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sábado, 28 de dezembro de 2013

MÓDULO 7: OBJECTIVOS

AS TRANSFORMAÇÕES DAS PRIMEIRAS DÉCADAS DO SÉCULO XX 
 A – UM NOVO EQUILÍBRIO GLOBAL
 1.Analisar as transformações geopolíticas ocorridas com a 1ª Guerra Mundial 
a. Os 14 Pontos do presidente Wilson 
b. Os tratados de paz – o Tratado de Versalhes 
c. O desmembramento dos impérios 
d. A criação de novos países e a alteração de fronteiras 
e. As penalizações impostas aos países derrotados 
 2. Avaliar as intenções e o papel da Sociedade das Nações 
a. Os propósitos 
b. Os meios 
c. Os obstáculos 
 3. Explicar a forte dependência da Europa face aos EUA no termo da 1ª Guerra Mundial. 
 B– A IMPLANTAÇÃO DO MARXISMO-LENINISMO NA RÚSSIA E A CONSTRUÇÃO DO MODELO SOVIÉTICO
 4. Resumir as condições políticas, sociais e económicas que conduziram à Revolução Russa de Fevereiro de 1917.
 5. Distinguir a Revolução de Outubro da Revolução de Fevereiro de 1917 na Rússia.
6. Descrever sucintamente as etapas do processo revolucionário russo.
7. Relacionar a publicação dos decretos revolucionários com a instauração da democracia dos sovietes.
8. Mostrar que o comunismo de guerra permitiu instaurar a ditadura do proletariado.
9. Explicar o funcionamento do centralismo democrático.
10. Relacionar os efeitos do comunismo de guerra com a Nova Política Económica.
11. Avaliar os efeitos da NEP.
 12. Compreender e aplicar correctamente os seguintes conceitos: Inflação; 
Marxismo-leninismo; 
Soviete; 
Ditadura do proletariado; 
Comunismo; 
Centralismo democrático.
 1.3-A regressão do demoliberalismo
 13. Avaliar o impacto exercido pelo modelo soviético nos movimentos sociais e nas opções da política interna e externa dos estados demoliberais.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

O CÍRCULO VICIOSO DA CRISE




Cartaz alemão referente à crise dos anos 30, 1931

Consequências:
Ruína dos bancos - tinham emprestado dinheiro para a aquisição das ações que deixaram de ter valor - os bancos deixaram de ser reembolsados. 
Entre 1929 e 1933, fecharam mais de 10 mil bancos, a economia paralisou, uma vez que os bancos não forneciam o crédito necessário às indústrias. 
 As empresas faliram aumentando assim o desemprego para 12 milhões de pessoas em 1932. 
(Sub-consumo)
A produção industrial diminuiu (os stocks não eram vendidos) e os preços baixaram .
 A superprodução levou à redução da produção e à deflação, caracterizada por uma baixa dos preços dos produtos industriais e agrícolas.
 No campo, os excedentes agrícolas também se acumularam, sem encontrarem compradores e os agricultores vão à ruína. Muitos destroem os produtos em excesso para evitar a descida dos preços. 
 As famílias mergulham na ruína e outras percorrem o país, em busca de trabalho mas sem sucesso.
A crise atingia todo o país.
 Os salários desceram e o desemprego continua a aumentar 
Cada vez mais pessoas recorrem à sopa dos pobres
Sopa dos pobres, EUA
 Aumentaram os bairros de lata, a delinquência e a corrupção desenvolve-se o “gangsterismo”
Fila de desempregados, EUA
Agricultores reduzidos à pobreza, EUA






Taxa de desemprego, EUA



Desalojados, EUA







ENQUADRAMENTO DAS MASSAS EM ITÁLIA E ALEMANHA

Elites e enquadramento das massas
 O fascismo defende que os seres humanos não são todos iguais, a desigualdade é útil e fecunda.
O governo só aos melhores, às elites, deve estar reservado.
Desde modo, a organização seria:
1º Chefe – Duce (Italiano)/Führer (Alemão)
2º Soldados
3º Militantes do Partido
4º Homens de uma maneira geral
 Os chefes simbolizavam o Estado totalitário, encarnavam a Nação e guiavam os seus destinos. 
 Deviam ser seguidos sem hesitação, prestando-se-lhes um verdadeiro culto. 
 Faziam parte das elites a raça dominante (para Hitler a raça ariana), os soldados e as forças militarizadas, os filiados no partido, os homens de uma forma geral.
As mulheres estavam subordinadas aos três K:
 - Kinder – crianças;
 - Küche – cozinha;
 - Kirche – igreja.


