governo em evitar a compreensão deste acto, as instâncias internacionais souberam-no e entenderam-no como um verdadeiro acto de protesto legítimo.
Para além destes actos oposicionistas, a eclosão da guerra colonial traz ao regime a sua maior e derradeira prova.
 A questão colonial 
A Partir de 1945, a questão colonial passa a constituir mais um sério problema para Portugal.
A nova ordem internacional instituída pela Carta das Nações Unidas e a primeira vaga de descolonizações tiveram importantes repercussões na política colonial do Estado Novo.
Com efeito, a partir do momento em que a ONU reconhece o direito à autodeterminação dos povos e em que as grandes potências coloniais começam a negociar a independência das suas possessões ultramarinas, torna-se difícil para o Governo português manter a política colonial instituída com a publicação do Acto Colonial, em 1930.
A simples mística imperial começava a revelar-se ultrapassada para explicar as posições coloniais do Estado Novo.
Salazar teve de procurar soluções para afirmar a vocação colonial de Portugal e para recusar qualquer cedência às crescentes pressões internacionais.
As soluções implementadas passaram pela adaptação aos novos tempos.
Numa 1.ª fase, apostou-se em duas vertentes complementares: uma ideológica e outra jurídica.
Em termos ideológicos, era a mística do império, inspirada na teoria do sociólogo Gilberto Freire, designada como teoria luso-tropicalismo, que serviu para retirar o carácter opressivo nas colónias.
Esta teoria garantia ainda o não interesse económico dos Portugueses sobre as colónias, e que a presença destes em África era uma manifestação de extensão, a outros continentes, da histórica missão civilizadora de Portugal, explicada, por exemplo, pela falta de contestação à presença portuguesa.
Em termos jurídicos, procede-se à revisão constitucional de 1951, em pleno processo internacional de descolonização, Salazar revoga o Acto Colonial e insere o estatuto de colónias por ele abrangido na Constituição.
Todo o território português ficava abrangido pela mesma lei fundamental.
Para melhor concretizar esta integração, desaparece o conceito de colónia que é substituído pelo de província, desaparecendo o conceito de Império Português, que é substituído pelo conceito de Ultramar Português.
 Embora externamente a manutenção do colonialismo português cedo fosse posta em causa, a nível interno, a presença portuguesa em África quase não sofreu contestação até ao início da guerra colonial.
Sobre a "Guerra Colonial Portuguesa", consulte, neste blog, o link: http://viajandonotempo.blogs.sapo.pt/6583.html
 A “Primavera Marcelista”
Em, 1968, perante a intensificação da oposição interna e das denúncias internacionais do colonialismo português, o afastamento de Salazar por doença, parecia finalmente abrir as portas do regime à liberalização democrática.
A presidência do Conselho de Ministros foi entregue a Marcello Caetano que subordinou a sua acção política a um princípio original de renovação na continuidade.
Pretendia o novo governante conciliar os interesses políticos dos sectores conservadores com as crescentes exigências de democratização do regime.
Continuidade para uns, renovação para outros.
Numa primeira fase da sua acção governativa, empreendeu alguma dinâmica reformista ao regime: permitindo o regresso de alguns exilados, como o Bispo do Porto e Mário Soares; abrandando a repressão policial e a censura; concedendo alguma abertura à União Nacional (rebaptizada, na década de 1970, Acção Nacional Popular – ANP); mudando o nome à PIDE para Direcção-Geral de Segurança - DGS; concedendo o direito ao voto da mulher alfabetizada; legalizando movimentos políticos opositores ao regime; permitindo a consulta dos cadernos eleitorais e fiscalização das mesas de voto; e proporcionando a reforma democrática do ensino.
Foi neste clima de mudança, que ficou conhecido como «Primavera Marcelista», que se prepararam as eleições legislativas de 1969, onde a oposição pura e simplesmente não elegeu qualquer deputado. As eleições acabaram por constituir mais uma fraude.
A Assembleia Nacional continuava dominada pelos eleitos na lista do regime, incluindo apenas uma ala liberal de jovens deputados cuja voz era abafada pelas forças conservadoras.
Acabadas as esperanças de uma real democratização do regime, Marcello Caetano viu-se sem o apoio dos liberais, e alvo da hostilidade dos núcleos mais conservadores, que imputavam à política liberalizadora a onda de instabilidade que, entretanto, tinha assolado o País.
Desta forma, Marcello Caetano começa a dar sinais de esquecer a evolução e privilegia a continuidade: o movimento de contestação estudantil é repreendido pelo regime; intensifica-se a censura e repressão policial (nova vaga de prisões); alguns opositores, como Mário Soares, são novamente remetidos a exílio; Américo Tomás (77 anos e conotado com a ala ultra-conservadora) é reconduzido novamente ao cargo de presidente da Republica, por um colégio eleitoral restrito.
Alvo de todas as criticas, incapaz de evoluir para um sistema mais democrático, o regime continua, ainda, a debater-se com o grave problema da guerra colonial.
 A Revolução de 25 de Abril de 1974 
 Em 1974, enquanto o regime agonizava, o problema da guerra colonial continuava por resolver.
Na Guine, onde a PAIGC ocupava parte significativa do território e já tinha declarado a independência unilateral, a guerra estava perdida.
A situação em Angola e Moçambique, continuava num impasse.
Entretanto, intensificava-se a condenação internacional da política colonial do regime à medida que cresciam os apoios políticos e militares aos movimentos independentistas.
Perante a recusa de uma solução política pelo Governo marcelista, os militares entenderam que se tornava urgente pôr fim à ditadura e abrir o caminho para a democratização do país.
A esta conjuntura política, de manutenção da guerra colonial, há que juntar a publicação do livro “Portugal e o Futuro”, de Spínola que influencia os jovens oficiais (contestava a política colonial, defendia a liberalização do regime, a adesão de Portugal à CEE e o fim da guerra colonial, com a constituição de uma federação de Estados) e a formação do movimento dos capitães (1973).
São as Forças Armadas, assim organizadas, que vêm para a rua na madrugada de 25 de Abril de 1974 e conseguem levar a cabo uma acção revolucionária que pôs fim ao regime de ditadura que vigorava desde 1926.
A acção militar, sob coordenação do major Otelo Saraiva de Carvalho, teve início cerca das 23 horas do dia 24 com a transmissão, pela rádio, da canção “E Depois do Adeus”, de Paulo de Carvalho.
Era a primeira indicação aos envolvidos no processo de que as operações estavam a decorrer com normalidade.
Às 0:20 do dia 25 de Abril, era transmitida a canção “Grândola, Vila Morena”, de José Afonso.
Estava dado o sinal de que as unidades militares podiam avançar para a ocupação dos pontos considerados estratégicos para o sucesso do acto revolucionário, como as estações de rádio e da RTP, os aeroportos civis e militares, as principais instituições de direcção político-militar, entre outros.
Com o fim da resistência do Regimento de Cavalaria 7, a única força que saiu em defesa do regime em confronto com o destacamento da Escola Prática de Cavalaria de Santarém comandado pelo capitão Salgueiro Maia, no Terreiro do Paço, e com a rendição pacífica de Caetano, que dignamente entregou o poder ao general Spínola, terminava, ao fim da tarde, o cerco ao quartel da GNR, no Carmo, e terminava, com êxito, a operação “Fim do Regime”.
Entretanto, já o golpe militar era aclamado nas ruas pela população portuguesa, cansada da guerra e da ditadura, transformando os acontecimentos de Lisboa numa explosão social por todo o país, uma autêntica revolução nacional que, pelo seu carácter pacífico, ficou conhecida como a “Revolução dos Cravos”.
 O “25 de Abril” – caracterização
 A adesão pacífica da população ao acto revolucionário dos agora chamados “Capitães de Abril” constituiu um poderoso estímulo para que, imediatamente e sem quaisquer reservas, se desse início ao processo de desmantelamento do regime deposto.
Para garantir a normalidade governativa foi prontamente nomeada uma Junta de Salvação Nacional, com António Spínola, na qualidade de representante do MFA, na presidência, a quem foram entregues os principais poderes do Estado, até à formação de um Governo Provisório civil.
A esta instituição coube levar a cabo o processo de desmantelamento do regime, previsto no programa do FMA: exílio do Presidente da República e Presidente do Conselho de Ministros; desmantelamento da PIDE, DGS, Legião Portuguesa, Censura; amnistias aos presos políticos, bem como aos exilados políticos; formação de partidos políticos e sindicatos livres (direito à greve); promessa de eleições constituintes no prazo mínimo de um ano, bem como passar o poder para as mãos dos civis.
A 15 de Maio, para normalizar a situação politica, António de Spínola é nomeado Presidente da República e o advogado Adelino da Palma Carlos é convidado para presidir à formação do I Governo Provisório.
Os tempos, no entanto, não foram fáceis para as novas instituições democráticas.
Passados os primeiros momentos de entusiasmo popular na aclamação da liberdade conseguida, seguiram-se dois anos politicamente muito conturbados.
Com efeito, vieram ao de cima profundas divergências ideológicas que conduziram a graves confrontações sociais e políticas e chegaram a provocar situações de iminente conflito militar interno.
A 2 de Junho de 1975 abriu, em sessão solene, a Assembleia Constituinte.
Era a primeira que se reunia desde a elaboração da Constituição de 1911 e, tal como acontecera, os seus trabalhos decorreram num ambiente pós-revolucionário. A nova constituição entrou em vigor no dia 25 de Abril de 1976, exactamente dois anos após a «Revolução dos Cravos».
O seu texto resultou do compromisso das diferentes concepções ideológicas defendidas pelos partidos da Assembleia e congregou ainda medidas de excepção revolucionária.
No entanto, e apesar de todas as críticas e alterações de quer foi alvo, a Constituição de 1976 foi, sem dúvida, o documento fundador da democracia portuguesa.
Sobre o "25 de Abril" consulte neste blog, os links: http://viajandonotempo.blogs.sapo.pt/5913.html http://viajandonotempo.blogs.sapo.pt/5754.html
 A revisão constitucional de 1982 e o significado internacional da revolução portuguesa
 Seis anos após a entrada em vigor, foi efectuada a primeira revisão constitucional.
As principais alterações ocorreram na organização do poder político, uma vez que se conservaram as disposições de carácter económico (nacionalizações, intervencionismo do Estado, planificação, reforma agrária).
Foi abolido o Conselho da Revolução como órgão coadjuvante da Presidência da República.
Na mesma linha, limitaram-se os poderes do presidente e aumentaram-se os da instituição parlamentar.
O regime viu, assim, reforçado o seu cariz democrático-liberal, assente no sufrágio popular e no equilíbrio entre órgãos de soberania.
 O derrube da mais velha ditadura da Europa mereceu, na comunidade internacional, rasgados elogios, quer pela forma contida e não-violenta como foi conduzida a Revolução, quer pelo programa liberalizador que lhe esteve subjacente.
A revolução de Abril contribuiu, pois, para quebrar o isolamento e a hostilidade de que Portugal tinha sido alvo, recuperando o País a sua dignidade e a aceitação nas instâncias internacionais.
Para além desse reencontro de Portugal com o Mundo, o fim do Governo marcelista teve uma influência apreciável na evolução política espanhola.
Os ventos democráticos que, na Primavera de 1974, sopraram de Portugal, alimentaram os desejos de mudança e permitiram algumas reformas no seio do próprio regime, contribuindo para endurecer o último ano do franquismo.
No entanto, os espanhóis retiraram dela proveitosos ensinamentos, que os ajudaram a evitar o défice de autoridade e a desorientação que se verificou no nosso país.
A influência da revolução portuguesa estendeu-se também a África, onde a independência das nossas colónias contribuiu para o enfraquecimento dos últimos bastiões brancos da região, como a Rodésia e a África do Sul.
A descolonização portuguesa e a viragem política na Rodésia puseram em maior evidência a desumanidade do regime sul-africano, que, no entanto, em 1994, com as primeiras eleições, fizeram um homem negro como primeiro presidente de África do Sul.
 As transformações sociais e culturais do terceiro quartel do séc. XX.
A hegemonia dos EUA na cultura e a generalização da cultura de massas 
Os “media” e os tempos impuseram novos hábitos socioculturais.
O cinema converteu-se num grande espectáculo de massas, após 1945. A sua magia viu-se perpetuada no esplendor dos filmes a cor, projectados em ecrãs panorâmicos.
Surgem superproduções musicais que atraíram multidões e evitaram a decadência dos estúdios.
Ao mesmo tempo, Hollywood investia em temáticas socioculturais mais próximas do novo público que frequentava os cinemas. Entretanto, novos centros de produção cinematográfica irrompiam no Mundo. Apesar do seu poder apelativo, que retira espectadores às salas de cinema, a televisão não “mata” a magia do grande ecrã e o cinema, seja espectáculo de entretenimento ou obra séria, preserva o estatuto digno de Sétima Arte.
Os EUA assumem a dianteira no que toca a progressos tecnológicos que embaratecem a televisão e a tornam mais atractiva.
Bem cedo, a televisão se assumiu como um veículo privilegiado de entretenimento.
Ao entretenimento, a televisão associou o papel de fonte de informação e de conhecimento dos grandes acontecimentos internacionais.
Cientes do poder da TV, os políticos não a negligenciam.
Desde a campanha presidencial americana de 1960, ficou provado o impacto da televisão nos comportamentos eleitorais. A guerra passou a travar-se também como a opinião pública.
Poderosa e manipuladora a TV permanece o “media” que mais necessidades satisfaz.
O crescente protagonismo dos jovens nas sociedades ocidentais do pós-guerra e as maravilhas da electrónica contribuíram de forma decisiva para a popularidade da música ligeira a partir dos anos 50.
Muito em particularmente o rock and roll parecia ser a música que melhor exprimia a rebeldia e o anticonformismo de uma nova juventude.
Foi ainda em 1956 que, na cena nacional dos EUA, emergiu a primeira super-estrela do rock and roll: Elvis Presley.
Em 1962 surgem os Beatles, um grupo britânico de Liverpool que construiu uma das mais fulgurantes carreiras de que há memória na música ligeira.
Os Rolling Stones constituíram outro êxito da música britânica. Criaram, no entanto, uma imagem de “perigosos degenerados” A canção converteu-se em instrumento de crítica social e política.
O rock continuava a assumir-se como um dos pilares da contestação juvenil, que marcou profundamente o final dos anos 60.
A terciarização da sociedade.
Os 30 anos de expansão económica até 1973 acentuaram tendências anteriores ao nível da estrutura da população activa.
Assim, a mecanização da agricultura continuou a fazer regredir a percentagem da população camponesa.
Relativamente à indústria, os avanços tecnológicos ocorridos contribuíram para a estabilização da respectiva mão-de-obra.
Foi ao nível do sector terciário que se verificou um forte crescimento, motivando a terciarização da sociedade, devido ao incremento das funções sociais do Estado, à complexificação da actividade económica, ao desenvolvimento dos meios de comunicação social e dos transportes.
 A oposição à homogeneização da sociedade de consumo e afirmação dos direitos da mulher 
Depressa a comunidade científica e os leigos se aperceberam do alto preço a pagar pelos progressos tecnológicos e pela sociedade de consumo.
Era necessário reduzir as experiências nucleares e dar mais atenção ao problema da poluição e do esgotamento dos recursos naturais.
Um conjunto de organizações e de iniciativas se sucederam, desde os anos 60, com o objectivo de controlar o crescimento económico e de garantir a protecção ambiental.
Nascia a ecologia.
O baby-boom do pós-guerra determina, nos anos 60, a existência de um excedente considerável de jovens. Procurando um estilo de vida alternativo ao dos progenitores, os jovens protagonizaram um poderoso movimento de contestação.
Nos EUA, as universidades de Berkeley e de Columbia, foram ocupadas (1964) pelos estudantes que exigiam mudanças radicais no funcionamento dos cursos.
Para além das suas reivindicações específicas, os estudantes americanos mostravam-se atentos aos grandes problemas que os cercavam, o que os fez envolverem-se no movimento pacifista que se insurgiu contra a participação dos EUA na guerra do Vietname.
Em 1968, Paris tornou-se o epicentro de uma revolta estudantil sem precedentes que atingiu a Europa. Ficou conhecida pelo nome de “Maio de 68”, a revolta estudantil parisiense.
A crise, que começou por ser um problema estudantil, ganhou rapidamente foros de sublevação social e política.
Apesar de fracassado, pela reposição pronta da ordem, o “Maio de 68” tornar-se-ia o símbolo de um combate em que se viveu um conflito de gerações, o descontentamento social e a reacção ao autoritarismo. Uma outra faceta da contestação juvenil fez-se sentir na revolução dos costumes desencadeada pelo movimento hippie.
Iniciado nos EUA, caracterizou-se pelo facto de os jovens assumirem atitudes de contracultura (estilo de vida juvenil que denuncia os valores materialistas da sociedade capitalista, aos quais contrapõe a ausência de regras sociais e morais, o espiritualismo, o pacifismo e o regresso à Natureza) em oposição às práticas sociais e à moral tradicional: uso de drogas, despojamento de bens, amor livre, grandes confraternizações. Ao longo da década de 1960, os movimentos feministas receberam um impulso notável, convertendo-se em instrumento de emancipação das mulheres.
O feminismo dos anos 60 tornou-se particularmente activo na luta pela igualdade de direitos da mulher.
Essa igualdade pretendeu-se civil, no trabalho e na vida afectiva.
Citam-se as campanhas pela contracepção, pelo direito ao divórcio e ao aborto, que mobilizaram a opinião pública, adquirindo um cariz de “revolução sexual” efectuada no feminino.