Mulheres na Alemanha Nazi
As mulheres eram consideradas inferiores, estando destinada ao lar e à subordinação ao marido.

 As ideias inculcavam-se desde muito cedo na Itália:

 - 4-8 anos: Filhos da Loba
 - 8-14 anos: Ballilas
 - 14-18 anos: Vanguardistas
 - A partir dos 18 anos: Juventude Fascista
 Na Alemanha, os jovens eram enquadrados na Juventude Hitleriana a partir dos 8 anos, os pais que não enviassem os seus filhos para esta organização eram considerados opositores do regime e castigados.
Os jovens alemães aprendiam aí o culto do Estado e do chefe, o amor pelo desporto e pela guerra e o desprezo pela cultura.
A educação fascista era ministrada professores subservientes ao regime, ao qual prestavam juramento, e de manuais escolares orientados por valores fascistas e totalitários. 
Os regimes de italianos e alemães 
 Contavam com diversas organizações de enquadramento de massas para a idade adulta:
 - O Partido único: Nacional Fascista na Itália e Nacional Socialista na Alemanha, de filiação obrigatória para o emprego na função pública, militar e exercício de cargos no estado
- A Frente do Trabalho Nacional-Socialista e as corporações italianas, que forneciam aos trabalhadores condições favoráveis na obtenção de emprego (substituíram os sindicatos livres, entretanto proibidos)
- A Depalavoro na Itália e a Kraft Durch Freude na Alemanha, destinadas a ocupar os tempos livres dos trabalhadores com atividades, recreativas e culturais vinculando-os à ideologia fascista.
 A ideologia fascista utilizou de modo exemplar a propaganda, enquadrando a população nos ideais fascistas 
 Na Itália, o Ministério da Imprensa e da Propaganda controlou as publicações, a rádio, e a partir dos anos 30, o cinema.
 Na Alemanha, o Ministério da Cultura e da Propaganda suprimiu jornais, organizou autos de fé ( queima de livros de autores proibidos), perseguiu os intelectuais judeus, obrigou artistas a prestarem juramento a Hitler e a difundir as ideias nazis. 
A rádio e o cinema armas fundamentais na manutenção do totalitarismo nazi.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

O "bode expiatório": exclusão e racismo na Europa


"Porque não usam os mesmos vagões em que levamos os judeus para mandar fora os polacos?", perguntou uma anciã da ex-RDA à escritora Irene Runge. Na Polónia, 40 por cento dos cidadãos preferem não ter um judeu como vizinho. Na Itália, são mais de 5 milhões os que se pronunciaram a favor da expulsão do país dos seus 35 mil conterrâneos judeus. Na Áustria, os clientes dos radiotáxis podem não só pedir um veículo, como escolher a nacionalidade do motorista ou, mais concretamente, exigir que este não seja estrangeiro. E os jovens aprendem em jogos de computador como identificar imigrantes turcos. Ganha quem os conseguir prender e matar rapidamente. É o regresso de uma velha regra que quer voltar a fazer valer os seus direitos. Em tempos de incerteza ou de crise, regressa-se ao conhecido. Um pouco por toda a Europa, procuram-se bodes expiatórios a quem culpar pelo desemprego crescente, pela falta de segurança das cidades. E quem melhor que os "estrangeiros" para desempenharem esse papel? Negros, árabes, asiáticos, europeus do leste, ciganos, judeus. Tanto faz.