MÓDULO 7: RESUMOS

- A geografia política após a 1ª. Guerra Mundial
 As ambições territoriais dos impérios e o seu desrespeito para com as nacionalidades conduziram a um clima de antagonismos, responsável pela I Guerra Mundial: a França não perdoava a perda da Alsácia-Lorena para a Alemanha e a Rússia necessitava de uma saída para o Mediterrâneo na Península Balcânica, só possível pela protecção dos eslavos oprimidos pelo Imperador Austro-húngaro.
 Logo, os Balcãs eram dinamite pronto a explodir, o que aconteceu de facto, com o assassinato de Serajevo, em 28 de Junho de 1914, que vitimou, pela mão de um nacionalista sérvio da Bósnia-Herzegovina, anexada em 1908, Francisco Fernando e sua esposa, herdeiros do trono da Áustria-Hungria. E, assim, começa a I Guerra Mundial: de um lado a Tríplice Aliança (Alemanha e Áustria-Hungria) e de outro a Tríplice Entente (França, Rússia e Grã-Bretanha).
 Quando o conflito terminou, em Novembro de 1918, os impérios europeus estavam condenados ao desmembramento: um ano antes, na Rússia, o czar tinha sido deposto, com a Revolução de Fevereiro; no mesmo ano, a Revolução de Outubro do movimento bolchevique fez a paz separada com a Alemanha, abdicando da Finlândia, da Polónia, da Ucrânia e das províncias bálticas (Estónia, Letónia e Lituânia), e proclamou o direito à autonomia das nacionalidades do ex-Império russo; na Alemanha e na Áustria, aquando da assinatura do armistício, levantamentos políticos levaram à abdicação dos respectivos imperadores e proclamaram-se repúblicas democráticas, sendo o destino dos povos subjugados traçado de imediato na Conferência da Paz e nos tratados impostos aos vencidos, entre 1919 e 1920.
 Deste modo, uma nova ordem internacional nascia, assente no direito dos povos a disporem de si próprios e no respeito pelos seus Estados soberanos, nas autonomias, e na democracia que progressivamente evoluía.
 A Sociedade das Nações
 A Sociedade das Nações, também conhecida como Liga das Nações, foi uma organização internacional, a princípio idealizada em Janeiro de 1919, em Versalhes.
Inicialmente, as potências vencedoras do conflito da Primeira Guerra Mundial reuniram-se nesta data, para negociar um acordo de paz.
 Um dos pontos do amplo tratado referiu-se à criação de uma Assembleia Internacional, cujo papel seria o de assegurar a paz.
A 28 de Julho de 1919 foi assinado o tratado de Versalhes, cuja sede passou a ser na cidade de Genebra, na Suíça.
No entanto, passou a existir oficialmente no dia 10 de Janeiro de 1920, quando a Alemanha, um dos países vencidos da Primeira Guerra, passou a constar na sede.
 Porém, a paz seria temporária e instável, pois em Setembro de 1939, Adolf Hitler desencadeou a Segunda Guerra Mundial.
A Liga das Nações, tendo fracassado em manter a paz no mundo, foi dissolvida.
Estava extinta por volta de 1942.
No entanto, a 18 de Abril de 1946, o organismo passou as responsabilidades à recém-criada Organização das Nações Unidas, a ONU.
 A sua criação foi baseada na proposta de paz conhecida como Catorze Pontos, já publicada no Diário Universal, feita pelo Presidente norte-americano Woodrow Wilson, numa mensagem enviada ao Congresso dos Estados Unidos a 8 de Janeiro de 1918.
Os Catorze Pontos propunham as bases para a paz e a reorganização das relações internacionais no fim da Primeira Guerra Mundial, e o pacto para a criação da Sociedade das Nações constituíram os 30 primeiros artigos do Tratado de Versalhes.
 Um dos problemas que levou ao fracasso da Sociedade foi o facto de o Congresso dos EUA não ter ratificado o Tratado de Versalhes, logo, por conseguinte, não terem entrado na Liga das Nações.
 Durante as negociações na Conferência de Paz de Paris, foi incluída na primeira parte do Tratado de Versalhes a criação da Liga.
Os países integrantes originais eram 32 membros do anexo ao Pacto e 113 dos estados convidados para participar, ficando aberto o futuro ingresso aos outros países do mundo.
As excepções foram Alemanha, Turquia e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas .
 As crises do pós-guerra 
 A democracia triunfara na I Guerra Mundial, mas, em 1920, a situação económica da Europa era muito má: arruinada e endividada, viu a Áustria a declarar a falência, ficando sob o controlo financeiro da SDN, devido à inflação monetária, e viu o dinheiro transformar-se em brinquedo na Alemanha, com a forte desvalorização da moeda.
 Entretanto, duas fortes crises se fizeram sentir: · crise de 1920-21: na sequência da diminuição da procura interna (devido à alta dos preços) e europeia (em consequência das restrições do crédito à Europa), os stocks acumularam-se, os preços baixaram, fazendo-se sentir uma enorme inflação.
 A partir de 1922, iniciou-se um período de recuperação, impulsionado pelo esforço na aplicação dos métodos de racionalização do trabalho, para diminuir os custos de produção, o que permitiu, juntamente com a concentração de empresas, que muitas empresas continuassem viáveis.
Deste modo, foi o capitalismo liberal e a sua produção em massa para um consumo em massa que trouxeram “os loucos anos 20”, os anos da prosperity americana, que foi, no entanto, breve e ilusória, dada a crise que se seguiu. · crise de 1929: o crash de Wall Street, a grande crise do capitalismo, accionada pela especulação bolsista e pela superprodução, que levou à acumulação de enormes stocks, o que trouxe o desemprego, crescendo vertiginosamente a deflação, prosseguindo-se então, à destruição de stocks, diminuindo assim, a procura, levando à falência de bancos e empresas.
 Tendo sido os EUA fortemente atingidos por ambas as crises, a Europa não pôde resistir, dado estar a receber todos os investimentos dos EUA.
Logo, ambas as crises tiveram um cariz mundial e também global, pois não só atingiram a nível financeiro e económico, como também a nível político e social: com o desemprego a subir em flecha, instalou-se o descrédito no modelo político e económico capitalista, sucedendo-se as convulsões económicas e políticas; e do Leste europeu, surgem o comunismo e o fascismo como aparente soluções para o momento de crise vivido na Europa capitalista devastada pela guerra, baseando-se no corporativismo, no intervencionismo do Estado e no conservadorismo e com promessas de uma estabilização.
Daí a adesão em massa a estas novas ideologias.
  A difícil recuperação da Europa e a dependência em relação aos Estados Unidos 
Com o final da guerra, à Europa colocou-se o problema da reconversão da sua economia.
Na realidade, a guerra, além da hecatombe humana, tinha provocado devastações nos campos e nas fábricas e fizera orientar o aparelho produtivo predominantemente para a economia de guerra.
Era necessário reorientar a actividade económica para a produção de alimentos, a reinstalação das indústrias ou a aquisição de maquinaria.
De momento, estas necessidades foram satisfeitas com recurso a importações maciças dos EUA, tendo a reconversão económica sido suportada também com base em empréstimos americanos.
 Estes factores contribuíram para desequilibrar as balanças de pagamento dos países europeus.
A solução encontrada para este desequilíbrio consistiu na desvinculação das moedas europeias em relação ao padrão-ouro de modo a possibilitar a emissão do papel-moeda necessário ao pagamento das importações ou das indemnizações de guerra.
Em consequência, a inflação disparou para valores nunca antes verificados, facto que teve profundas repercussões políticas e sociais.
Só em 1925, com base em investimentos americanos, a economia europeia começou a apresentar sinais de recuperação, auxiliada pela contenção na emissão de papel-moeda, depois de, novamente, se ter acordado o regresso ao padrão-ouro, permitindo então reequilibrar as balanças de pagamentos.
A difícil recuperação económica da Europa estimulou a ascensão dos EUA.
Afastados do teatro de operações no decurso da guerra, os americanos continuaram a exportar bens, serviços e capitais para a Europa, o que contribuiu para a forte entrada de moeda e para uma balança comercial largamente positiva.
 A saúde da economia americana, além do crescimento das exportações, residiu ainda no forte incremento da procura interna propiciada, em simultâneo, pela elevação dos salários e pela descida dos preços.
Esta última resultou do desenvolvimento dos princípios tayloristas da racionalização do trabalho, efectuado por Henry Ford.
Ford introduziu a linha de montagem na fábrica de acordo com os princípios tayloristas: o trabalho dividido em operações simples, a progressão do produto era contínua e sequencial, o ritmo fixado pela velocidade do tapete rolante que levava o trabalho ao operário, em vez de ser este a procurá-lo.
Estas inovações traduziram-se no abaixamento do tempo de produção do carro e na redução do seu preço, tornando-o um produto de consumo cada vez mais acessível.
 A implantação do marxismo-leninismo na Rússia 
 O imenso Império Russo, com 22 milhões de km2 e 174 milhões de habitantes, governado autocraticamente pelo czar Nicolau II, estava à beira do abismo.
 As tensões sociais aumentavam de intensidade de dia para dia com os camponeses, que constituíam 85% da população, clamando por terras, concentradas nas mãos dos grandes senhores e latifundiários, seus antigos patrões, no sistema de servidão; com o operariado, que embora escasso era extremamente reivindicativo, exigindo maiores salários e melhores condições de vida e trabalho; e com a nobreza liberal e a burguesia, desejando a abertura política, assim como a modernização do país.
 Por outro lado, a contestação política era muita e gerava um estado de confusão, pois era protagonizada pelos socialistas-revolucionários, que reclamavam a partilha de terras; pelos socialistas-democratas, divididos em bolcheviques e mencheviques*; e pelos constitucionais-democratas.
 A participação da Rússia na Primeira Guerra Mundial, desde o seu início, como parte da Entente, contribuiu para que se gerasse um sentimento anticzarista, já que as derrotas na frente – onde os soldados desertavam ou se auto-mutilavam para não combaterem – eram constantes, agravando as fraquezas do regime de Nicolau II, que ainda teve que contar com a desorganização económica, com a falta de géneros, que levava a grandes manifestações populares devido à fome, e com as denúncias da sua incompetência e a dos seus ministros, por parte dos liberais e dos socialistas.
 O mal-estar político e social na Rússia era muito grave e em breve a situação estaria para rebentar. As revoluções (de Fevereiro e de Outubro) suceder-se-iam no ano de 1917.
 * Bolcheviques – facção maioritária do Partido Social-Democrata Russo, aquando da sua cisão no Congresso de Bruxelas, em 1903. Dirigidos por Lenine, os bolcheviques mantiveram-se intransigentes na defesa da luta de classes e da ditadura do proletariado, enquanto que os
* mencheviques (facção minoritária) se mostraram adeptos do reformismo. Em 1912, os bolcheviques tornaram-se num partido único, e em 1918 adoptam o nome de Partido Comunista.
 A Revolução Socialista Soviética – as revoluções de 1917
 No ano de 1917 deram-se as mais famosas revoluções da História Russa: a Revolução de Fevereiro e a Revolução de Outubro.
 A primeira dá-se em consequência de uma grande manifestação liderada, inicialmente, por mulheres, em Petrogrado, que protestavam contra o aumento do preço do pão.
 A este protesto juntaram-se operários, camponeses e mesmo o exército, que quando lhe foi ordenado que controlasse a manifestação, acabou por aderir à causa.
Na sequência deste último acto, da tomada do Palácio de Inverno e do apelo do Soviete* de Petrogrado, o movimento popular ganhou um carácter político, tendo levado o czar Nicolau II, agora desprovido de qualquer apoio, a abdicar do trono, a 2 de Março.
 A Rússia tornou-se numa República através do fim do czarismo, mas os problemas da nação não se resolveram: criou-se um Governo Provisório, que, escolhido pela Duma, apoiado pelo Partido Constitucional-Democrata e empenhado na instauração de uma democracia parlamentar, tinha prometido ao povo a retirada da Rússia da guerra com a Alemanha.
No entanto, isto não foi cumprido, o que foi causa directa da forte oposição dos Sovietes de todo país. Como os Sovietes tinham a massa popular do seu lado (opondo-se à guerra, reivindicando a distribuição das terras pelos camponeses, exigindo aumentos nos salários e o dia de trabalho de 8 horas), mas também havia um governo no poder, diz-se que a Rússia viveu num período de dualidade de poderes.
 No entanto, o Governo Provisório foi desacreditado progressivamente e abalado por três factores-chave: o regresso do bolchevique Lenine, cujas Teses de Abril apelavam à retirada da guerra, ao derrube do Governo, à confiscação da grande propriedade e à entrega do poder aos Sovietes, dando aos bolcheviques maior protagonismo, que se foram impondo nos Sovietes; a inflação galopante; e as continuadas derrotas sofridas nas frentes de guerra.
Tudo isto tornou o Governo fraco, incapaz de impor alguma ordem, pois os Sovietes apoderavam-se quase livremente de fábricas nas cidades e terras nas províncias.
 Esta situação de dualidade de poderes termina em Outubro de 1917, quando os Guardas Vermelhos (milícia formada pelos bolcheviques entre a Rev. de Fevereiro e a Rev. Outubro) tomaram pontos estratégicos em Petrogrado (correios, pontes, gares ferroviárias), assaltaram o Palácio de Inverno e derrubaram o Governo Provisório.
 A 26 de Outubro, o II Congresso dos Sovietes ratificou o golpe bolchevista e elegeu um novo Governo – o Concelho dos Comissários do Povo, composto exclusivamente por bolcheviques, com Lenine na presidência, Trotsky na Pasta da Guerra e Estaline na das Nacionalidades – a primeira revolução socialista do séc. XX estava em marcha.
 * Sovietes – concelhos de camponeses, operários, soldados e marinheiros da Rússia que, teoricamente, exprimem colectivamente a vontade do povo.
Os primeiros, constituídos exclusivamente por operários, remontam à Revolução de 1905, e foram instalados nas fábricas como focos de ligação e dinamização dos grevistas.
Contidos pelo fracasso do movimento, reapareceram em Fevereiro de 1917.
A Revolução bolchevista de Outubro buscou nos Sovietes a legitimação popular e deles fez a base da futura organização do Estado da URSS.
 O modelo soviético de Lenine – a colectivização 
 Lenine desejava que a ditadura do proletariado, fundamento do marxismo, fosse implementada imediatamente, tendo em consideração as estruturas arcaicas e rurais da Rússia, não negligenciando o papel dos camponeses na revolução operária – um dos aspectos do marxismo-leninismo*.
 No entanto, a sua implementação na Rússia não foi só um produto da ideologia marxista; foi também um produto das circunstâncias em que se vivia, desde que os bolcheviques tomaram posse da chefia da nação russa:
 - Fortes oposições às negociações em Brest-Litovsk, quando a Rússia assinou a paz separada com a Alemanha, abdicando das suas províncias, que eram boas fontes de riqueza;
 - Fortes resistências por parte de proprietários (Kulaks) e empresários (Nepmen) à aplicação dos decretos relativos à terra e ao controlo operário (inicia-se a conspiração das antigas classes possidentes); 
- Desorganização da economia provocada pelo estado de guerra vivido e agravado pela privação de matérias-primas, pela persistência da carestia e da inflação, pelo regresso de sete milhões de soldados sem hipótese imediata de reintegração na vida civil, pelos actos de pilhagem e de banditismo que se seguiram; 
- Guerra civil, iniciada em Março de 1918, arrastando-se até 1920, que vitimou mais de 10 milhões de pessoas, entre brancos (todos os que se opunham aos bolcheviques, apoiados pela Inglaterra, França, EUA e Japão, não interessados na expansão do bolchevismo) e vermelhos (os bolcheviques), que acabaram por vencer, através do seu coeso e disciplinado Exército Vermelho, organizado por Trotsky, desde 1918. Tendo em conta a situação, Lenine implantou medidas enérgicas, conhecidas pelo nome de comunismo de guerra.
 * Marxismo-leninismo – desenvolvimento teórico e aplicação prática das ideias de Marx e Engels na Rússia por Lenine.
Caracterizou-se por enfatizar o papel do proletariado, rural e urbano, na conquista do poder, pela via revolucionária e jamais pela evolução política; pela identificação do Estado com o Partido Comunista, considerado a vanguarda do proletariado; e pelo recurso à força e à violência na concretização da ditadura do proletariado.
 O modelo soviético de Lenine – O comunismo de guerra. 
 O comunismo de guerra consistiu nas seguintes medidas:
 - Toda a economia foi nacionalizada, segundo a proposta de Marx de “centralização dos meios de produção nas mãos do Estado”, para destruição do capitalismo; os camponeses foram obrigados a entregar as colheitas; os bancos, o comércio interno e externo, a frota mercante e as empresas com mais de 5 trabalhadores e um motor foram estatizadas, competindo ao Estado a distribuição de bens de acordo com os novos critérios de justiça social: para o Exército Vermelho, guardião da revolução proletária, cabia o essencial, o restante para operários e camponeses e, no fim, os burgueses;
 - Apelando ao heroísmo revolucionário para desenvolver a produção, instaurou-se o trabalho obrigatório dos 16 aos 50 anos, prolongou-se o tempo de trabalho, reprimiu-se a indisciplina, atribuiu-se o salário conforme o rendimento;
 - Proibição dos jornais burgueses e de todos os partidos políticos, excepto o Partido Comunista, quem liderou realmente esta ditadura; dissolveu-se a Assembleia Constituinte; retiraram-se dos Sovietes os membros não-comunistas; constituição da Tcheca, a polícia política, que tinha amplos poderes, fazendo desaparecer qualquer suspeito de conspiração, recorrendo aos campos de concentração e às execuções sumárias muito frequentemente.
 O conjunto de medidas económicas e sociais de emergência, que ficaram conhecidas pelo nome “comunismo de guerra”, foram as seguintes: · Destruição do sistema capitalista e colectivização de toda a economia; · Abolição da grande propriedade; · Apropriação da produção agrícola dos camponeses (entrega dos campos aos sovietes para que estes depois os redistribuíssem), para posterior distribuição pelo Estado, que a faria de forma mais igualitária, abolindo-se assim, o comércio livre; · Nacionalização das empresas, da banca e do comércio; · Proibição dos partidos políticos, à excepção do Partido Comunista, criando-se um sistema de partido único; · Criação da polícia política; · Incentivo à reunião da III Internacional, a Internacional Comunista; · Formação da URSS.
 O modelo soviético de Lenine – a NEP, Nova Política Económica 
 A guerra civil termina com a vitória dos bolcheviques, mas a economia russa, no entanto, estava arruinada, sendo que Lenine reconhece o carácter excessivo destas medidas, que, apesar de terem em conta o programa socialista, vai, igualmente, contra o mesmo, dado o contexto de guerra civil.
 Lenine temeu que o caos levasse à revolta do povo, e toma medidas para relançar a economia
– a Nova Política Económica: o Estado mantém o controlo da banca, do comércio externo e dos principais sectores da indústria, mas volta a ser possível: · a exploração privada da terra e a venda de excedentes nos mercados, pelos camponeses; · liberdade de produção industrial e venda dos seus produtos; · abertura ao investimento estrangeiro.
 Com isto, a recuperação da Rússia foi inegável: melhorou a produção, o comércio e as condições de vida; os kulaks (proprietários agrícolas) e os nepmen (homens de negócios, comerciantes e industriais) enriqueceram, o que colocou em perigo o ideal da sociedade sem classes, fazendo com que os objectivos da construção de um Estado socialista saiam, em parte, fracassados.
 Lenine morre em 1924, dá-se um período intermédio de consolidação do poder, e Estaline assume o poder em 1928.
 As repercussões no resto da Europa da Revolução Socialista Soviética
 Face ao aumento da conflitualidade social (ocupação de fábricas e de terras, greves em diversos sectores), decorrente do aprofundamento da crise, associada às actividades do Komintern, órgão criado com o objectivo de coordenar a acção dos partidos comunistas que contribuiu para a propagação dos ideais da revolução bolchevista, instalou-se o temor no seio da burguesia e das classes médias.
Estas, afectadas pela inflação, pela quebra do poder de compra e pela ameaça de proletarização, desejosas de estabilidade social e política, constituíram o alvo preferencial dos apelos da direita que, perante o espantalho do perigo comunista, preconizava o estabelecimento de soluções autoritárias.
 Como consequência, em vários países da Europa (Inglaterra, França, Alemanha, Itália), e mesmo nos EUA, assistiu-se a uma reacção conservadora, nacionalista e autoritária que se concretizou pela viragem à direita por parte de muitos governos, na progressão dos movimentos racistas e nas limitações à imigração.
Se o termo da I Guerra Mundial significara o relançamento das democracias parlamentares, no final dos anos 20 e 30 a democracia parecia em nítida regressão.
As transformações da vida urbana 
O desenvolvimento urbano foi um dos fenómenos mais importantes dos finais do século XX e inícios do séc. XX, que vai romper o equilíbrio milenar entre a cidade e o campo (campos esvaziam-se e enchem-se as cidades).
 - Na cidade surgem novas actividades (indústria, serviços que atraem a população rural).
O êxodo rural faz engrossar as cidades.
O número de cidades aumenta e o número de habitantes também. As cidades são o centro de actividades poderosas e fundamentais relacionadas com a política, administração, indústria, comércio, banca e serviços públicos ligados às novas necessidades das cidades: redes de transportes (omnibus, eléctricos, comboios), abastecimento (alimentos, água, energia), escolas, hospitais, saneamento básico e, entre outros, recolha de lixo.
Surgiram as “Metrópoles” (gigantescas áreas urbanizadas) como Nova Yorque, Chicago, Paris e Londres. Surgem as “Megalópoles” (áreas urbanizadas de kms, ligando cidades nos E.U.A., Japão, Alemanha, Holanda).
 Mudança na estrutura urbana:
* Novos centros urbanos (já não é a Catedral ou a Praça), mas locais onde estão grandes edifícios públicos, bancos, centros comerciais, grandes empresas. O poder económico).
* Bairros elegantes do centro onde se instala a Burguesia.
* Bairros operários
* Bairros do submundo de pobreza humana
* Subúrbios (bairros da periferia)
 Novas sociabilidades 
Surge uma nova sociabilidade e sente-se a desagregação das tradicionais solidariedades dos meios rurais. Assiste-se, efectivamente, a uma massificação da vida urbana, alienação do trabalho e verdadeiras formas de anomia social
Massificação da vida urbana
Surge nas cidades uma sociedade de massas, caracterizada por: elevado número de pessoas, dispersão espacial, anonimato (as populações vivem em bairros estandardizados, trabalham em grandes empresas e vivem sem estabelecer relações interpessoais com a vizinhança ou com colegas de trabalho), consumo de massas, uniformização de comportamentos (modo de vestir, falar, atitudes), novo clima de ócio, ânsia de divertimento.
Alienação do trabalho
Termo marxista para designar o trabalho automatizado imposto pela máquina de montagem.