 Jornal "Público", 19.12.1993 (adaptado), in "SOS Racismo. Projeto Escola de todas as Cores. Articulação dos temas do racismo e da xenofobia com conteúdos do programa de História - 10º ano - Folha para o Professor".

Amadeo de Souza Cardoso: um pintor da modernidade


"Tenho progredido consideravelmente. Nada tem que ver com a minha maneira de sentir e compreender com futuristas ou cubistas e se alguma coisa tem é a justificação precisa do contrário. A arte tal como a sinto é um produto emotivo da natureza. A natureza fonte de vida, de sensibilidade, de cor, de profundidade, de acção mental, de poder emotivo."

(Carta de Amadeo a Francisco Cardoso. Paris, 5 de Agosto de 1913)


Procissão Corpus Christi
óleo sobre madeira
1913










Cozinha da Casa de Manhufe
óleo sobre madeira
1913

Pintura
óleo sobre tela com colagem
c. 1917


















A Casa da Cascata: uma obra prima de Frank Lloid Wright

A aliança internacional das forças democráticas na luta contra o imperialismo do Eixo

«Qual foi, perante a política de Hitler, a atitude dos demais Estados europeus? (…) A política britânica foi relativamente simples: certas reivindicações alemãs, como por exemplo a remilitarização da Renânia ou a união com a Áustria – embora estivessem em contradição com os tratados –, não lhe pareciam desrazoáveis, e daí, até 1939, a convicção de que, não se lhes opondo, se poderia desarmar e amaciar o ditador alemão. (…) A política francesa foi mais complexa. A partir da subida de Hitler ao poder, certos homens de Estado franceses persuadiram-se de que, perante o renascer do perigo alemão, a política de segurança colectiva estava ultrapassada. (…) A política externa francesa foi apenas uma sucessão de abandonos perante as exigências alemãs – uma “política de decadência” que se explicava pelo medo/pânico de não ter dos Ingleses e que, portanto ia a reboque deles (…). Na aparência, as políticas inglesa e francesa eram próximas uma da outra; mas num caso a política era assumida conscientemente e no outro não passava de uma expressão de fraqueza que procurava justificar-se numa opinião pública visceralmente pacifista. Havia ainda a União Soviética, cuja política balançou entre dois pólos: a sua hostilidade ao nazismo , que por sua vez se declarava ferozmente antibolchevista, e a sua hostilidade ao sistema de Versalhes, entre cujas vítimas se contava. (…) No decurso dos anos 30, a Europa voou em pedaços. A crise económica foi o detonador de uma crise política, ideológica, moral, etc. (…) Em 1939, a crise dos anos 30 terminava, para o pequeno continente europeu – esquartejado entre o comunismo, o fascismo e a democracia –, numa nova tragédia em que ele iria jogar em horrores a sua bimilenária história.»

 Jean Carpentier e François Lebrun, História da Europa, Editorial Presença

 Explique a atitude dos estados europeus face à política do eixo nazi-fascista.

O balanço da mais trágica guerra da história da Humanidade

 «Às perdas humanas e às destruições materiais, é preciso juntar ruínas de um carácter diferente: a desorganização da sociedade, sobretudo no Leste. É talvez a Polónia que apresenta, a este respeito, o caso mais dramático. Os alemães, senhores do território durante seis anos, empreenderam a destruição sistemática de todas as elites – intelectuais, administrativas, espirituais, políticas –, de maneira a deixarem este país sem quadros nem possibilidades de se reerguer. (…) Finalmente, na ordem dos sentimentos, a guerra e as suas atrocidades (…), o extermínio sistemático de milhões de judeus, deixam vestígios duradouros, ressentimentos contra a Alemanha e a Itália, variando de intensidade segundo os países, mais intensos, por exemplo, na Holanda e na Noruega do que em França, e mesmo ressentimentos entre nacionalidades vizinhas ou fazendo parte do mesmo Estado. A tarefa de reconstrução parece, pois, em 1945, muito mais vasta e também muito mais difícil do que [a que acontecera] um quarto de século mais cedo [1.ª Guerra Mundial].»

 René Rémond, Introdução à História do Nosso Tempo

 Sintetize o balanço da 2.ª Guerra Mundial.