O trabalho passou a ser anónimo e abstracto.
O produto final deixou de ser o produto da criatividade do operário, para ser o produto da máquina.
Do trabalho operário, o conceito de alienação do trabalho alargou-se, também, ao trabalho burocrático. Desagregação das solidariedades e a anomia social
Nas sociedades urbanas quebram-se os laços de solidariedade e as relações entre os homens desumanizam-se.
Os homens vivem cada vez mais isolados, fechados em si próprios.
 Nas zonas degradadas dos bairros pobres (urbanos e suburbanos) a pobreza conduz a situações de marginalização que levam à violência e à criminalidade.
- Surgem situações de “Anomia Social” que se evidenciam por comportamentos urbanos marcados por uma ausência de regras ou de leis, de princípios e de valores.
São comportamentos marginais de indivíduos desenraizados que não se integrando na sociedade, assumem comportamentos agressivos que conduzem à criminalidade (gangsters como Al Capone, Bonnie e Clyde, vivendo à margem da lei, sem quaisquer princípios morais).
 A crise dos valores tradicionais 
Os valores tradicionais estão definitivamente em crise.
Perdeu-se a confiança na superioridade da civilização ocidental; na ciência, indústria e no progresso ocidental; na propriedade privada.
A 1.ª Guerra Mundial caracterizou-se por uma tal brutalidade que pôs em causa a confiança e o optimismo do passado recente.
 As consequências da Guerra são: uma decepção generalizada, a descrença, o pessimismo.
A ciência e a sua capacidade de gerar progresso são postas em causa, surge a contestação a todos os níveis (comportamentos, família, sexual, casamento indissolúvel, papel da mulher, arte tradicional); é até contestada a política das democracias por grupos revolucionários e por grupos conservadores e autoritários.
 Os movimentos feministas 
O século XX assiste à emancipação progressiva da mulher, até então totalmente na dependência do homem. Vários factores contribuíram para isso: - Revolução industrial que utiliza a mulher como mão-de-obra imprescindível para certas indústrias, como o têxtil.
Apesar de ser altamente explorada com salários muito inferiores aos do homem, esse trabalho permitiu às mulheres uma independência económica que antes não tinham.
 - A 1.ª Guerra Mundial exigiu um papel activo das mulheres que se viram obrigadas a substituir os homens nas fábricas, campos e serviços, enquanto eles partiam para as frentes da batalha.
- Elevação do nível de instrução da mulher que começa a acontecer por iniciativas dos governos ou para iniciativas particulares de espíritos filantrópicos.
- Surge o Feminismo: corrente que defende o movimento da luta das mulheres pela igualdade de direitos em relação ao homem.
Elas lutam pela: igualdade Jurídica (leis), igualdade intelectual (instrução), igualdade económica (profissão, trabalho e salários), igualdade política (direito de voto, possibilidade de ser eleita), igualdade social (família, sociedade).
Direitos conseguidos pelas mulheres:
 - Direito de voto (conquista de voto universal)
- Acesso a profissões de nível superior (medicina, advocacia, engenharia e professorado)
- Acesso ao mundo dos serviços - Maior intervenção dentro da família: maior liberdade de movimentação; maior liberdade sexual, com uso dos métodos contraceptivos.
Reflexo da emancipação das mulheres:
- Nos costumes – novo estilo de vida mais livre, vida social mais intensa, prática do desporto, procura de divertimentos, acesso aos vícios masculinos (beber e fumar).
- Na moda – mais simples e desportiva, com saias curtas, saia-calça, cabelo curto à “garçonne”, substituição do espartilho pelo soutien, decotes maiores, maquilhagem.
Surgem revistas femininas que exaltam a mulher e que a orientam no sentido de cuidarem da sua imagem, exaltando a sua emancipação.
 A crise do pensamento racionalista 
Na segunda metade do séc. XIX, o positivismo marcava todo o conhecimento científico.
A metodologia das ciências experimentais era aplicada a todas as áreas (da Física à História), acreditando-se que tudo podia ser explicado em termos científicos e que a ciência podia atingir a verdade absoluta.
Mas, nos princípios do séc. XX, a ciência evoluía não no sentido das verdades absolutas, mas num sentido diferente.
O racionalismo, a certeza e o absoluto foram substituídos pela incerteza e pelo relativismo.
O Positivismo dava lugar ao relativismo, doutrina segundo a qual o conhecimento é sempre relativo, condicionado pelas suas leis próprias, pelos limites do sujeito que conhece e pelo contexto sócio-cultural que o rodeia.
Esta teoria provocou um choque na consciência científica da época, contribuindo para abalar a confiança na certeza científica.
No caso da História, Benetto Croce começou por contestar as teorias positivistas aplicadas a esta ciência. Segundo ele, todo o conhecimento histórico é sempre um conhecimento relativo e subjectivo influenciado por inúmeros factores (perspectiva do historiador, selecção de fontes, interpretação, etc.)
Também a Física e outras ciências experimentais se afastam do Positivismo.
Einstein cria a teoria da relatividade que punha em causa o carácter absoluto do conhecimento, tornando-o dependente do espaço, do tempo, do movimento e do observador, também eles realidades não absolutas. Segundo aquela teoria, as medidas de energia e de massa eram inseparáveis da velocidade e do movimento. Verificou que à medida que os objectos se aproximam da velocidade da luz (3.000.000 Km/s), eles encolhem, a sua massa aumenta e o tempo abranda.
Por isso, nenhuma observação efectuada a partir de um único ponto fixo num universo, em permanente expansão, devia merecer uma confiança absoluta. Desse modo, altera-se também a noção do tempo.
Este, que se pensava invariável e linear, toma também uma nova dimensão, tal como o são o cumprimento, a espessura e a velocidade.
 A Psicanálise de Freud e seu impacto nos comportamentos, na cultura e na arte 
Freud, médico neurologista e professor da Universidade de Viena, cria a Psicanálise que vem questionar o poder absoluto da razão sobre o comportamento humano.
A Psicanálise surgiu inicialmente como um método de determinação das causas das neuroses e como terapia de tratamento (a partir da interpretação dos sonhos, da associação livre e da hipnose).
Depois, deu origem a uma doutrina psicológica sobre os nossos processos mentais e emocionais, um método de investigação e uma técnica terapêutica para tratamento de neuroses e psicoses.
Segundo Freud, a “psique” humana estava estruturada a três níveis: - o «infra-ego» (id), parte mais profunda da psique (o inconsciente que abarca um conjunto de impulsos e forças instintivas que buscam a satisfação imediata);
- o «superego», a parte subconsciente (uma parte inconsciente, mas a um nível menos profundo.
Está ligado à interiorização das proibições morais e éticas.
Está sempre vigilante em relação aos nossos comportamentos);
- o «ego» (eu) ou consciente (é ele que decide se um impulso pode ou não ser satisfeito).
Segundo Freud, as causas das neuroses estariam no facto de muitos impulsos instintivos e recordações desagradáveis terem sido reprimidas para o inconsciente da vida mental, onde aparecem recalcados, vindo a gerar neuroses.
É a censura que não os deixa aparecer.
A função terapêutica da Psicanálise seria o de conseguir trazer à consciência essas forças recalcadas inconscientes.
Seria ir à procura das origens dessas neuroses.
Tal conduziria à descompressão do que estava recalcado e dessa consciência começava o caminho para a cura.
A Psicanálise influenciou as inovações literárias e artísticas da 1.ª metade do séc. XX.
Escritores e artistas inspiraram-se nas concepções psicanalíticas, encontrando no mundo aberto da Psicanálise uma fonte de inspiração frutuosa e uma influência libertadora: na Literatura surgem personagens freudianas com neuroses; na Arte surgem correntes como o Surrealismo que tentam penetrar para além do nível consciente da percepção.
 As vanguardas artísticas 
No início do séc. XX, dão-se profundas transformações na literatura e nas artes, reflectindo o espírito da mudança.
Representa uma frente comum das artes contra a tradição e um desafio à sociedade.
É a época do Modernismo e das experiências de vanguarda que se caracterizaram por:
a) Rompimento com a arte tradicional: abandono do figurativismo (a fotografia passa a ocupar-se da representação do real).
A obra de arte ganha autonomia face à realidade, libertando-se da necessidade de a copiar; recusa do academismo que seguia os modelos clássicos, numa representação ideal da Natureza e do Homem (desenho em pormenor, claro-escuro, perspectiva); abandono dos temas tradicionais (temas religiosos, clássicos e históricos);
b) Criação de uma linguagem pictórica própria: carácter bidimensional, sem preocupações de volume e de desenho, dando mais importância à cor; novos temas como a luz, o calor e os estados de alma do pintor, temas do quotidiano; procura da intelectualização da visão.
c) Levar a arte a todos os domínios da actividade humana:levar a arte às habitações, aos espaços urbanos, ao vestuário, mobiliário e até aos objectos de uso quotidiano, na aplicação de um funcionalismo estético que liga a arte à tecnologia, à indústria, ao mundo do quotidiano. Às preocupações funcionais juntam-se agora preocupações estéticas. Como exemplo, surge o Design que transforma os objectos de uso corrente, produzidos industrialmente, em verdadeiras obras de arte.
d) Concepção da arte como uma investigação permanente (busca de novas técnicas, novos materiais). Surgem variadas escolas - Milão, Roma, Berlim, Paris - efémeras, devido ao carácter de pesquisa que leva os pintores a saltarem de escola em escola. Surge, então no séc. XX, o Movimento das Vanguardas ou Vanguardismo, movimento artístico que vai desencadear uma revolução plástica que irá abrir novos caminhos à arte.
Atinge a pintura, a escultura, a arquitectura, o mobiliário, a decoração, a literatura e a música.
Os artistas vanguardistas assumem-se como os pioneiros, os «avant-garde», tendo por missão inventar o futuro e criar um mundo novo.
 O Fauvismo e o Expressionismo 
Surge em Paris, em 1905, quando jovens pintores expõem as suas obras, marcadas pela agressividade das cores, escandalizando a opinião pública.
Um crítico francês chamou-lhes «fauves» (feras), depois de ter observado a sua exposição onde uma escultura renascentista de Donatello contrastava com as pinturas que a rodeavam, nas quais os pintores haviam empregue a cor de modo expressivo e arbitrário. O seu comentário foi: «Donatello entre as feras». Principais características: o primado da cor sobre a forma. É na cor que os artistas se exprimem artisticamente; cores muito intensas, brilhantes e agressivas. Cores primárias, com pinceladas soltas, violentas e grossos empastes.
Realce dos contornos com traços negros; aplicação das cores de uma forma arbitrária, o que as tornava estranhas, quase selvagens; tendência para a deformação das figuras; influência da arte infantil e da arte primitiva.
Pintores de destaque: Matisse e Vlaminck.
O Expressionismo surge, em 1905, na Alemanha, quando 4 estudantes de Arquitectura formam o grupo, «Die Bruck» (A Ponte).
A eles se juntam pintores.
Receberam influência de Van Gogh (exprime a solidão e a angústia) e Munch (alucinação das figuras) que são considerados os precursores do expressionismo.
Pretendiam «fazer a ponte» entre o visível e o invisível.
Queriam romper com o conservadorismo da arte oficial alemã.
Defendiam uma arte impulsiva, fortemente individual, que representasse um grito de revolta individual do seu criador contra uma sociedade marcada pela injustiça e pelos preconceitos e moralismos.
O Expressionismo é, por isso, a pintura das emoções.
 Reflecte a projecção do artista para o mundo exterior, imprimindo na arte a sua sensibilidade e as suas emoções face ao mundo que o rodeia. Principais características: temática pesada - cenas de rua e retratos onde as figuras humanas eram intencionalmente deformadas.
Ridicularização de grupos como a burguesia e os militares, considerados os culpados da miséria social; formas simples, primitivas e distorcidas que deformavam a realidade, para causar assombro, repulsa e angústia; cor - grandes manchas de cor, intensas e contrastantes, aplicadas livremente e de uma forma arbitrária e pesados contornos das figuras.
A intenção era exprimir os dramas humanos da sociedade moderna e os dramas interiores do homem como o anonimato da cidade, a alienação do trabalho, a solidão, a angústia, o desespero, a guerra, a morte, a exploração do sexo, a miséria social.
Pintores de destaque: Ernst Kirchner, Georges Rouault, Frutz Bleyl, Otto Dix e Grosz.
 O cubismo: contexto, características, criadores e obras 
Surge em Paris, em 1907, com Pablo Picasso ("Les Demoiselles d'Avignon" ) e com Georges Braque (« Casas d’ Estaque»).
 É a pintura dos cubinhos que revela uma realidade não como a vemos, mas como a pensamos.
 Significa a “intelectualização da visão” em que a arte se liberta da visão e se intelectualiza, utilizando como linguagem a geometria que decompõe o objecto nas suas formas mais elementares, para o voltar a reconstruir de uma forma mais racional que segue o raciocínio e não a visão.
 Principais características: destruição completa das leis da perspectiva tridimensional (concepção estática da pintura tradicional que transmitia apenas a realidade da visão que vê o objecto fixo, numa única perspectiva); a visão parcelar devia ser substituída por uma visão total dos objectos representados (trata-se de uma visão mais intelectual do objecto, não numa única, mas em várias perspectivas); cria assim uma quarta dimensão que permite a visão simultânea do objecto em várias perspectivas (de frente, de perfil, de lado, por cima, por baixo, no seu interior …), como se o pintor se movesse em torno do mesmo (numa única imagem estão reunidas todas essas perspectivas); a nova dimensão representa o tempo necessário à percepção integral dos objectos representados no espaço pictórico; na nova representação do objecto, usa uma linguagem geométrica, procurando encontrar as formas basilares dos objectos, reduzindo-os a poliedros, cones, esferas, cilindros, etc.
Dizia Cézanne: “A Geometria é para as artes o que a gramática é para a arte do escritor”; revela também a influência da arte africana (máscaras rituais), onde está patente aquela linguagem geométrica. "Les Demoiselles d'Avignon" são a primeira obra cubista.
O Cubismo nasceu no canto superior direito deste quadro.
Nos dois nus da direita e em especial nos rostos, modela o volume através de uma espécie de desenho colorido e de traços paralelos.
Aí Picasso pintou a decomposição do seu próprio rosto (anulando a diferença entre frente e perfil), para que pudesse ser visto em toda a sua dimensão.
Assim destruía a velha imagem do homem que se impunha desde a época clássica. «Foi o seu próprio rosto que ele escolheu para nele fazer o maior dos ultrajes que iria tornar-se início de uma nova era na pintura.» Outra pintura sua muito famosa é "Guernica" (1937), tela monocromática de grandes dimensões, que representa a destruição daquela cidade basca que sofreu o bombardeamento da Legião Condor de Hitler, durante a guerra civil espanhola, a mando do general Franco. Dos seus 7.000 habitantes, 1.654 foram mortos e 889 feridos.
 O Futurismo: contexto, características, criadores e obras
Surge em Milão, em 1909, e em oposição ao Cubismo.
Surge a partir de um manifesto literário e artístico de Filippo Marinetti - "O Manifesto Futurista".
 Propunha a aniquilação de toda e qualquer forma de tradição, a destruição das grandes obras artísticas e literárias do passado, anunciando uma pintura e uma literatura mais adaptadas à era das máquinas, do movimento e do futuro.
Um verdadeiro hino à vida moderna e uma glorificação do futuro.
Dizia Marinetti: “As máquinas e os motores têm alma; pensam, sentem como os humanos; uma lâmpada eléctrica que pisca ameaçando apagar-se é comparável a um homem que agoniza!”
O Futurismo torna-se uma moda.
Os seus meios de propaganda são variados: cartazes, panfletos, revistas, exposições, espectáculos, conferências, etc.
O Futurismo conduziu ainda à exaltação do militarismo e da guerra, como expressão da força e energia de um povo (acaba por ligar-se às doutrinas fascistas).
Principais características: temática associada à velocidade, ao dinamismo e à mudança: cidades, fábricas, máquinas, pontes, locomotivas, aviões, motores, velocidade, ruído, multidões, etc.; movimento criado a partir da repetição de formas e de cores (a forma é decomposta e fragmentada em segmentos, representando diferentes momentos de um corpo em movimento; combina-se com um intenso jogo de luzes, para sugerir o movimento); linhas circulares, elípticas e espirais e arabescos que visavam a ideia de ritmo (as pinturas procuravam representar o «tumulto» que transmitia a ideia da vida moderna); cores agressivas e repetitivas, tal como as formas, para dar a ideia do movimento.
 Pintores de destaque: Giacomo Balla, Boccioni, Carlo Carrá e Severini.
 O Abstraccionismo contexto, características, criadores e obras 
Surge em 1910 com Kandinsky, pintor russo, radicado na Alemanha.
É considerado o primeiro abstraccionista.
Podemos definir o Abstraccionismo como um movimento artístico que se propunha não representar a realidade sensível ou objectiva, mas sim abstrair-se dessa realidade numa nova realidade, oculta e mais profunda, construída pelo espírito.
 Principais características: o objecto com as suas formas e cores desaparece, sendo substituído por linhas e cores conjugadas numa unidade que vale por si própria, numa linguagem universal e espiritual que fazem despertar em cada pessoa reacções diferentes numa variedade muito superior à da figuração dos objectos.
As abstracções de forma e de cor actuam directamente na alma.
Pintores de destaque: Vassily Kandinsky , Piet Mondrian , Malevitch e Helena Vieira da Silva (Paris). Kandinsky estabelece a relação entre música e pintura, através do paralelismo entre a cor e os instrumentos musicais (azul/flauta, verde/violino, branco/silêncio). Piet Mondrian, impressionado com a violência de um mundo em guerra, procurou dar à sua pintura uma função social, para além de uma nova dimensão estética. Procurou desligar da arte toda a emotividade pessoal e também tudo o que é efémero.
Queria atingir uma pintura liberta de tudo o que não é essencial, limitada aos elementos básicos: a linha, a cor, a composição e o espaço bidimensional.
 O Dadaísmo: contexto, características, criadores e obras 
Este movimento surge na Suíça com Marcel Duchamp que pinta uma versão da Gioconda com bigodes e uma legenda obscena.
Segundo este movimento, a autêntica arte seria a anti-arte, caracterizada pelo uso da troça, do insulto e da crítica, como modo de destruir a ordem e estabelecer o caos.
O seu único princípio é a incoerência.
Nada significa alguma coisa, nem mesmo o nome do movimento.
É a chamada «ready made» que dá valor artístico a um objecto que normalmente o não tem (um urinol, uma roda de bicicleta, etc.).
 O Surrealismo: contexto, características, criadores e obras 
Em 1924 surge em Paris uma nova vanguarda plástica e literária com André Breton que apresenta o "Manifesto do Surrealismo".
A ele aderiram pintores como Picasso, Marc Chagall, Joan Miró, IvesTanguy, Salvador Dali e René Magritte e homens de letras como Louis Aragon e Paul Eluard.
Inspirava-se nas teorias psicanalíticas de Freud e da Psicanálise, procurando reflectir na arte o mundo desconhecido do inconsciente.
É o recurso à psicologia das profundezas.
Significa não o abandono do racional, mas o do consciente.
Reivindicava a autonomia da imaginação e a capacidade do inconsciente se exprimir sem limitações.
Aqui residia o carácter revolucionário do surrealismo, fazendo deslocar a arte do exterior para o mundo da interioridade do artista.
Principais características: as pinturas representavam universos absurdos, cenas grotescas e estranhas, sonhos e alucinações, objectos representados de uma forma enigmática, misturando objectos reais com objectos fantásticos; cores também usadas arbitrariamente; representam, à maneira cubista, a visão total e intelectualizada do objecto, representando simultaneamente as várias visões possíveis do mesmo; substituição da tridimensional pela bidimensionalidade das figuras.
Os pintores surrealistas dividiam-se em duas tendências: surrealistas figurativos (Dali, Chagall, Magritte) - destruíam os convencionalismos tradicionais da pintura, mas conservavam algum figurativismo (representavam objectos de uma forma enigmática, procurando o belo em combinações estranhas); surrealistas abstractos (Miro e Tanguy) - recusavam completamente a pintura figurativa, enredando pelo abstraccionismo.
 Tendências culturais em Portugal: entre o Naturalismo e as Vanguardas. 
O Modernismo em Portugal
Foi um movimento estético que surgiu numa primeira fase em 1911 com a «Exposição Livre de 1911» e, fundamentalmente, a partir de 1915.
Caracterizou-se pelo culto da modernidade que dominou a mentalidade contemporânea.
Os seus seguidores privilegiavam a novidade relativamente ao estabelecido, a aventura face à segurança.
No movimento modernista estavam associadas a literatura e as artes plásticas.
Encontrou nas revistas «Orpheu» (1915), «Portugal Futurista» (1917) e «Presença» (1927-1940) os seus principais expoentes.
A I República conheceu duas correntes literárias que foram o «Integralismo Lusitano» (tradicionalista, dirigido por António Sardinha) e a «Seara Nova» (democrática, dirigida por António Sérgio).
Em 1915, surge o 1.º Grupo Modernista, iniciado e impulsionado pela revista «Orpheu» com Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro e Almada Negreiros.
A revista «Orpheu» escandalizou o público que se mostrou chocado com as inovações que punham em causa o academismo tradicional.
 Surgiram apenas 2 números da revista, mas a estética modernista publicou outras revistas como «Portugal Futurista», em 1917 (n.º único). Fernando Pessoa destaca-se com a sua criatividade poética que se transmite através do seu desdobramento em várias personagens (heterónimos) dos quais os mais conhecidos são Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro Campos.
O 2.º grupo modernista desenvolve-se entre 1927 e 1940 (Ditadura Militar e Estado Novo), em torno da revista «Presença».
Destacam-se Miguel Torga, José Régio e Aquilino Ribeiro e Ferreira de Castro.
No início do séc. XX, dominava em Portugal a pintura figurativa que tinha a sua expressão no pintor Malhoa.
A situação alterou-se quando, em 1911 e depois em 1914, vários pintores e escultores portugueses que se encontravam em Paris regressam ao país, fugindo da guerra, trazendo consigo novos valores estéticos.
Foi o início do modernismo em Portugal.
Entre outros, vieram de Paris, Dórdio Gomes, Diogo de Macedo, Francisco Franco, Amadeu de Souza-Cardoso, Santa-Rita Pintor, Eduardo Viana.
A eles se juntou Almada Negreiros.
Na década de 1920, destaca-se a «segunda geração de Paris», designação dada aos artistas que, terminada a guerra, retornam a Paris ou para aí vão pela primeira vez.
Partem Dórdio Gomes, Diogo de Macedo, Abel Manta (grande retratista) e Almada Negreiros.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