A implantação do marximo-leninismo na Rússia

Nicolau II, Czar da Rússia (1894-1917)
Nicolau II, Czar da Rússia (1894-1917) 
«O antigo regime conduziu o país à ruína e a população à fome. Era impossível suportá-lo mais tempo e os habitantes de Petrogrado foram para as ruas manifestar o seu descontentamento. Em vez de pão... foram recebidos a tiro. (...) O combate continua e deve ser levado até ao fim. O velho poder deve ser vencido para dar lugar a um governo popular. Depende disso a salvação da Rússia. A fim de ganhar este combate pela democracia, o povo deve criar os seus próprios órgãos de governo. (...) Convidamos toda a população a entrar em ligação imediata com o Soviete, a organizar comités locais de bairro e a tomar entre mãos a direcção dos assuntos locais. Todos juntos, com as nossas forças reunidas, venceremos para varrer completamente o velho governo (...).»

 Apelo do Soviete de Sampetersburgo, em Fevereiro de 1917, in Marc Ferro, A Revolução Russa de 1917, Dom Quixote, 1972

 Descreva as condições sociais, políticas e económicas que determinaram a Revolução Russa de Fevereiro de 1917.

Da revolução burguesa à revolução socialista

Revolução Russa de 1917
Revolução Russa de 1917

«Cidadãos da Rússia: O Governo Provisório foi destituído. O poder passou para o Comité Militar Revolucionário, órgão do Soviete dos Deputados Operários e Soldados de Petrogrado que se encontra à frente do proletariado e da guarnição de Petrogrado. A causa por que o povo entrou em luta – a abolição da grande propriedade agrária, o controlo da produção pelos trabalhadores, a criação de um governo soviético – triunfou definitivamente. Viva a Revolução dos Operários, dos Soldados e dos Camponeses!»

 Comité Revolucionário do Soviete dos Deputados Operários e Soldados de Petrogrado, de 7 de Novembro de 1917

 Distinga a Revolução de Fevereiro da Revolução de Outubro de 1917 e explicite os objectivos dos revolucionários bolcheviques.

A construção do modelo soviético

Lenine (1870-1924)
Lenine (1870-1924)As opções de Lenine: Mais vale menos, mas melhor (1923) 

 «Há cinco anos que nos esforçamos para aperfeiçoar o nosso aparelho de Estado. [...] É necessário adoptar esta regra: mais vale menos, mas melhor. [...] Porque não [...] admitir uma fusão do organismo de controlo do Partido com o do Estado? Por mim, não veria nisso nenhum inconveniente. Pelo contrário, creio que esta fusão é a única garantia de uma actividade fecunda. [...] O traço mais característico da nossa actual situação é o seguinte: destruímos a indústia capitalista, esforçámo-nos por destruir completamente as instituições medievais, a propriedade senhorial, e, com base nisto, criámos o pequeno e o muito pequeno campesinato, que seguem o proletariado, confiantes nos resultados da sua acção revolucionária. No entanto, não é fácil mantermo-nos, até à vitória da revolução socialista, nos países desenvolvidos, apoiados apenas nesta confiança. Não é fácil, porque o pequeno e o muito pequeno campesinato permanecem [...] num nível extremamente baixo de proditividade de trabalho. Além disso, a situação internacional faz com que a Rússia tenha sido lançada para um plano secundário; faz com que, globalmente, a produtividade do trabalho nacional seja hoje sensivelmente mais baixa, no nosso país, do que antes da guerra. As potências capitalistas da Europa Ocidental [...] fizeram o possível por nos afundar, por aproveitar a guerra civil na Rússia, para arruinar ao máximo o nosso país. [...] Que táctica é que este estado de coisas impõe ao nosso país? [...] O que nos interessa é a táctica que nós, Partido Comunista da Rússia, nós, poder dos Sovietes da Rússia, devemos seguir para impedirmos que os estados contra-revolucionários da Europa Ocidental nos esmaguem. Devemos procurar construir um Estado em que os operários conservem a sua direcção sobre os camponeses [...]. Devemos procurar o máximo de eficácia nosso aparelho de Estado. Devemos expurgá-lo dos excessos deixados pela Rússia czarista no seu aparelho capitalista e burocrático. [...] Se conservarmos a direcção da classe operária sobre o campesinato e se economizarmos na gestão do nosso Estado, poderemos empregar até a mais pequena poupança para dsenvolvermos a nossa indústria mecanizada [...].»
Lenine, «Mais vale menos, mas melhor», Pravda, n.º 49, Março, 1923

 Justifique, de acordo com os objectivos de Lenine expressos no texto, as soluções por ele preconizadas para a reorganização do aparelho de Estado.

A Nova Política Económica (NEP)

Cartaz de propaganda bolchevique simbolizando a união entre os camponeses e os operários, 1920
Cartaz de propaganda bolchevique simbolizando a união entre os camponeses e os operários, 1920

«Estamos tão arruinados, tão abalados pelo fardo da guerra, que não podemos dar ao camponês os produtos industriais em troca do trigo de que temos necessidade . [...] A miséria e a ruína são tais que não podemos restabelecer a grande produção socialista, as grandes fábricas do Estado. [...] Por conseguinte, é necessário restabelecer a pequena indústria. [...] Que resulta daí? Seguindo uma certa liberdade de comércio, renascem a pequena burguesia e o capitalismo. [...] O capitalismo privado pode ajudar ao desenvolvimento do socialismo. [...] Nada há de perigoso nisto enquanto o proletariado detiver firmemente o poder, enquanto detiver firmemente entre as suas mãos os transportes e a indústria pesada.»

 Lenine, 1921

Enuncie as razões que levaram Lenine a adoptar a NEP expressa no documento.

O relativismo científico, a psicanálise e a revolução artística

Albert Einstein (1879-1955) Sigmund Freud (1856-1939)
O relativismo científico, a psicanálise e a revolução artística Albert Einstein (1879-1955) Sigmund Freud (1856-1939)
 «O modernismo vanguardista organiza-se sobre o princípio de que à geração nova cabe o papel messiânico de romper com o passado e de, sobre os escombros da herança destruída e abandonada, acelerar a evolução, inventar o futuro, criar um mundo novo. Se observarmos as principais tendências do primeiro modernismo em geral, numa primeira fase, duas vertentes: a antitradicionalista e iconoclástica, e a futurista. A primeira incendia a tradição e destrói as suas imagens e símbolos; a segunda, complementar, deseja ultrapassar o passado, transcender o presente e criar desde já o futuro, não sendo pois de admirar que a expressão do movimento, da velocidade, do futurível na sociedade actual, constitua o seu principal propósito. Por um lado, o fauvismo, o cubismo, o expressionismo, o abstraccionismo, o dadaísmo; por outro, o movimento propriamente futurista, que entronca nalguns daqueles, mas para acentuar as dimensões de velocidade, de aceleração, de motricidade social ou industrial.»

 António Quadros, O Primeiro Modernismo Português - Vanguarda e Tradição, Lisboa, Europa-América 

Relacione a emergência do relativismo científico e a influência da psicanálise com a revolução artística.

O Expressionismo

 O Grito, de Edward Munch (1893)
O Grito, de Edward Munch (1893)
 «A pintura mais célebre de Munch é O Grito (1893): a Natureza, o céu, o rio... oscilam em curvas e transforma o próprio ritmo, tal como a personagem do primeiro plano. Esta expressa a angústia absoluta, a solidão do homem entre a vida e a morte. A estada de Munch na Alemanha, desde 1892 até 1908, ajuda a explicar a influência que Munch viria a exercer na arte alemã no período posterior.»

 José Maria de Azcarata Ristori e outros, Historia del Arte, Anaya

O Fauvismo

Retrato da Madame Matisse, de Henri Matisse (1914)
Retrato da Madame Matisse, de Henri Matisse (1914) 
A primeira característica que ressalta da observação de uma obra de arte fauvinista é a cor intensa. As telas dos pintores Henri Matisse, André Derain e Maurice de Vlamink, de tons considerados violentos para os padrões estéticos da época, deram origem ao epíteto feras (fauves) atribuído por Vauxcelles, crítico de arte da época.