MENSAGEM DO PROFESSOR

Olá a todos os alunos. Tenham uma boa aventura através do tempo e do espaço e conheçam povos antigos e não se preocupem a vossa imaginação fará o resto.
Bom ano e saudações históricas
O que é a História?
É o estudo da vida dos homens no passado.
Como se faz a História?
Através dos vestígios deixados… (instrumento, construção, texto escrito...) A estes vestígios chamamos fontes históricas ou documentos históricos.
Como situar os acontecimentos no tempo?
Usando as datas, contadas na nossa civilização a partir do nascimento de Cristo.
Como situar os acontecimentos no espaço?
Recorrendo a mapas
A AVENTURA COMEÇA...
PARA QUE SERVE A HISTÓRIA?


QUESTIONÁRIO
 QUESTÕES:
 1. Estas atento nas aulas? Sim Não
 2. Participas nas aulas? Sim Não
 3. Costumas tirar apontamentos durante as aulas? Sim Não
 4. Costumas colocar dúvidas ao professor? Sim Não
 5. Fazes os trabalhos de casa? Sim Não
 6. Fazes pequenos resumos da matéria estudada? Sim Não
 7. Consultas outras obras que não só o manual escolar? Sim Não
 8. Estudas a ver televisão? Sim Não
 9. Costumas estudar apenas nas vésperas dos testes? Sim Não
 10. Antes da entrega dos testes revês todas as respostas? Sim Não
 11. Costumas decorar sem compreender? Sim Não 
12. Dormes pelo menos oito horas por dia? Sim Não
 13. Analisas, com cuidado, os textos, imagens ou gráficos do manual? Sim Não
 14. Relacionas os assuntos/temas que estudaste? Sim Não
 15. Sentes curiosidade em conhecer o passado? Sim Não
 Para saberes o resultado soma os pontos de acordo com a seguinte chave:
 1 ponto por cada resposta SIM
 Nas questões 8, 9 e 11, 1 ponto por cada resposta NÃO 
Resultados:
 Entre 0 a 5 - Não és bom estudante, deves rever os teus métodos de estudo para teres sucesso na disciplina e na escola em geral.
 Entre 6 e 10 - És um estudante razoável, poderias obter melhores resultados na disciplina se organizasses melhor o teu estudo.
 Entre 11 e 15 - És um bom estudante, tens metódos e hábitos de trabalho, bem como gosto pelo estudo da História.
ESTÁS DE PARABÉNS!