 Em que consistiu o Fauvismo?

O Cubismo

Les Demoiselles d'Avignon, de Pablo Picasso (1906-1907)
Les Demoiselles d'Avignon, de Pablo Picasso (1906-1907)
«A solução dada por Picasso nos dois nus da direita de Les Demoiselles d' Avignon – e em especial nos rostos – (...) consistia em modelar o volume, já não pela própria cor, mas por uma espécie de desenho colorido. Essa tentativa poderia, à primeira vista, parecer semelhante à dos fauves, mas a diferença – e era essencial – residia na deliberada indiferença que estes manifestavam pelo relevo dos objectos que reproduziam, enquanto Picasso tentava precisamente modelar os volumes pela cor, dando a esta, mediante séries de traços com riscos paralelos, direcções lineares destinadas a sugerir esse relevo.»

 Guy Habasque, "A Génese do Cubismo", in História da Arte, vol. 9, dir. de J. Pijoan, Alfa

O Futurismo

Mercúrio passa diante do Sol, de Giacomo Balla (1914)
Mercúrio passa diante do Sol, de Giacomo Balla (1914)
«Com a nossa entusiástica adesão ao futurismo, queremos: 1. Destruir o culto do passado, a obsessão pelo antigo, o pedantismo e o formalismo académico. 2. Recusar em absoluto qualquer forma de imitação. 3. Exaltar todas as formas de originalidade, mesmo que seja considerada temerária ou violenta. 4. Mostrar valor e orgulho perante a fácil de loucura, com a qual se pretendeu amordaçar os inovadores. 5. Considerar os críticos de arte como inúteis e danosos. (...) 8. Representar e exaltar a vida actual, incessante e profundamente transformada pelo avanço da ciência. Enterrem-se os mortos nas profundezas da terra! Abram-se as portas do futuro! Dê-se lugar aos jovens, aos audazes!»

 Do Manifesto dos Pintores Futuristas, in Historia del Arte, de José Maria de Azcarata Ristori e outros, Anaya

O Abstraccionismo

Curva dominante, de Kandinski (1913)
Curva dominante, de Kandinski (1913)
A geometrização cubista e a valorização das cores do Fauvismo e no Expressionismo foram preparando caminho a uma das maiores revoluções da arte europeia do século XX: o Abstraccionismo, isto é, o abandono da representação de um objecto identificável. O Abstraccionismo surgiu em 1910 e desenvolveu-se segundo duas tendências de cariz muito diferente: o Abstraccionismo sensível ou lírico e o Abstraccionismo geométrico. Curva dominante, de Kandinski (1913)A geometrização cubista e a valorização das cores do Fauvismo e no Expressionismo foram preparando caminho a uma das maiores revoluções da arte europeia do século XX: o Abstraccionismo, isto é, o abandono da representação de um objecto identificável. O Abstraccionismo surgiu em 1910 e desenvolveu-se segundo duas tendências de cariz muito diferente: o Abstraccionismo sensível ou lírico e o Abstraccionismo geométrico.

O Dadaísmo

Mona Lisa com Bigode, de Marcel Duchamp (1919)
Mona Lisa com Bigode, de Marcel Duchamp (1919)
Em 1916, na Suiça, um grupo de jovens fugidos da guerra exprimiu o seu repúdio pelo conflito militar, pelas convenções sociais e, inclusive, pela arte através da escolha deliberada do absurdo. A palavra dada, escolhida ao acaso do dicionário francês, foi adoptada como designação do grupo dadaísta de Zurique (Cabaret Voltaire), o que exprime bem a opção dos artistaas pelo ilógico, o escandaloso, o desconcertante. Subvertendo os conceitos de arte, jogando com a acção do inconsciente (não esqueçamos a influência das teorias de Freud), o Dadaísmo preparou terreno para o Surrealismo.

 Em que consistiu o Dadaísmo?