REGRAS ESSENCIAIS PARA APRENDER HISTÓRIA
Para se ter sucesso em qualquer disciplina é preciso estudar, ou mellhor, é preciso"saber estudar", é preciso adquirir o seu próprio método de estudo e de trabalho.
Aqui tens algumas sugestões que poderás aproveitar.
 NA SALA DE AULA não esquecer de....
1. Procura estar atento e participativo;
2. Pergunta ao professor aquilo que não percebeste no momento;
 3. Toma notas das ideias importantes, mesmo que de uma forma esquematizada.
EM CASA após a aula deves...
1. Ler os apontamentos da aula e completá-los com as informações do manual;
2. Elaborar esquemas ou resumos das ideias principais, que te ajudarão a compreender a matéria e a preparar testes de avaliação;
3. Resolver atividades, exercícios ou fichas de trabalho propostos pelo professor ou que se encontrem no caderno do aluno;
4. Tomar nota de todas as dúvidas para esclareceres com o teu professor ou consultando diversa bibliografia na biblioteca;
5. Consultar os motores de busca na internet (google por exemplo), aprofunda os teus conhecimentos ou traz novas informações para a aula. Assim pouparás tempo, aumentas os teus conhecimentos e terás sucesso na escola!

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

FICHA FORMATIVA:DICAS PARA TER SUCESSO NOS TESTES DE HISTÓRIA A


1- LER. Deve perder tempo a ler o teste integralmente, nunca tente responder a questões sem primeiro perceber oque é que se pretende.
2- TEMPO. Reparta o tempo disponível pelo número de questões do teste, reservando um pouco mais para aquelas que considerar mais difíceis.
3- FÁCIL. Comece por responder às questões que considerar mais fáceis.
4- ESQUEMA. Nunca deixe a folha de rascunho em branco. Faça um esquema da resposta com os tópicos da pergunta.
5- ORDENADO. Uma boa maneira para evitar “andar em círculos”, repetindo a mesma ideia vezes sem conta é estruturar bem a resposta em três partes: introdução, desenvolvimento e conclusão. Escreva tudo.
6- BEBER AS FONTES (DOCUMENTOS). O esquema de resposta deverá incluir sempre as conclusões da analise dos documentos, contextualizar, temporal, e espacialmente, bem como os conceitos fundamentais.
7- ESCREVER. É preciso ir com calma. Atenção aos erros ortográficos. Tais como os nomes de líderes políticos tratados, conceitos e lugares corretos.
8- RELER. A leitura final do teste, antes de o entregar, deve ser feita pausadamente e com objetivo de detetar lacunas de informação e de melhorar a expressão escrita.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

sábado, 18 de agosto de 2012

CINE HISTÓRIA: SEGURANÇA NACIONAL


Segurança Nacional é um filme produzido e dirigido pelo brasileiro Roberto Carminati com o apoio de diversos setores das forças armadas e governo brasileiro. O filme mostra sequências fictícias ambientado em um fundo real, como o SIVAM, locais conhecidos do Brasil, a ABIN, vários aviões da Força Aérea Brasileira e unidades do Exército Brasileiro. O filme é cheio de sequências de ação, como tiroteios em áreas urbanas, missões realizadas pelo Exército Brasileiro e interceptações realizadas pela Força Aérea Brasileira, mostrando a capacidade de defesa contra terroristas que o país possui em casos de terrorismo aéreo, como os ataques de 11 de Setembro nos EUA. Segurança Nacional Completo (Filme Brasileiro)

CINE HISTÓRIA: A RESISTÊNCIA


Sinopse: Na manhã de 22 de Junho de 1941 os nazistas atacaram a Fortaleza de Brest na Bielo-Rússia. Em total desvantagem em número de homens e armamentos, os cidadãos de Brest lutaram até o amargo fim, por 29 intermináveis dias.Muitos anos depois, o veterano Alexander Akimov relembra várias vezes os fatos da época quando ele, com apenas 15 anos, estava profundamente apaixonado pela linda Anya e de repente teve que abandonar seus sonhos para lutar pelo seu país.
 Filme: A Resistência - Completo

CINE HISTÓRIA: W.E. O Romance do Século


Anos 30. O Duque de Windsor, Eduardo VIII (James d'Arcy), é o primeiro na lista de sucessão da coroa britânica. Ele conhece e se apaixona por Wallis Simpson (Andrea Riseborough), uma americana casada. Quando Eduardo assume o trono passa a sofrer pressão para que não se case com Wallis, devido ao fato dela não ser inglesa e ter dois divórcios no currículo. Para ficar com seu grande amor, ele renuncia ao trono, que passa a ser ocupado por seu irmão Bertie (Laurence Fox). Em 1998, Wally Winthrop (Abbie Cornish) é obcecada pela história de amor entre Eduardo e Wallis. Ela trabalha na preparação de um grande leilão de objetos do casal e costuma fantasiar como seria a vida deles. Entretanto, na vida real Wally enfrenta vários problemas no casamento com William (Richard Coyle). Filme - W.E. O Romance do Século - Completo

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

CINE HISTÓRIA: DAMA DE FERRO


Margaret Tatcher, primeira-ministra do Reino Unido, em 1979, chefiou o partido conservador, ficando conhecida como a "dama de ferro"... Dama de Ferro -

CINE HISTÓRIA:O Diário de Anne Frank


A épica adaptação para as telas assinada por George Stevens de um dos mais comoventes documentos surgidos após a 2ª Guerra Mundial: o diário de uma garota judia de treze anos de idade, chamada Anne Frank. Para escapar aos horrores da perseguição nazista, Otto Frank (Joseph Schildkraut) escondeu sua esposa (Gusti Huber) e suas duas filhas, Anne (Millie Perkins) e Margot (Diane Baker) em um sótão desocupado em Amsterdã por dois anos. Lá, também escondidos, estavam o Sr. e Sra. Van Daan (Lou Jacobi & Shelly Winters), seu filho Peter (Richard Beymer) e um dentista, o Sr. Dussel (Ed Wynn). Em seu diário, Anne registra as dificuldades e medos das pessoas à sua volta que tentavam viver uma vida normal mesmo confinados no minúsculo sótão, estando todo o tempo sob ameaça de serem descobertos pela Gestapo. O estresse e a tensão quase insuportável da situação são habilmente expostos neste filme marcante e tocante. O Diário de Anne Frank - Filme Completo

CINE HISTÓRIA: STALIN


Stalin, Robert Duvall

CAPITÃES DE ABRIL


Capitães De Abril - O Filme

CINE HISTÓRIA: O GRANDE DITADOR


The Great Dictator, 1940 - Em meio a Segunda Grande Guerra Mundial, judeus estavam sendo esmagados pelo preconceito alemão. Chaplin, genialmente, interpreta os dois protagonistas da história: o ditador Adenoid Hynkel (em clara referência a Hitler) e o barbeiro Judeu. Irônico e atrevido, este filme lhe criou também uma obra-prima única com uma das melhores mensagens anti-guerra já transmitidas ao homem. Prêmios: Indicado para Melhor Ator, Melhor Música, Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Roteiro Original. Associação dos Críticos de Nova York 1940 - Vencedor de Melhor Ator O Grande Ditador - LEGENDADO

CINE HISTÓRIA: O CÔNSUL DE BORDÉUS- ARISTIDES DE SOUSA MENDES


Cenas interpretadas POR Susana Sá não filme "O Cônsul de Bordéus", realizado POR Francisco Manso e João Correa (Take 2000). Estreia in 2012

quarta-feira, 18 de julho de 2012

PLANIFICAÇÃO: MÓDULO 9 – ALTERAÇÕES GEOESTRATÉGICAS, TENSÕES POLÍTICAS E TRANSFORMAÇÕES SOCIOCULTURAIS NO MUNDO ATUAL

3º Período  16 aulas de 90 minutos
MÓDULO 9 – ALTERAÇÕES GEOESTRATÉGICAS, TENSÕES POLÍTICAS E TRANSFORMAÇÕES SOCIOCULTURAIS NO MUNDO ATUAL

1. O fim do sistema internacional da Guerra Fria e a persistência da dicotomia Norte-Sul 
1.1. O colapso do bloco soviético e a reorganização do mapa político da Europa de Leste. Os problemas da transição para a economia de mercado
 1.2. Os pólos do desenvolvimento económico
 - Hegemonia dos Estados Unidos: supremacia militar, prosperidade económica, dinamismo científico e tecnológico.
 - Consolidação da comunidade europeia; integração das novas democracias da Europa do Sul; a UE e as dificuldades na constituição de uma Europa política.
 - Afirmação do espaço económico da Ásia- Pacífico; a questão de Timor.
 - Modernização e abertura da China à economia de mercado; a integração de Hong Kong e de Macau.  1.3. Permanência de focos de tensão em regiões periféricas
 - Degradação das condições de existência na África subsaariana; etnias e Estados.
 - Descolagem contida e endividamento externo na América latina; ditaduras e movimentos de guerrilha; a expansão das democracias.
 - Nacionalismo e confrontos políticos e religiosos no Médio Oriente e nos Balcãs.
 2. A viragem para uma outra era 
2.1. Mutações sociopolíticas e novo modelo económico
 - O debate do Estado-Nação; a explosão das realidades étnicas; as questões transnacionais: migrações, segurança, ambiente.
 - Afirmação do neo-liberalismo e globalização da economia. Rarefacção da classe operária; declínio da militância política e do sindicalismo.
 2.2. Dimensões da ciência e da cultura no contexto da globalização
 - Primado da ciência e da inovação tecnológica; revolução da informação; ciência e desafios éticos; declínio das vanguardas e pós-modernismo.
 Saúde e Educação Afectivo-Sexual:as novas doenças do séc XX.
 - Dinamismos socioculturais: revivescência do fervor religioso e perda de autoridade das Igrejas; individualismo moral e novas formas de associativismo; hegemonia da cultura urbana.
 3. Portugal no novo quadro internacional 
- A integração europeia e as suas implicações. As relações com os países lusófonos e com a área ibero-americana.

PLANIFICAÇÃO:MÓDULO 8 – PORTUGAL E O MUNDO DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL AO INÍCIO DA DÉCADA DE 80 – OPÇÕES INTERNAS E CONTEXTO INTERNACIONAL

2º Período  33 aulas de 90 minutos  
MÓDULO 8 – PORTUGAL E O MUNDO DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL AO INÍCIO DA DÉCADA DE 80 – OPÇÕES INTERNAS E CONTEXTO INTERNACIONAL

1. Nascimento e afirmação de um novo quadro geopolítico 
1.1. A reconstrução do pós-guerra
 - A definição de áreas de influência; a Organização das Nações Unidas; as novas regras da economia internacional. A primeira vaga de descolonizações.
 1.2. O tempo da Guerra Fria
 - a consolidação de um mundo Bipolar
 - O mundo capitalista: a política de alianças liderada pelos EUA; a prosperidade económica e a sociedade de consumo; a afirmação do Estado-providência.
 - O mundo comunista: o expansionismo soviético; opções e realizações da economia de direcção central. - A escalada armamentista e o início da era espacial.
1.3. A afirmação de novas potências
 - O rápido crescimento do Japão; o afastamento da China do bloco soviético; a ascensão da Europa.
 - A política de não-alinhamento; a segunda vaga de descolonizações.
 1.4. O termo da prosperidade económica: origens e efeitos.
 2. Portugal: do autoritarismo à democracia 
2.1. Imobilismo político e crescimento económico do pós--guerra a 1974
 - Estagnação do mundo rural; emigração. Surto industrial e urbano; fomento económico nas colónias.
 - A radicalização das oposições e o sobressalto político de 1958; a questão colonial
 - soluções preconizadas, luta armada, isolamento internacional.
 - A “primavera marcelista”: reformismo político não sustentado; o impacto da guerra colonial.
 2.2. Da Revolução à estabilização da democracia
 - O Movimento das Forças Armadas e a eclosão da Revolução.
 - Desmantelamento das estruturas de suporte do Estado Novo; tensões político-ideológicas na sociedade e no interior do movimento revolucionário; política económica anti-monopolista e intervenção do Estado nos domínios económico e financeiro. A opção constitucional de 1976.
 - O reconhecimento dos movimentos nacionalistas e o processo de descolonização.
 - A revisão constitucional de 1982 e o funcionamento das instituições democráticas.
 2.3. O significado internacional da revolução portuguesa.
 3. As transformações sociais e culturais do terceiro quartel do século XX
- A importância dos pólos culturais anglo-americanos. A reflexão sobre a condição humana nas artes e nas letras. O progresso científico e a inovação tecnológica.
 - A evolução dos media: os novos centros de produção cinematográfica; o impacto da TV e da música no quotidiano; a hegemonia de hábitos socioculturais norte-americanos.
 - Alterações na estrutura social e nos comportamentos: a terciarização da sociedade; os anos 60 e a gestação de uma nova mentalidade
 - procura de novos referentes ideológicos, contestação juvenil, afirmação dos direitos da mulher

PLANIFICAÇÃO: MÓDULO 7 – CRISES, EMBATES IDEOLÓGICOS E MUTAÇÕES CULTURAIS NA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XX

1º Período  31 aulas de 90 minutos
MÓDULO 7 – CRISES, EMBATES IDEOLÓGICOS E MUTAÇÕES CULTURAIS NA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XX
 1. As transformações das primeiras décadas do século XX
1.1. Um novo equilíbrio global
 - A geografia política após a Primeira Guerra Mundial. A Sociedade das Nações. 
- A difícil recuperação económica da Europa e a dependência em relação aos Estados Unidos.
 1.2. A implantação do marxismo-leninismo na Rússia: a construção do modelo soviético.
 1.3. A regressão do demoliberalismo
 - O impacto do socialismo revolucionário; dificuldades económicas e radicalização dos movimentos sociais; emergência de autoritarismos.
 1.4. Mutações nos comportamentos e na cultura
 - As transformações da vida urbana e a nova sociabilidade; a crise dos valores tradicionais; os movimentos feministas.
 - A descrença no pensamento positivista e as novas concepções científicas.
 - As vanguardas: rupturas com os cânones das artes e da literatura.
 1.5. Portugal no primeiro pós-guerra
 - As dificuldades económicas e a instabilidade política e social; a falência da 1ª República.
 - Tendências culturais: entre o naturalismo e as vanguardas.
2. O agudizar das tensões políticas e sociais a partir dos anos 30
2.1. A grande depressão e o seu impacto social
 2.2. As opções totalitárias
- Os fascismos, teoria e práticas: uma nova ordem nacionalista, anti-liberal e anti-socialista; elites e enquadramento das massas; o culto da força e da violência e a negação dos direitos humanos; a autarcia como modelo económico.
 - O estalinismo: planificação da economia, colectivização dos campos, burocratização do partido; repressão
2.3. A resistência das democracias liberais
 - O intervencionismo do Estado.
 - Os governos de Frente Popular e a mobilização dos cidadãos.
 2.4. A dimensão social e política da cultura
 - A cultura de massas e o desejo de evasão; os grandes entretenimentos colectivos; os media, veículo de modelos socioculturais.
 - As preocupações sociais na literatura e na arte; o funcionalismo e o urbanismo.
 - A cultura e o desporto ao serviço dos Estados.
 2.5. Portugal: o Estado Novo
 - O triunfo das forças conservadoras; a progressiva adopção do modelo fascista italiano nas instituições e no imaginário político.
- Uma economia submetida aos imperativos políticos: prioridade à estabilidade financeira; defesa da ruralidade; obras públicas e condicionamento industrial; a corporativização dos sindicatos. A política colonial.
 - O projecto cultural do regime.
 3. A degradação do ambiente internacional
- A irradiação do fascismo no mundo.
 - As hesitações face à Guerra Civil de Espanha;
 - A aliança contra o imperialismo do eixo nazi-fascista;
 - A mundialização do conflito e a vitória dos aliados.

terça-feira, 17 de julho de 2012

INTERPRETAR DOCUMENTOS ESCRITOS


Interpretação de documentos escritos

            Informação
            Os documentos escritos que vais encontrar nos teus manuais podem ser da própria época que se está a estudar [documentos históricos] ou de uma época posterior àquela, mas que a ela se refere (documento historiográfico). É através dos documentos históricos que se reconstrói o passado. Os documentos escritos incluídos nos teus manuais ajudam-te a construir os conhecimentos. É necessário, portanto, saberes interpretá-los, ou seja, extrair deles toda a informação possível. Sugerimos, então, as seguintes etapas de: exploração e a procura dos seguintes elementos:
            a) Título
            Aparece, regra geral, ao cimo do texto, é atribuído normalmente pelos autores do manual e transmite-nos o assunto ou a ideia geral do documento.
            b) Fonte
            Surge ao fundo do texto e indica, por norma, o autor, o título da obra de onde foi reti­rada e a data.
                c) Localização
            A localização diz respeito ao tempo (data) e ao espaço (localidade). A data pode ser indicada através do milénio, século ou ano em que o documento foi escrito. Por vezes a localização só aparece, de forma indirecta, no conteúdo do texto, sendo necessário, portanto, fazer a sua leitura para a descobrirmos.
            d) Leitura do texto
Durante a leitura, podes sublinhar, a lápis, as palavras ou expressões que não com­preendes, a fim de procurares o seu significado num dicionário ou perguntares ao teu professor. Os parêntesis – (…) - significam que o texto original foi aí cortado para melhor se adaptar à sua função didáctica. Quando os documentos se apresentaram de difícil compreensão, optou-se por uma versão adaptada. Nesse caso aparece, a seguir à fonte, a palavra adaptado.
            e) Registo
            Registo dos nomes, datas, localidades e conceitos que sobressaem no texto. Verifica quais desses registos já te são familiares e quais os que são novos para ti.
            f) Resumo
            Resumo das principais ideias do texto.
            Podes destacar a ideia geral do texto e, depois, subdividi-la nas principais ideias.
            g) Contributo
            Do texto para o alargamento dos teus conhecimentos.

ANÁLISE DE DOCUMENTOS ESCRITOS
1. Vantagens da utilização do documento escrito na aula de História ajuda o aluno a desenvolver o espírito de observação, estimula a pesquisa, desperta a curiosidade, fomenta a criatividade e fortalece o sentido crítico; contribui para ultrapassar a tendência verbalista e predominantemente informativa do ensino; ajuda o aluno a organizar-se.
2. Critérios para a escolha de documentos escritos: de acordo com os objectivos de aprendizagem definidos; tem de estar ligado aos conteúdos a estudar; em função do nível etário dos alunos; não ser muito longo, nem muito complexo; deve ser um documento rico em informação. O documento deve ser sempre fornecido ao aluno, ou através do seu manual, ou fotocopiado, ou ainda projectado.
3. Classificação dos documentos escritos didácticos documento histórico - que pertence à própria época que se está a estudar. documento historiográfico - que é de uma época posterior àquela que se está a estudar, mas que a ela se refere. Por vezes, os documentos apresentam-se de difícil compreensão e quando assim acontece, muitas vezes, estes aparecem em versão adaptada. O documento escrito didáctico pode então ser uma reprodução do original ou ser sujeito a adaptações para se tornar mais acessível aos alunos. Os documentos escritos históricos subdividem-se nos seguintes tipos:
-documentos pontuais:
objectivos :- fontes jurídicas e administrativas
subjectivos :- fontes literárias e historiográficas
- documentos seriais:
- objectivos - registos paroquiais, inquisições gerais, listas nominais, fontes fiscais.
-subjectivos - testamentos, imprensa, róis de confessados, cadernos de "agravos".
4. Etapas de análise dos documentos escritos A metodologia do tratamento de um documento histórico ou historiográfico difere da utilizada na literatura.
1.ª etapa - Título - transmite-nos a ideia geral do documento e é normalmente atribuído pelos autores do manual.
2.ª etapa - Fonte - geralmente, indica o autor, título da obra de onde foi retirado e a data.
3.ª etapa - Classificação do documento - a natureza do documento se é histórico ou documento historiográfico.
4.ª etapa - Localização espacio-temporal - data em que o documento foi escrito e a sua localidade, normalmente, só aparece no conteúdo do texto, de forma indirecta.
5.ª etapa - Leitura do documento - durante a leitura do documento, o aluno deve sublinhar as palavras que não compreende e registar conceitos, nomes, datas e localidades que sobressaem do documento. De seguida, o professor deve esclarecer o significado das palavras ou expressões que o aluno desconhece.
6.ª etapa - Resumo do documento - levar os alunos a captar as ideias dominantes do texto; compreender a estrutura do texto e delimitar as suas partes.
7.ª etapa - Comentário - relacionar o texto com o conhecimento da época, dentro dos limites temáticos e cronológicos. Deverá ser claro e ordenado. Alude-se, ainda, ao interesse e valor do documento. O professor deve ensinar o aluno a estar atento para procurar distinguir os factos ou acontecimentos referidos, das opiniões ou interpretações feitas pela pessoa que escreveu a informação, pois sobre o mesmo assunto ou acontecimento da mesma época podemos ter visões diferentes. As circunstâncias em que o documento foi escrito e as opiniões dos seus autores, podem influenciar a nossa interpretação da informação. Desta forma, documento contribui para o alargamento dos conhecimentos históricos do aluno.
8.ª etapa - Crítica - questionar autenticidade e objectividade do documento, se possível, comparando com documentos análogos. O professor deve levar o aluno a ter uma atitude crítica perante aquilo que lê - verificar qual a origem da informação, pensar noutras possíveis opiniões, etc.